Alan Rick é lobista de ACM Neto nas operações irregulares do Rei do Lixo

Senador chegou a ir a Itália em busca de informações de um processo em que trabalha em silêncio para a privatização do saneamento básico do Acre em troca de milhões de reais em propina   

 

Alan Rick em comitiva do Governo Lula na Itália; o senador bolsonarista converteu-se ao Governo por qual interesse?

Não bastasse os rolos em que se envolveu durante a atual campanha eleitoral, que incluem, entre outras coisas, a confissão, com seu nome  e assinatura grafados na condição de Investigado num acordo com o Ministério Público Federal de não persecução penal quando teve que  admitir ter se apropriado de recursos públicos do Fundo Partidário, no chamado “Laranjal do DEM”, relativo às eleições de 2018,  o senador Alan Rick, candidato a governador pelo Republicano, chamou para si um problema que era conhecido apenas por quem vive no meio político: o envolvimento dele – ou no mínimo muito interesse e vontade de se envolver – na chamada máfia do “Rei do Lixo”, muito em voga na Bahia e em Minas Gerais. Quem viu o senador, no debate da TV Acre (Rede Amazônica/Globo), na terça-feira (29/9) à noite., mais uma vez tentando constranger a governadora Mailza Assis, sua principal adversária na campanha, com a história do diploma de pedagogia e sua defesa apaixonada pela mudança no sistema de saneamento básico, que inclui o recolhimento do lixo doméstico das cidades acreanas, há de pensar que Alan Rick é, de fato, um homem público preocupado com o futuro das novas gerações e um estadista que busca solução para problemas sociais como o do meio ambiente. Só que não.

Basta se olhar o entorno do senador e suas ações sobre o saneamento básico para se constatar que o senador está utilizando o mandado que tão generosamente o povo acreano lhe outorgou para se tornar apenas um lobista das empresas interessadas na privatização do sistema de saneamento e recolhimento de lixo no Acre, além de parceiro e membro da quadrilha de ACM Neto e do chamado Rei do Lixo, operadores de um esquema nacional que gira em torno de muitos bilhões de reais. Para o Acre, a discussão sobre o assunto, envolve a nada desprezível quantia de R$ 2 bilhões em quatro anos, com pelo menos 20 % do valor pago a quem operar a mudança no sistema, o que seria muito fácil caso Alan Rick assumisse o governo do Estado e passasse a pilotar os destinos do Acre. Ganharia dinheiro suficiente para nunca mais ser pobre e aumentaria ainda mais o seu já agigantado patrimônio pessoal, que saiu de R$ 350 mil em 2014 para mais de R$ 5 milhões e 200 mil em 2026, sob o argumento de que estaria resolvendo os graves problemas de saneamento básico do Acre.

O silêncio suspeito de Thor Dantas e Tião Bocalom –  O mais ridículo nisso é que o médico Thor Dantas, candidato a governador pela coligação dos partidos de esquerda que já estiveram no poder ao longo de duas décadas, conhecedor dos problemas de saúde advindos pela falta de saneamento básico adequado,  não questionou o senador sobre essa sua nova conversão a este debate. O ex-prefeito Tião Bocalom, que divergiu de Alan Rick quando ainda estava no cargo porque o então senador queria empurrar goela abaixo a privatização do sistema de recolhimento de lixo, também ficou calado. Perdeu Bocalom a oportunidade de crescer no debate ao revelar o que sabe sobre a atuação nefasta de Alan Rick como lobista do tema e levantou a suspeita de que só não aceitou as propostas do senador porque o percentual cobrado pelo parlamentar era muito alto.

Prospecção começou na Itália, em 2025- Para um futuro debate sobre o assunto, forneço informações aqui sobre a ação de Alan Rick em relação às prospecções para a privatização do sistema de saneamento básico do Acre.  Em abril de 2025, é só consultar os documentos do Senado, Alan Rick visitou as instalações da Biofactory, na Itália. A Biofactory é uma das principais e mais avançadas usinas de compostagem e recuperação de resíduos do país, localizada em Calcinate, na região próxima a Milão. A própria empresa informa que atua neste mercado há quatro décadas e que processa anualmente mais de 100 mil toneladas de resíduos orgânicos (como restos de alimentos e resíduos sólidos urbanos úmidos, conhecidos como FORSU) e restos de poda urbana. Trata-se de um processo biológico que utiliza um método bio-oxidativo aeróbico com microrganismos naturais para acelerar a decomposição da matéria orgânica de forma sustentável a fim de produzir de fertilizantes transforando esses materiais em cerca de 40 mil toneladas por ano de composto verde e misto de alta qualidade, certificado para uso na agricultura orgânica.

O envolvimento de ACM Neto e do Rei do Lixo – Tudo bonitinho, bem explicadinho, sem revelar o que a Polícia Federal descobriria a começar a investigar a podridão – sem trocadilhos!

O senador divulgou que sua visita a Itália deu-se como integrante de uma comitiva do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) em um intercâmbio de benchmarking (comparação de boas práticas) na Europa. Tudo bem. Mas ai vem a pergunta: ele, enquanto senador bolsonarista, não faz oposição ao governo petista de Luia Inácio Lula da Silva? Por que a conversão do senador bolsonarista ao Governo especificamente neste tema?

