**Ministério de Minas e Energia responde se há necessidade de economia de energia no país **
**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro **
Imagine um país onde os relógios ditam não só o tempo, mas o destino da economia. Desde sua criação na Alemanha, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, o horário de verão – que adia os ponteiros do relógio em uma hora no fim do dia de sol – carrega uma aura de mistério e controvérsia.
A tese econômica, defendida por entusiastas, promete economia de energia ao prolongar a luz natural no período de pico de consumo, evitando o desperdício de eletricidade em lâmpadas e ar-condicionados. Bilhões de reais são supostamente poupados, segundo estudos otimistas. Mas e se for uma ilusão? Críticos apontam para o caos nos ritmos biológicos, perdas na produtividade agrícola e até um custo oculto em saúde pública, com picos de infartos logo após a mudança. No Brasil, adotado de forma irregular desde os anos 1930, o mecanismo virou polêmica nacional: gera economia ou apenas confusão? E se, este ano, os relógios voltarem a ser mexidos?
O suspense ganha contornos regionais quando se olha para o mapa do Brasil. No Acre, o fuso horário já impõe naturalmente uma diferença de duas horas em relação aos estados do Sudeste e Sul – um abismo temporal que transforma o amanhecer local em meio-dia alheio. Para os acreanos, o horário de verão não é só uma mudança de ponteiros: é um lembrete de como o tempo pode isolar, complicando voos, negociações e até o café da manhã em família.
Mas, afinal, teremos horário de verão este ano? A resposta veio curta e seca do Ministério de Minas e Energia nesta quinta-feira (18/9): não.
Após especulações inflamadas em portais de internet que davam o retorno como iminente, a pasta negou veementemente qualquer confirmação. “O tema é permanentemente avaliado”, repetiu o comunicado, reafirmando que o sistema elétrico nacional está com “pleno atendimento de energia” projetado até fevereiro de 2026, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O ministro Alexandre Silveira tem sido categórico em entrevistas recentes: o mecanismo só voltaria em caso de “real necessidade”, como uma crise no período seco que sobrecarregasse a demanda em horários de pico. Por ora, com reservatórios estáveis e sem alertas de escassez, os relógios – e o país – seguem no compasso atual. O suspense, pelo menos por enquanto, se dilui na rotina.

