**Tião Maia, O Aquiri **
A chamada “Tranca”, em Epitaciolândia e a ponte “Wilson Pinheiro”, sobre o rio Acre, no interior do Estado, estarão fechadas, neste domingo (17), para veículos e pedestres, para o acesso a Bolívia. O país andino, com o qual o Brasil detém sua maior fronteira terrestre, que se estende por 3.423,2 km, a mais longa entre os países da América do Sul, estará fechado para visitantes porque vai às urnas em eleições para presidência da República. A fronteira do país com Rondônia, na região do rio Guaporé, em Guajará-Mirim, também estará fechada e turistas não podem acessar cidade gêmea do outro lado do rio Mamor, Guayaramerín.
A Bolívia foi governada por doze anos – em três mandatos, de 2006 a 2018, pelo indígena cocaleiro Evo Morales, que professa posições ideológicas à esquerda. Ele está impedido de participar da eleição de domingo e vive refugiado na floresta, já que tem mandados de prisão em aberto. Com isso, vão às urnas apenas candidatos de direita e tendências apontam que o partido fundado por Evo Morales pode deixar o poder pela primeira vez em duas décadas
Evo Morales vive hoje em reclusão em um complexo no meio da floresta, cercado por aliados que o protegem de uma eventual prisão. O refúgio fica em Lauca Eñe, a quatro horas de viagem de La Paz, segundo revelou o jornal norte-americano o The New York Times.
Primeiro presidente indígena do país, Morales governou por três mandatos a partir de 2006 e foi peça central na mudança do cenário político boliviano. Sua tentativa de conquistar um quarto mandato, em 2019, terminou em protestos, repressão e uma breve fuga para o exílio.
Atualmente impedido de concorrer novamente pela Justiça, Morales é alvo de um mandado de prisão sob acusação de tráfico humano e de engravidar uma menor de idade, caso que ele classifica como motivado politicamente. Ainda assim, mantém apoio em setores do Movimento ao Socialismo (MAS) e em áreas rurais, onde continua visto como símbolo de inclusão social.
Na disputa eleitoral marcada para este domingo, o atual presidente Luis Arce não busca reeleição. O Senado é representado pelo esquerdista Andrónico Rodríguez, que concorre contra Samuel Doria Medina, de centro-direita, e o ex-presidente conservador Jorge “Tuto” Quiroga.
De seu enclave, Morales pediu que seus apoiadores anulem o voto em protesto. O gesto é visto por antigos aliados como uma manobra que pode favorecer a oposição de direita. Enquanto isso, segue transmitindo programas de rádio e reforçando que sua liderança é indispensável para o futuro do MAS e do país.

