Homem que se passava por advogado, jornalista e perito criminal volta ao xadrez como estelionatário que vivia de aplicar golpes em idosos

João Valbecir Barbosa, de 57 anos, cumpriu pena por assassinato e, colocado em liberdade, passou a ser estelionatário como “Dr. João”

Pela terceira vez em pouco espaço de tempo, o homem apontado pela Polícia Civil do Acre (PCAC) como  estelionatário contumaz voltou a ser preso em Rio Branco. João Valbecir Barbosa, de 57 anos, o “Dr. João”, que já foi cumpriu pena na penitenciária de Rio Branco por assassinato, voltou a ser capturado na manhã desta quarta-feira (6/7), enquanto dormia num bem montado e confortável apartamento no bairro Bosque. A prisão ocorreu horas após a Justiça atender pedido de prisão preventiva formulado pela PCAC.

A nova prisão reacende um questionamento recorrente em casos assim: como um investigado que já havia sido preso por fraudes semelhantes em 2016 e novamente em 2023 conseguiu, segundo a polícia, continuar fazendo vítimas e aperfeiçoando o mesmo esquema criminoso?

O pedido que resultou em sua nova prisão foi apresentado pelo delegado Karlesson Nespoli depois que investigadores ouviram a mais recente vítima atribuída ao suspeito: uma idosa de 75 anos que relatou ter sido enganada por um homem que se apresentava como advogado, perito criminal e jornalista. Apresentando documentos que dizia serem autênticos, o falsário acabou por conquistar a confiança da idosa.

João, interpretando um personagem que se apresentava como “Dr. João”, prometia resolver processos judiciais e facilitar demandas perante os tribunais. Utilizando uma identidade profissional como advogado a qual, conforme a polícia, era falsa, conseguiu convencer a vítima a lhe conceder uma procuração com amplos poderes para administrar sua vida financeira.

A partir desse documento, de acordo com a Polícia Civil, o investigado passou a agir livremente. Comprou móveis e diversos produtos de alto valor nas Lojas Gazin em nome da idosa, sem autorização dela, e jamais apresentou qualquer comprovação dos serviços advocatícios que dizia prestar.

A fraude só veio à tona porque os filhos da vítima desconfiaram da movimentação financeira. Eles procuraram um cartório de títulos e documentos em Rio Branco e conseguiram cancelar a procuração antes que novos prejuízos fossem causados. Ainda assim, o dano financeiro já estava consolidado.

Mas o prejuízo não foi apenas patrimonial. O caso também deixou marcas emocionais profundas. Segundo familiares, o medo foi tamanho que a idosa precisou deixar o Acre e permanecer por cinco meses em outro estado sob os cuidados de parentes. O receio aumentou quando João Valbecir passou a residir na mesma rua da vítima, a poucos metros de sua casa.

Para o delegado Karlesson Nespoli, o caso revela um padrão de atuação reiterado. O histórico criminal do investigado foi determinante para fundamentar o novo pedido de prisão, já que ele havia sido preso em 2023 justamente por aplicar golpes semelhantes.

Na ocasião, conforme a Polícia Civil, João utilizava uniforme completo, distintivo e identificação falsificados de perito criminal para convencer clientes a contratar supostos serviços periciais particulares. Os investigadores afirmam que ele cobrava entre R$ 1,5 mil e R$ 3,5 mil pelos serviços, recebia os valores e jamais entregava qualquer laudo técnico.

O histórico, porém, é ainda mais antigo. Em 2016, ele já havia sido preso utilizando uma carteira funcional falsa da Polícia Civil. Desde então, segundo as investigações, o modo de agir nunca mudou: assumir identidades profissionais de prestígio para conquistar a confiança das vítimas e obter vantagens financeiras.

A sucessão de prisões levanta dúvidas sobre a efetividade das medidas adotadas anteriormente para impedir que o investigado voltasse às ruas e continuasse, segundo a polícia, a fazer novas vítimas.

As investigações continuam porque a Polícia Civil acredita que outras pessoas possam ter sido enganadas pelo mesmo esquema. A corporação orienta qualquer possível vítima a procurar imediatamente uma delegacia para registrar ocorrência.

Fraudes em pensões no Maria Ires – Enquanto isso, os familiares da idosa tentam reverter parte dos prejuízos. Eles buscam recuperar os móveis adquiridos em nome dela e cobrar aproximadamente um ano de aluguéis que, segundo afirmam, deixaram de ser pagos pelo investigado.

