“Eu vim de graça”, cantam apoiadores de Alan Rick durante atos eleitorais. A prestação de contas da candidatura, porém, registra 147 pagamentos individuais no valor de R$ 1.621, que juntos somam R$ 238.287. Os lançamentos constam no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral. Todos apresentam o mesmo valor e um único registro para cada beneficiário, indicando uma contratação organizada de pessoal para atuação na campanha.
A informação expõe uma contradição entre a narrativa construída nos eventos e os gastos eleitorais declarados. Enquanto a música apresenta a mobilização como espontânea e gratuita, a candidatura mantém uma estrutura remunerada para ocupar as ruas e participar das atividades de campanha.
A contratação de militantes é permitida pela legislação eleitoral, desde que os serviços sejam prestados e corretamente declarados. O questionamento, portanto, não está no pagamento, mas no contraste entre a propaganda do voluntariado e a existência de centenas de milhares de reais destinados a pessoas que trabalham para a candidatura.
Os registros também não permitem afirmar que todos os presentes nos atos de Alan são remunerados. Eles comprovam, contudo, que pelo menos 147 pessoas receberam valores idênticos da campanha. Os dados são parciais e ainda podem aumentar até a apresentação das contas finais.
