**Tião Maia, O Aquiri**
Dois acreanos, cujos nomes não foram rebelados, tiveram suas prisões preventivas mantidas pela 3ª Vara Criminal da Justiça Federal no Acre pela acusação de tráfico internacional de pessoas. Os dois levariam mulheres acreanas para servirem como escravas sexuais, atuando na prostituição em Nápoles, cidade costeira localizada no sul da Itália, na região da Campânia, sendo banhada pelo Mar Tirreno e vizinha à famosa Costa Amalfitana, local de atuação da Camorra, maior organização mafiosa da região e originada na região da Campânia. Seus membros influentes são concentrados em Nápoles e Caserta. Este grupo criminoso tem como principal negócio o tráfico de drogas e a prostituição e opera com métodos notoriamente brutais.
O caso envolvendo acreanas na região costeira da Itália passou a ser investigado a partir de denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra pelos menos dois homens envolvidos com o tráfico internacional de pessoas e por obterem lucro com a exploração sexual de mulheres, o chamado rufianismo. Os réus são acusados de terem aliciado e levado brasileiras do Acre para a Itália em 2024, sob falsas promessas de enriquecimento fácil. As vítimas, no entanto, foram submetidas a exploração sexual, ameaças e violência psicológica.
O caso é conduzido atualmente pela Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC) do MPF. Segundo a denúncia, uma das vítimas foi recrutada no Acre e levada à cidade italiana de Nápoles, onde passou a viver sob rígido controle dos réus. Ela era obrigada a entregar cerca de 600 euros por semana aos exploradores, que também gerenciavam anúncios em sites de prostituição, selecionavam os clientes e definiam os valores dos atendimentos. Para convencer as vítimas a viajarem para a Europa, eles alegavam que outras brasileiras já haviam conseguido altos ganhos financeiros.
Segundo consta na ação, os homens alojavam as mulheres e as mantinham sob controle, por meio de fraude, coerção e violência. O MPF também aponta práticas de intimidação e ameaças contra testemunhas e vítimas, na tentativa de silenciar as denúncias.
**Determinações **- Ao receber a denúncia, a 3ª Vara Federal Cível e Criminal de Rio Branco (AC) manteve a prisão preventiva dos dois réus envolvidos diretamente na exploração sexual, além de determinar o sequestro de bens e o bloqueio de valores em contas bancárias dos acusados, no valor total de R$ 1,2 milhão, para garantir o pagamento de indenização às vítimas.
A Justiça também determinou a aplicação de medidas cautelares a um terceiro réu, amigo dos outros, que foi denunciado apenas pelo crime de coação. Ele foi acusado de ameaçar uma das vítimas a não contribuir com a investigação. As medidas aplicadas incluem a proibição de se comunicar ou se aproximar das vítimas, dos outros réus e de testemunhas, bem como sair da localidade onde mora sem comunicar ao juiz.
Com o recebimento da denúncia, todos os investigados passam à condição de réus e serão julgados na Justiça pelos crimes apontados pelo MPF.
**Tráfico de pessoas** – O crime consiste em agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher alguém mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso. O tráfico pode ter como finalidade a remoção de órgãos, submissão a dívidas e condições similares à de escravo, adoção ilegal ou exploração sexual. A pena para quem pratica o crime pode variar de quatro a oito anos de prisão, além de multa, podendo ser aumentada em casos envolvendo menor de idade, parentesco ou retirada da vítima do país. A Justiça Federal no Acre recebeu denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra dois homens por tráfico internacional de pessoas e por obterem lucro com a exploração sexual de mulheres (rufianismo). Os réus são acusados de terem aliciado e levado brasileiras para a Itália em 2024, sob falsas promessas de enriquecimento fácil. As vítimas, no entanto, foram submetidas a exploração sexual, ameaças e violência psicológica.
Vasos de tráfico humano para a Itália é investigado pela Polícia Federal desde 2023, quando foi deflagrada, no Mato Grosso, uma operação contra uma rede de tráfico humano que levava pessoas de diferentes estados do Brasil, incluindo o Acre, para a cidade italiana de Nápoles, onde as vítimas aliciadas passavam a atuar em uma casa de prostituição para pagar dívidas contraídas durante a viagem para o país estrangeiro.

