Preço de aluguéis residenciais volta a subir acima da inflação em todo o país

**É o que revela pesquisa feita em 36 cidades brasileiras e registram altas acima da inflação**

**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro**

As agruras do seu Madruga, aquele que deve 14 aluguéis a Senhor Barriga, personagem do seria da TV mexicana que invadiu o Brasil através da tela do SBT, pode deixar de ser uma paisagem engraçada da ficção para uma realidade nua e crua de muitos brasileiros que não têm casa própria. É que o preço dos aluguéis no o país continua a subir.

Os preços dos aluguéis residenciais no Brasil voltaram a acelerar em agosto, registrando uma alta média de 0,66%, segundo o Índice FipeZap divulgado nesta terça-feira (16/9), interrompendo uma tendência de desaceleração observada nos três meses anteriores. A pesquisa, que monitora 36 cidades em todo o país, revela um mercado ainda aquecido, com o avanço superando não só a inflação oficial medida pelo IPCA (-0,11%), mas também o IGP-M (+0,36%), indicadores usados para correção de contratos.

Analistas apontam para uma combinação de fatores, como a escassez de oferta em centros urbanos e a demanda reprimida por moradias acessíveis, que pressionam os locatários em um cenário de juros elevados e instabilidade econômica.

Comparado aos meses precedentes, o resultado de agosto representa um salto significativo: em maio, a variação foi de +0,59%; em junho, +0,51%; e em julho, +0,45%. Das 22 capitais analisadas, 20 registraram aumentos, com destaques para Vitória (+1,55%), Recife (+1,37%) e Aracaju (+1,15%), cidades onde a urbanização acelerada agrava o desequilíbrio entre oferta e procura. No acumulado do ano até agosto, o índice já acumula 6,83%, mais que o dobro da inflação no período (+3,15%), enquanto nos últimos 12 meses o avanço chega a 10,04%, acima do IPCA (+5,13%) e do IGP-M (+3,03%).

Todas as 36 localidades monitoradas mostram alta no acumulado anual, sinalizando uma pressão generalizada sobre o custo de vida das famílias.

O preço médio anunciado por metro quadrado atingiu R$ 49,77 em agosto, com São Paulo liderando o ranking das capitais (R$ 61,69/m²), seguida de perto por Recife e Belém (ambas em R$ 60,65/m²).

Para investidores, a rentabilidade média do aluguel é estimada em 5,94% ao ano, abaixo de aplicações conservadoras como o Tesouro Direto, o que pode desencorajar novos entrantes no mercado e perpetuar a alta. Especialistas da Fipe alertam que, sem políticas públicas para estimular a construção habitacional, como o programa Minha Casa Minha Vida ampliado, o cenário tende a piorar, especialmente para a classe média baixa, que absorve o grosso do impacto.

Diante desse quadro, associações de inquilinos cobram maior regulação de reajustes e incentivos fiscais para locadores que mantenham preços acessíveis. O governo federal, por sua vez, discute medidas para mitigar o encarecimento da habitação, mas analistas preveem que a tendência de alta persista até o fim do ano, agravada pela sazonalidade de fim de ano e migrações internas.

Para os brasileiros que dependem de aluguéis, o índice reforça a necessidade de planejamento financeiro rigoroso, em meio a um mercado que, apesar de aquecido para proprietários, continua desafiador para quem busca lar.

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