
Professor Genivaldo Vieira, de Plácido de Castro, e Nésio Mendes, ao lado do então deputado Alan Rick, acusam o candidato a governador de fraude à Justiça Elewitoral
Uma semana já se passou desde o início da propaganda eleitoral gratuita do horário eleitoral no rádio e na televisão e o senador Alan Rick, candidato a governador do Acre pela coligação liderada pelo Republicano, ainda não explicou como se deu a evolução exponencial de seu patrimonial. Em 2014, quando se candidatou a primeira vez ao cargo de deputado federal, o então apresentador de TV Alan Rick, que se declara jornalista, disse à Justiça Eleitoral ser dono de um patrimônio, entre um apartamento, um terreno e um veículo, na ordem de R$ 350 mil. 12 anos depois, já eleito senador, ao registrar sua candidatura a governador, o mesmo Alan Rick declarou à mesma Justiça Eleitoral ser dono de um patrimônio de R$ 5 milhões e 250 mil, entre imóveis, terrenos, aplicações financeiras, fundos de investimento, um veículo Volkswagen Tiguan Allspace R Line avaliado em R$ 185 mil e um apartamento no valor de R$ 500 mil. Também constavam aplicações em renda fixa superiores a R$ 691 mil e investimentos em fundos. A lista inclui aplicações financeiras, fundos de investimento, títulos de renda fixa, certificados de recebíveis do agronegócio, imóvel residencial, veículo e valores em conta bancária. Entre os bens de maior valor estão um imóvel residencial declarado em R$ 1,319 milhão, um fundo de investimento em infraestrutura avaliado em R$ 800 mil, um fundo de investimento da Caixa Econômica Federal no valor de R$ 999,6 mil e uma aplicação de renda fixa de R$ 573,1 mil.
Isso tudo sem acertar na Mega-Sena ou receber qualquer tipo de herança.
É sobre esse tipo de mágica operada pelo político para aumentar a própria riqueza que intriga gente, como, por exemplo, o professor Genivaldo Vieira, morador de Plácido de Castro, e Nésio Mendes, ex-morador de Acrelândia e atualmente vivendo em Rio Branco. Os dois estão arrolados na ação penal eleitoral de número 600549-.2020.6.01.0009, a qual tem como indiciados Alan Rick e sua esposa Michele Miranda e que tramita na 9ª Zona Eleitoral mas desde 2018 dorme placidamente nos escaninhos do juiz Gustavo Sirena, sem que ele ou o procurador da República com assento no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) ou outro promotor de Justiça Eleitoral se manifeste sobre o assunto. O processo, aliás, tramita em segredo de Justiça em nível 2.
Os dois homens são citados no processo e inclusive já depuseram no feito por vídeo conferência porque apareceram na prestação de contas do DEM, partido originário do antigo PFL, já extinto e do qual na época era presidente o então deputada e candidato à reeleição Alan Rick. Sua esposa Michele Miranda era a tesoureira da sigla e por isso é suspeita de ter desviado pelo menos R$ 240 mil do Fundo Especial Partidário. Os recursos públicos deveriam ir para a campanha da soldado da Polícia Militar do Acre (PMAC) Sonia de Fátima Silva Alves, que foi apontada em uma investigação da Polícia Federal (PF) como a candidata “laranja” com o voto mais caro do país nas eleições de 2018. Ou seja, em suas contas de campanha entraram pelo menos R$ 240 mil do Fundo Especial Partidário, dinheiro público – portanto, mas a candidata a deputada estadual só teve seis (meia dúzia) de votos, naquilo que foi definido pela Polícia Federal como um caso em que Sonia foi lançada pelo partido DEM (Democratas) no Acre para preencher a cota feminina, mas funcionou como uma candidatura de fachada para desviar recursos públicos de campanha, com o CPF da senhora Michele Miranda, numa operação ilegal comandada por seu marido Alan Rick.
É aqui que entram na história Genivaldo Vieira, aquele morador de Plácido de Castro, e Nésio Mendes, o ex-morador de Acrelândia. Ambos apareceram, com seus nomes e respectivos CPFs, na prestação de contas do DEM, assinada por Alan Rick e Michele Miranda, como prestadores de serviços para a campanha de Sonia de Fátima, uma candidata que eles disseram nunca ter visto. Ambos acusam Alan Rick e sua esposa de terem utilizados documentos falsos e até de falsificarem suas assinaturas em contratos que nunca existiram numa prestação de contas falsas do DEM à Justiça Eleitoral.
“Mesmo com a imprensa divulgado isso de forma insistente, o casal não deu resposta alguma”, questiona Nésio Mendes. “Eu exijo que o Alan Rick prove que a assinatura que está lá nos documentos do processo seja minha”, disse, por sua vez, o professor Genildo Vieira.
Contando com a impunidade e com a inação da Justiça Eleitoral no caso, Alan Rick toca sua campanha a governador posando de pastor, bom moço e de pai de família honrado. No último programa eleitoral, envergando blusas em tom amarelo e da Seleção Brasileira para lembrar o bolsonarismo do qual já não falam, o casal Alan e Michel (na foto com camisas da Seleção Brasileira para lembrar o bolsonarismo, usando uma criança de colo para reforçarem a imagem de família sem falcatruas), como atores canastrões, utilizando inclusive o filho do casal num filme tosco na propaganda eleitoral na qual a mulher tece loas ao marido dizendo que ele tem a péssima mania de trabalhar demais – numa clara tentativa de justificar a elevação meteórica do patrimônio de ambos.
Michele Miranda, a mulher que quase foi presa por causa das falcatruas do marido, só esqueceu de dizer que Alan Rick tem outra péssima mania: a de mentir e fraudar documentos para engar inclusive a Justiça Eleitoral.
