Polícia do Rio faz a maior operação contra tráfico de animais; 17 entre 40 suspeitos foram presos

**Ex-deputado estadual TH Joias, ligado ao Comando Vermelho, tinha 4 macacos. **

**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro **

Em uma ação histórica que mobilizou mais de mil agentes em todo o país, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira (16/9) a Operação São Francisco, considerada a maior operação já realizada no Brasil contra o tráfico de animais silvestres, armas e munições.

Coordenada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), com apoio de secretarias estaduais, Ministério Público, Polícia Federal, Ibama e Polícia Rodoviária Federal, a força-tarefa visa desmantelar uma rede criminosa que atua há décadas no estado, explorando a fauna brasileira de forma cruel e armada. Até o momento, 40 mandados de prisão preventiva e 270 de busca e apreensão foram cumpridos em regiões do Rio, São Paulo e Minas Gerais, resultando na captura de pelo menos 17 suspeitos e no resgate de dezenas de animais, muitos em estado crítico de saúde.

A operação ganhou contornos de confronto logo no início, com tiroteios na Zona Norte do Rio, especificamente na Mangueira, onde equipes foram recebidas a tiros ao tentar cumprir mandados. Um dos alvos principais é o ex-deputado estadual TH Joias, já preso em outra investigação por ligações com o tráfico de drogas, que supostamente adquiriu quatro macacos-prego de forma ilegal.

“Identificamos 145 autores envolvidos em uma estrutura complexa, com núcleos especializados em caça, dopagem, transporte e falsificação de documentos”, explicou o delegado André Prates Fraga, da DPMA, destacando que a quadrilha mantinha relações próximas com facções criminosas para vender os animais em feiras clandestinas controladas por elas.

O foco principal da investigação recai sobre um núcleo especializado em primatas, que caçava macacos na Floresta da Tijuca e no Horto Florestal, áreas de preservação ambiental na capital fluminense. Os animais eram capturados de forma brutal, ainda filhotes, dopados com substâncias químicas para o transporte em caixas improvisadas, o que resultava em alto índice de mortalidade antes mesmo da venda. Transportados para centros urbanos, os bichos eram comercializados ilegalmente por valores exorbitantes, alimentando uma cadeia de maus-tratos que ameaça a biodiversidade nacional.

“A população precisa entender que comprar um animal silvestre em feiras clandestinas financia toda essa crueldade”, alertou o secretário de Meio Ambiente do Rio, Bernardo Rossi.

Para apoiar o resgate, uma base emergencial foi montada na Cidade da Polícia, onde os animais recebem atendimento veterinário e avaliação pericial antes de serem encaminhados a centros de triagem para reabilitação e possível reintrodução à natureza.

O governador Cláudio Castro classificou a operação como uma resposta firme do governo contra crimes que destroem a fauna e fomentam a violência. Especialistas em conservação ambiental elogiaram a escala da ação, mas cobram medidas preventivas de longo prazo, como maior fiscalização em fronteiras e educação ambiental. Com a operação em andamento, autoridades esperam mais prisões e apreensões nas próximas horas, reforçando o compromisso com a proteção da vida silvestre brasileira.

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