O eleitor que consulta o agregador Inteligov/EXAME para a disputa pelo governo do Acre encontra uma aparente contradição: a página informa que foi atualizada em 25 de setembro e mostra Alan Rick com 34,30%, à frente de Mailza, com 26,99%. Na metodologia publicada na própria página, porém, a EXAME afirma que o cálculo reúne pesquisas disponíveis somente até o meio-dia de 21 de setembro. A data de atualização do painel, portanto, não significa que ele reflita todas as pesquisas divulgadas até o dia 25.
A diferença é decisiva na reta final da eleição. A pesquisa Quaest encomendada pela Rede Amazônica e divulgada em 25 de setembro apontou Mailza com 36% e Alan Rick com 28%. Como foi publicada depois do horário limite informado na metodologia do agregador, ela não está contemplada naquela consolidação. Apresentar os percentuais do painel como se fossem o retrato mais recente da disputa pode levar o eleitor a uma conclusão diferente da indicada por essa pesquisa posterior.
O agregador também não é uma nova pesquisa eleitoral. Ele não entrevistou eleitores para chegar aos percentuais exibidos. Seu modelo calcula uma média ponderada de levantamentos anteriores, atribuindo pesos conforme o método de coleta e a idade de cada resultado. A cada quinzena, uma pesquisa perde 25% de seu peso, mas continua a influenciar o índice.
Isso não torna o agregador inválido: ele serve para acompanhar uma tendência calculada a partir do conjunto de pesquisas que incorpora. Mas seus números precisam ser identificados pelo que são, com a data limite dos dados à vista. Colocar que um candidato aparece na frente, neste momento, a partir do agregador, é uma descrição enganosa.
O correto é informar que uma média de pesquisas anteriores exibida pelo agregador aponta essa posição, enquanto a Quaest divulgada posteriormente mostra Mailza na liderança. A própria metodologia do painel ressalva que suas análises são indicativas e não constituem previsão definitiva do resultado eleitoral.
