**Brasil registrou queda de 15% nas exportações para os EUA, mas fortaleceu parcerias com a China e outros países **
**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro **
Em um movimento bipartidário que expõe fissuras no apoio republicano ao presidente Donald Trump, senadores americanos apresentaram na quinta-feira (18/9), um projeto de lei para derrubar as tarifas de 50% impostas ao Brasil. Liderado pelo democrata Tim Kaine, de Virginia, e com o apoio surpreendente do republicano Rand Paul, de Kentucky, o texto visa revogar a declaração de emergência nacional de 30 de julho, invocada por Trump sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para justificar as medidas protecionistas.
As tarifas, que se somam a um patamar inicial de 10%, foram motivadas pela insatisfação de Trump com o processo judicial contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, aliado pessoal do republicano, e ameaçam US$ 40 bilhões em importações anuais, incluindo café e suco de laranja essenciais para o consumidor americano.
A iniciativa ganha tração em um Congresso dividido, onde democratas como Chuck Schumer, de Nova York, Jeanne Shaheen, de New Hampshire, e Ron Wyden, do Oregon, unem forças para forçar uma votação rápida no Senado. Os proponentes argumentam que as tarifas não só elevam preços de produtos básicos – como o café brasileiro, que representa quase US$ 2 bilhões em importações e não pode ser cultivado em escala nos EUA – mas também impulsionam a inflação interna e enfraquecem a posição geopolítica americana ao empurrar o Brasil para parcerias com a China.
“Essas tarifas são um imposto disfarçado sobre os americanos comuns e uma interferência inaceitável na soberania judicial brasileira”, declarou Kaine, destacando que o superávit comercial dos EUA com o Brasil atingiu US$ 6,8 bilhões no ano passado, beneficiando exportadores americanos de tecnologia e aeronaves.
Enquanto o projeto avança para análise no Comitê de Finanças do Senado, analistas preveem um embate acirrado com a liderança republicana, que reluta em desafiar Trump abertamente. Apesar de bloqueios anteriores em resoluções semelhantes – como a rejeitada em maio por falta de quórum –, o apoio de Paul, crítico ferrenho das emergências presidenciais, pode mobilizar dissidentes do GOP.
No Brasil, a medida é vista como um alívio potencial para a economia, que já registra queda de 15% nas exportações de commodities para os EUA desde agosto, segundo dados do Ministério da Economia. Se aprovada, a lei não só neutralizaria o “tarifaço” imediato, mas reforçaria mecanismos congressionais para fiscalizar futuras ações unilaterais de Trump, em um ano pré-eleitoral marcado por tensões comerciais

