O delegado Remullo Diniz, responsável pela operação realizada nesta quarta-feira (16/9) contra pessoas apontadas como próximas à campanha da governadora Mailza Assis, é um velho militante da candidatura de Alan Rick redes sociais desde a pré-campanha. Registros mostram o policial defendendo publicamente o senador, interagindo com suas publicações e atacando uma decisão judicial que determinou a retirada de outdoors irregulares do então pré-candidato.
Lotado em Sena Madureira, Diniz deslocou-se para conduzir diligências em sete endereços de Rio Branco. A combinação entre a atuação fora de seu município e as manifestações políticas anteriores levanta questionamentos sobre a imparcialidade da investigação e exige que a Diretoria de Polícia Civil esclareça os critérios utilizados para colocá-lo à frente do caso.
Em uma publicação sobre a decisão da Justiça Eleitoral contra os outdoors de Alan Rick, o delegado marcou o perfil do senador e classificou a medida como censura, perseguição e abuso de poder político. “O senador @alanrickm está com mandato de senador ativo, da mesma forma que a governadora @mailza.acre. Limitar divulgação de projetos e ações de mandato de um e liberar do outro não pega bem. Vivemos num país democrático e a lei deverá servir para todos. Lógico que deverá ser observado, para todos, qualquer eventual excesso. Ações como essa são inadmissíveis e um exemplo de censura, perseguição e até abuso do poder político. Vamos trabalhar de forma justa”, escreveu o delegado arvorando-se como “ombudsman” das decisões tomadas pela Justiça Eleitoral.
Outros registros mostram o perfil do delegado curtindo publicações de Alan Rick durante a pré-campanha. As interações revelam que a autoridade responsável pela operação já havia tomado posição pública em favor de um dos candidatos diretamente interessados na repercussão eleitoral da investigação.
Os questionamentos surgem no momento em que Mailza denuncia uma ofensiva digital contra sua candidatura. Mais de 50 perfis já foram informados à Justiça Eleitoral. No processo nº 0601041-09.2026.6.01.0000, a defesa apontou indícios de atuação coordenada de 47 contas que repetiam ataques contra Mailza e mensagens em defesa de Alan Rick.
Outra investigação, registrada sob o nº 0600634-03.2026.6.01.0000, identificou a conexão utilizada na administração do perfil anônimo @noticiasrbac, posteriormente rebatizado como @eusou10manim. A conta atacava Mailza e promovia Alan Rick. Dados da Meta e da operadora Claro apontaram Priscila Cordeiro Lima, que aparece em registros ao lado do candidato, como responsável pela conexão. O perfil foi retirado do ar no curso da apuração.
Alan Rick foi comunicado sobre a propaganda irregular publicada em seu benefício, mas, conforme os autos, não respondeu nem repudiou as postagens. Até agora, a rede de mais de 50 perfis denunciados pela campanha de Mailza não foi alvo de uma operação com a mesma exposição pública.
Mailza afirmou que ela e sua campanha não produziram, autorizaram ou validaram qualquer conteúdo anônimo ou ofensivo. A candidata condenou essas práticas, das quais vem sendo vítima, colocou-se à disposição das autoridades e defendeu que todos os casos sejam investigados com o mesmo rigor.
As manifestações anteriores de Rêmullo Diniz não anulam automaticamente os atos da investigação, mas colocam sob dúvida a necessária isenção de quem a conduziu. Cabe agora à Polícia Civil explicar por que um delegado de Sena Madureira, com histórico público de militância em favor de Alan Rick foi escolhido para comandar uma operação em Rio Branco com repercussão direta na disputa pelo Governo do Acre.
Delegado de Polícia com ligações com o Comando Vermelho – O delegado é o mesmo que, por ordem Justiça do Acre, que, na condição de secretário de Estado da Polícia Civil, foi afastado do cargo depois de ter uma série de crimes supostamente praticados por ele, em 2019. Dentre os crimes atribuídos ao delegado estão a ligação com um policial acusado de ser integrante do CV (Comando Vermelho).
O nome de Diniz apareceu em investigações da própria Polícia, iniciadas em 2018. As investigações visavam desarticular ações criminosas praticadas pelo CV no Acre. Interceptações telefônicas apontaram para supostos crimes de falsidade ideológica em boletins de ocorrência, prevaricação, violação de sigiloInterceptações telefônicas apontaram para supostos crimes de falsidade ideológica em boletins de ocorrência, prevaricação, violação de sigilo profissional, formação de quadrilha, abuso de autoridade e fraude processual.