É aqui que as perguntas que os participantes do debate na Rede Amazônica – incluindo a governadora Mailza – não fizeram, começam a ser respondidas: o senador Alan Rick e ACM Neto, atual candidato a governador na Bahia, na condição de vice-presidente nacional do União Brasil e presidente da Fundação Índigo, atuaram juntos em articulações políticas e partidárias, como o anúncio de seminários de gestão pública e desenvolvimento regional voltados para o estado do Acre. Um desses anúncios foi feito rem fevereiro de 2025, Alan Rick, na condição de então presidente do União Brasil no Acre, apareceu ao lado de ACM Neto e do presidente nacional da legenda, Antônio de Rueda, para divulgar o Seminário de Desenvolvimento Regional e Gestão Pública no Estado. Os eventos estavam associados à Fundação Índigo, o braço de formação política do União Brasil presidido por ACM Neto, com foco em debates administrativos e diretrizes para mandatários e gestores público. Isso no papel. Aliás, a foto de ACM Neto, Alan Rick e Antônio de Rueda, que ilustra a capa deste texto, faz aquela máxima segundo a qual uma imagem vale mais do que mil palavras.

A realidade revela o que está por trás desses senhores e suas aparentes boas intenções: um relatório da PF (Polícia Federal), divulgado nesta quarta-feira (29/9), apontou o candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, como liderança de uma organização criminosa para “obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”.

A menção foi feita em investigação sobre o direcionamento de licitações e fraudes em contratos públicos em Minas Gerais com o grupo de Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. Representantes de Marcos Moura faziam parte da comitiva que levou Alan Rick àquela visita à Itália, lembram?

O documento destaca, com base em registros contidos no celular de Marcos Moura, que, entre agosto e dezembro de 2024, o empresário e ACM Neto conversaram 232 vezes, “dados que reforçam a intensa relação entre os dois”.

Aliás, ACM Neto e outras 24 pessoas foram indiciados pela Polícia Federal no âmbito da investigação que apura desvio de dinheiro público na destinação de emendas parlamentares. Os delegados estimam que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos.

“Ao analisarmos todo o conjunto probatório reunido nas oito fases da Operação Overclean, conclui-se que ACM Neto exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”, mostra o documento sigiloso.

A investigação aponta que a organização criminosa atuou para obter vantagem econômica a partir de contratações fraudulentas e superfaturadas pela prefeitura de Belo Horizonte, envolvendo “movimentações atípicas de dinheiro em espécie transportado em malas de viagens em aeronaves fretadas”.

Segundo a Polícia Federal, o objetivo seria fraudar processos de contratações públicas promovidos pela pasta municipal da Educação entre abril de 2024 e abril de 2025. O processo teria ocorrido pela infiltração de integrantes do grupo na gestão municipal para promover licitações fraudulentas e contratações dirigidas a pelo menos seis empresas fornecedoras de materiais e serviços.

“Com o fim do mandato de ACM Neto na prefeitura de Salvador, e a partir de 2024, a organização criminosa ampliou sua área de atuação para a capital mineira mediante a ocupação dos seus integrantes em pontos chave da administração municipal”, ressaltou

Paulo Gonet confirma existência de provas de organização criminosam- O procurador-geral da República, Paulo Gonet, concordou com a representação da Polícia Federal em parecer enviado no início de fevereiro ao ministro Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal). Gonet afirmou em sua manifestação que os elementos levantados pelos investigadores são consistentes quanto à materialidade e à autoria delitiva e que há fortes elementos que apontam suas participações na organização criminosa.

O procurador-geral sustentou que uma nova operação era imprescindível diante da possibilidade de avanço da investigação por meio da obtenção de armas, munições, documentos, anotações, registros, mídias, aparelhos eletrônicos e demais dispositivos de armazenamento de dados.

Gonet afirmou que, mesmo que haja investigados que já foram alvos de operações passadas, a representação da PF trouxe elementos que indicam que a organização criminosa se manteve atuante mesmo após as primeiras fases da Overclean.

A Polícia Federal solicitou ao ministro busca e apreensão contra o candidato ao governo baiano sob o argumento de que ACM Neto foi responsável por infiltrar membros da organização criminosa na gestão da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de Belo Horizonte.

Os delegados também pleitearam ao ministro o bloqueio de bens e valores do candidato de até R$ 77,8 milhões – soma dos pagamentos efetivados nos três contratos celebrados, de acordo com os investigadores.

Lobista disfarçado de estadista – Nunes Marques autorizou a operação, mas rejeitou o pedido feito pela Polícia Federal, contrariando os investigadores e o parecer de Paulo Gonet. O ministro concluiu não haver indícios suficientes nos elementos trazidos pela PF que justificassem a autorização das medidas solicitadas contra ACM Neto.

O magistrado autorizou medidas mais gravosas contra auxiliares e assessores com o objetivo de colher provas que pudessem eventualmente corroborar as suspeitas dos investigadores. O entendimento do ministro já havia sido adotado contra outros investigados.

Em nota, a assessoria de imprensa de ACM Neto afirmou que há uma clara “tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas”.

Segundo a equipe do candidato, o objetivo é, através de vazamentos seletivos, associar o nome do político a situações com as quais ele não teve envolvimento. “Trata-se de uma nova tentativa de influenciar na eleição estadual da Bahia”, ressaltou a nota.

No Acre, certamente confiando no desinteresse do eleitor local em assuntos de âmbito nacional, Alan Rick e sua assessoria fazem cara de paisagem sobre o assunto, Quem está envolvido até a medula nesses escândalos finge que o caso não lhes diz respeito e que o |Acre está fora disso. Está até o momento porque gente como Alan Rick está fora do Governo. Caso o senador seja eleito governador, no dia seguinte, ACM Neto e o Rei do Lixo estariam por aqui em busca de fazer o mesmo o que agora é denunciado pela PF em Salvador e Belo Horizonte.

O eleitor precisa livrar o Acre desta gente. E desta imundície disfarçada de interesse público e desses lobistas do lixo disfarçados de estadistas.

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