**Advogado compara o caso de Bolsonaro com o do oficial francês Dreyffus, que abalou o sistema de justiça da França e serve como parâmetro até os dias atuais de injustiça cometida em nome da Justiça**
**Tião Maia, O Aquiri **
No segundo dia do julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e mais sete ex-auxiliares na presidência da República por tentativa de golpe contra a democracia no Brasil, nesta quarta-feira (3/8), pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados de defesa pediram a absolvição do ex-presidente alegando falta de provas. Para a defesa, a absolvição é “imperiosa”, conforme disse, nesta quarta-feira, seu advogado Paulo Cunha Bueno, na última intervenção da defesa antes de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir se o ex-presidente é culpado de tramar um golpe de Estado.
“A absolvição é absolutamente imperiosa para que não tenhamos nossa versão do caso Dreyffus”, afirmou o advogado perante os ministros do STF. O caso Dreyfus foi um escândalo político que dividiu a Terceira República Francesa de 1894 até sua resolução em 1906. “L’Affaire”, como é conhecido em francês, chegou a simbolizar a injustiça moderna no mundo francófon e continua sendo um dos exemplos mais notáveis de um complexo erro judiciário e antissemitismo. O papel da imprensa e da opinião pública influenciou o conflito.
O escândalo começou em dezembro de 1894, quando o capitão Alfred Dreyfus foi condenado por traição. Dreyfus era um oficial da artilharia francesa da Alsácia, de 35 anos, de ascendência judaica. Ele foi condenado à prisão perpétua por supostamente comunicar segredos militares franceses à Embaixada da Alemanha em Paris, e foi preso na Ilha do Diabo na Guiana Francesa, onde passou quase cinco anos.
Enquanto o julgamento é realizado, no Congresso aceleram-se as negociações para incluir a votação de uma anistia na agenda parlamentar, tendo Bolsonaro como eventual beneficiário.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, que sustenta a acusação, a suposta trama golpista incluía um decreto de estado de sítio e um plano para assassinar Lula, seu vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal. O plano não teria avançado devido à falta de apoio da cúpula militar.
A acusação também aponta Bolsonaro como suposto instigador do atos em 8 de janeiro de 2023, quando milhares de seus apoiadores vandalizaram as sedes dos Três Poderes em Brasília para tentar derrubar Lula, empossado uma semana antes.

