O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou do Inquérito das Fake News, nesta sexta-feira (4/9), o pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigar o colega André Mendonça e submeteu o caso à presidência, comandada por ele.
No mesmo despacho, o presidente da Corte deu 5 dias úteis para Mendonça e a Procuradoria-Geral da República (PGR) elaborarem um parecer sobre as alegações de Moraes.
O Inquérito das Fake News completou, em 2026, sete anos e é alvo frequente de críticas pela demora em se encerrar o caso e por acusações de supostas violações à liberdade de expressão. O inquérito corre em sigilo desde sua instauração; por isso, o número completo de investigados e crimes envolvidos não é de conhecimento público.
Após sucessivas prorrogações, a investigação segue aberta por prazo indefinido.
Para Moraes, ao determinar investigações nos casos das mensagens de Daniel Vorcaro, do Banco Master, Mendonça favoreceu determinados grupo políticos.
O magistrado o acusa de usurpação da direção das investigações das autoridades policiais.
O ministro ainda diz que o colega conduziu irregularmente as tratativas de eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro, com direcionamento de determinados alvos para investigação (ministro Alexandre de Moraes e senador Davi Alcolumbre), por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela Polícia Federal.
Relatório usado por Moraes não tem valor probatório – Ao fazer as acusações contra o colega André Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes se baseou em um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) sem valor probatório.
O documento da corporação classifica suas próprias análises com grau de confiança “baixo” ou “moderado”, mas, na decisão de Moraes, tais hipóteses foram tratadas como fatos consumados na conduta do magistrado.
“Malas de dinheiro” – Em delação, operador de Vorcaro diz ter vídeos entregando malas de dinheiro. Em sua proposta de delação premiada, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, do staff de Daniel Vorcaro, disse à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter vídeos que mostram entregas de malas de dinheiro a emissários definidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Conhecido como Mineiro, Freixo é dono da “Entre Investimentos”, empresa usada por Vorcaro em seus esquemas. O empresário fechou um acordo de delação com a PGR, que remeteu o caso para o ministro do STF André Mendonça decidir se homologa ou não.
Na proposta de delação, o empresário admitiu que era o responsável por entregar dinheiro vivo a emissários de Vorcaro. Ele chegou a citar um ex-ministro de Jair Bolsonaro como um dos receptores das malas de dinheiro — e disse ter vídeos.
Na proposta de delação, o empresário admite ter sido o responsável por repassar o dinheiro prometido por Vorcaro ao filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro. O patrocínio foi negociado pelo banqueiro com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Aos investigadores, o empresário disse que não sabia o destino efetivo dos recursos que gerou para Vorcaro, entre eles, o destinado ao filme de Bolsonaro. O dinheiro foi enviado a um fundo nos Estados Unidos gerido por um advogado aliado de Eduardo Bolsonaro.
Um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça deve ouvir o empresário na terça-feira (8/9). O objetivo será questionar se ele fez a delação premiada de forma espontânea.
