Ninhos de Elefante e Condomínios em Marte

**Por Chico Araújo **

É investigação para cá, operação policial para lá, CPIs, denúncias e um desfile de falácias que enchem os noticiários, mas quem paga a conta é sempre o contribuinte. Ele sustenta a Viúva — o Estado, essa máquina voraz de impostos, taxas e mais taxas —, enquanto a gastança dos Poderes da República segue intocada. Segurança pública? Um sonho distante. Saúde e educação? Promessas de palanque. E os próceres da política? Alguns dizem que fazem muito. Muito o quê? Postagens no X, hashtags brilhando para caçar cliques e discursos que não enchem barriga. O povo, coitado, só quer um prato de comida, pagar as contas de luz, água e cartão de crédito. Mas, na política, o que reina é o FEBEAPÁ — o Festival de Besteira que Assola o País.

No Brasil de hoje, onde o blá-blá-blá é a trilha sonora da palhaçada nacional, um amigo meu, especialista em desmascarar vigarices tupiniquins, me contou um “causo” que é a cara do nosso tempo. Um picareta tão genial que vendia ninhos de elefante e convencia otários a comprarem filhotes como se fossem pechinchas de camelô. Vendo os palhaços da política na TV e no X, quase engulo essa lorota. A sofisma, essa dança cínica de argumentos furados, está tão afiada que esses salafrários te vendem terrenos em Marte, apartamentos na Lua ou até te fazem jurar que água é fake news. É o circo da picaretagem, onde o contribuinte paga o ingresso e sai com o bolso furado.

O FEBEAPÁ, criação debochada de Stanislaw Ponte Preta, o brilhante Sérgio Porto, nunca esteve tão em alta. Esses “gajos”, como meu amigo chama os sem-vergonha de plantão, têm uma lábia que humilha qualquer vigarista. Juram que Jorge Amado era analfabeto disfarçado, que o Barão de Mauá, o gigante Irineu Evangelista, nunca existiu, que não fundou bancos, nem ferrovias, nem fez o Brasil sonhar grande. Chegam a dizer que Mauá, menino, não comprou ações do Banco do Brasil nem perfurou poços de petróleo com o suor do seu gênio. É uma enxurrada de lorotas que faz o palerma acreditar que é um ET perdido ou um holograma com defeito.

E nessa feira de absurdos, os azêmolas — esses palermas com pose de estadista e miolo oco — seguem reinando. Te convencem que o céu é verde, que o sol é quadrado e que o Brasil é uma potência porque alguém tuitou um emoji de foguete. Mas sabe o que é pior? A gente ri, xinga, mas às vezes engole o conto. Chega disso! Que tal usarmos nossa malícia brasileira, esse jeitinho afiado, para desmascarar a trupe? Rir dos ninhos de elefante, debochar dos condomínios marcianos e cobrar um Brasil onde a verdade, não a lorota, dê as cartas.

Enquanto os “gajos” desfilam bravatas, o povo batalha por um emprego, uma escola decente, um hospital que funcione. O script é velho: promessas viram piada, escândalos viram pizza, e o contribuinte paga o banquete. Mas e se virarmos o jogo? Se, em vez de comprar lotes na Lua, exigirmos asfalto na rua, luz na favela, futuro na mesa? O FEBEAPÁ é um circo, mas o picadeiro é nosso, e a palhaçada não precisa ser eterna. Vamos rir dos vigaristas, mas, mais que isso, construir um Brasil onde o imposto vire serviço, o discurso vire ação e a verdade volte a mandar.

E vem 2026, ano de eleição, e lá estarão eles, com a cara mais lavada que nunca — quem sabe lustrada com óleo de peroba — caçando votos como se fossem salvadores da pátria. Prometem tudo: do asfaltamento de crateras lunares à creche para filhotes de elefante. Sorriem, abraçam, postam no X selfies com o povo que, na véspera, ignoraram. É a temporada de caça ao cargo, onde os “gajos” reciclam as mesmas lorotas, só mudam o figurino. Mas o eleitor, esse eterno otário, pode mudar o enredo: que tal mandar esses vendedores de ilusão de volta pro circo?

Porque, no fundo, o que cansa é o eterno retorno da palhaçada: promessas que viram memes, escândalos que viram poeira, e o contribuinte arcando com o prejuízo. Esses azêmolas posam de heróis, mas são doutores em salvar o próprio bolso, enquanto o povo mendiga saúde, segurança e um pingo de dignidade. Então, que nossa ironia seja o chicote, nosso deboche, o megafone. Vamos desmascarar quem vende ninhos de elefante e exigir um Brasil que não seja só um palco de lorotas, mas um lugar onde o imposto vire progresso e a verdade tenha vez.

Chega de comprar terrenos em Marte! Vamos sonhar com um país que funcione, onde o hospital não seja um conto de fadas e a escola não seja um elefante branco. Se os “gajos” querem nos convencer que somos hologramas, que tal provarmos que somos de carne, osso e indignação? Em 2026, que o voto não seja um cheque em branco, mas um recado: fora os vigaristas, dentro a verdade. Se Marte já tem “condomínio”, que o Brasil tenha futuro — e que o FEBEAPÁ, enfim, feche as cortinas.

(*) Chico Araújo é advogado e jornalista, autor de “Quando Convivi com os Ratos” (Editora Social, 2024) e “Sombras do Poder: As Vísceras da Corrupção no Acre na Operação Ptolomeu” (Editora Social, 2025). Para exemplares autografados, contate o autor: WhatsApp (61) 98327-7470

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