**Governo Lula diz que situação está controlada.**
**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro **
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), prévia do PIB calculada pelo Banco Central, registrou queda de 0,50% em julho ante junho, marcando a terceira retração consecutiva e superando as expectativas negativas de economistas, que previam apenas -0,2%. Divulgados nesta segunda-feira (15), os dados revelam moderação em todos os setores: agropecuária (-0,8%), indústria (-1,1%) e serviços (-0,2%), sinalizando os efeitos da política monetária apertada sobre o crédito e o consumo.
Na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para terça (16) e quarta (17), o resultado reforça apostas na manutenção da Selic em 15% ao ano, apesar de pressões inflacionárias persistentes. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem enfatizado a necessidade de vigilância, citando um mercado de trabalho ainda robusto – com taxa de desemprego em mínimas históricas –, mas alertando para riscos de desancoragem das expectativas de inflação.
O anúncio oficial dos juros sairá na quarta-feira.
No acumulado do ano, a economia mostra crescimento de 2,9%, mas o segundo trimestre já havia desacelerado para +0,4%, conforme o IBGE. O Ministério da Fazenda revisou sua projeção para o PIB de 2025 para 2,3%, enquanto o Boletim Focus estima 2,16%. Comparado a julho de 2024, o IBC-Br subiu 1,1%, com ganho de 3,5% em 12 meses, mas analistas temem que a sequência de quedas prolongue a estagnação.
Empresários do setor industrial cobram estímulos fiscais, enquanto o governo Lula defende que a moderação é “controlada e esperada”. Com exportações agro em baixa devido a secas, o foco agora é na Black Friday para impulsionar serviços, mas o Copom deve priorizar a estabilidade de preços.