No Residencial Maria Ires, no bairro Floresta Sul, em Rio Branco, pequenos comerciantes, donos de pensões e lanches, além de pelo menos um proprietário de imóvel, querem receber por aluguel e comida que o tal “Dr. João” comprou, comeu e não pagou. No mesmo bairro, o dono da casa onde o acusado morou de aluguel, além de não receber pelos valores contratados, ainda ficou sabendo que o inquilino dizia à vizinhança que havia comprado o imóvel.

Uma das fachadas utilizadas por João Valbecir Barbosa para conquistar a confiança de suas vítimas, ao se apresentar como advogado, ruiu esta tarde. Após consulta à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Acre, a instituição confirmou que o homem preso nesta quarta-feira por estelionato jamais teve inscrição na advocacia.

A informação foi confirmada após uma pesquisa no sistema integrado nacional da entidade, que reúne os registros de todas as seccionais do país. O resultado foi categórico: João Valbecir Barbosa nunca integrou os quadros da OAB.

A constatação reforça um dos principais pilares da investigação conduzida pelo delegado Karlesson Nespoli. Segundo a Polícia Civil, o investigado fazia da falsa condição de advogado um instrumento para conquistar a confiança das vítimas, principalmente idosos, que acreditavam estar entregando seus problemas judiciais a um profissional legalmente habilitado.

 

 

João Valbecir usa uma caretira de jornalista emitida pela entidade máxima da categoria, a Fenaj. O documento é AUTÊNTICO.;

De acordo com o inquérito, a estratégia era sempre semelhante. João se apresentava como advogado, perito criminal e jornalista, construindo uma imagem de credibilidade para convencer as vítimas a assinarem procurações, entregarem documentos e lhe concederem acesso ao patrimônio.

Para o delegado Karlesson Nespoli, a confirmação da OAB elimina qualquer dúvida sobre uma das principais fraudes atribuídas ao investigado. A inexistência de registro profissional comprova que ele não poderia exercer a advocacia nem representar clientes perante qualquer órgão do Poder Judiciário.

O histórico de João Valbecir, segundo a Polícia Civil, demonstra que a utilização de identidades profissionais falsas não é um episódio isolado, mas um método que se repete há anos. Em 2023, ele foi preso acusado de utilizar uniforme, distintivo e identificação falsificados de perito criminal para vender supostos serviços técnicos que nunca eram entregues. Antes disso, em 2016, já havia sido preso portando uma carteira falsa da Polícia Civil.

As investigações apontam que o investigado escolhia, preferencialmente, pessoas idosas, explorando a confiança e a vulnerabilidade desse público para obter vantagens financeiras.

Com a nova prisão, a Polícia Civil acredita que outras vítimas ainda não identificadas possam procurar as autoridades. A corporação orienta qualquer pessoa que tenha contratado serviços ou realizado negócios com João Valbecir Barbosa a registrar ocorrência, pois o número de lesados pode ser significativamente maior do que o conhecido até agora.

A confirmação oficial da OAB, ao demonstrar que o investigado nunca foi advogado em qualquer estado brasileiro, fortalece o conjunto probatório reunido pela Polícia Civil e desmonta uma das principais identidades utilizadas, segundo as investigações, para aplicar sucessivos golpes ao longo dos últimos ano

O presidente do Sindicato dos JornALISTAS Profissionais do Acre (Sinjac), Luiz Coprdeiro, disse que a carteira da Fenaj (Federação nacional dos Jornalistas|), a entidade de classe máxima dos jornalsditas brasileiras, é autêntica embora não haja quaçquer comprovação de que Joao valbecir tenha tauado como pe4ropfissuional de cxomunicação em algum momento.  De acordo cxom o dirigente, Valbecir se Aproveitou da decis]ap do STF (Suyp´remo Tribunal federal), que derrubou a exigência da apresentação de diploma de formação superior para o exercício profissional.

“Quuando o STF tomou esta decisão houve uma enxurrada de pedidos de registro profissional de jornalistas ao Ministério do Trabalho. Ele conseguiu um desses registros, que é autêntico, junto à Delegacia Regional do Trabalho e, diante do documento, tive que asceitá-lo em nossa entidade de classe e fornecer os documentos necessários”., revelou Cordeiro. “Agora, vamos estudar os mecanismos para anular tais registros, já que nossa entidade foi utilizada por gente dessa estirpe para este tipo de golpe e espero que o STF, através da nossa entidade, reveja essa posição que tanto prejudica a nossa categoria”, acrescentou o sindicalista.

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