
Tião Maia
Nunca a política no Acre esteve tão dependente do dinheiro. E não importa se o dinheiro é lícito, o fato é que o poder do vil metal pode decidir as próximas eleições e determinar o futuro do Acre e sua gente. É claro que isso sempre existiu.
Por aqui já passaram candidatos como Said Fahat, em 1982, que queria ser senador com o apoio do último general da ditadura militar, João Figueiredo. Farhat, membro de tradicional família acreana havia abandonado a terrinha, mas naquela campanha voltou cheio do dinheiro e derramou algumas boas quantias em tudo quanto era canto do Acre, mas, ao final da campanha, o eleito foi o médico Mário Maia, que fazia campanha a bordo de uma Brasília velha e usando como propaganda um panfleto com o sugestivo nome de “O Gafanhoto”.
Há, ainda, a história escabrosa do jornalista Antônio Pedreira, que se identificava como o “homem do cachimbo”, o qual, hoje, com uma campanha assim, levaria carreiras dos antitabagistas. Pois bem.
Jornalista com alguma influência em Brasília e dinheiro sabe-se lá de quem, o homem do tal cachimbo decidiu vir ao Acre em busca de um mandato de deputado federal, pela então Arena. Aqui também derramou rios de dinheiro e, ao final da campanha, os eleitos pela Arena foram Nosser Almeida, Amilcar de Queiroz e Wildy Viana, acreanos que, embora tivessem algumas posses, jamais poderiam ser apontados como homens ricos e que tivessem a necessidade de comprar votos.
Como no passado, agora os homens endinheirados que há muito tempo tentam tomar o poder político e administrativo do Acre de assalto na base do vil metal, atendem pelo sobrenome Mendes ou Leite. São os irmãos Rico e Murilo Mendes Leite, os quais, chegados ao Acre na década de 1970, no chamado “boon” dos “paulistas”, quando as terras do Acre, segundo a CPT, foram adquiridas em mais de 40 por cento por pecuaristas do centro sul do país. Conforme os históricos da Comissão Pastoral da Terra (CPT), milhares de hectares de seringais nativos foram adquiridos e desmatados por pecuaristas e empresários do Centro-Sul, impulsionando a pecuária extensiva no Estado, com apoio e incentivos fiscais do governo federal e estadual – exatamente o apoio que faltava e era negado a quem de fato precisava da terra para garantir a sobrevivência e não para ficar rico em outros negócios a partir das fazendas subvencionadas. O governo do Estado impulsionou campanhas de atração de fazendeiros do Sudeste e Sul, oferecendo terras a preços baixos e apostando na integração econômica do Acre ao restante do país, trazendo ao Acre, na esteira dos conflitos, uma reconfiguração fundiária: A transição do extrativismo para a pecuária substituiu a figura do seringalista pela do fazendeiro e concentrou a propriedade rural em latifúndios. Segundo ainda relatório da CPT, a chegada desses novos agentes resultou em forte pressão sobre os seringueiros extrativistas, gerando um histórico de expulsões, grilagem e tensões constantes no campo acreano.Um derramamento de sangue que fez vítimas como Wilson Pìnheiro de Souza, Jesus Matias de Souza, Chico Mendes, Antônio Calado, Ivair Higino e outros. Tudo isso para fazer com que a pecuária se tornasse, aqui, um dos pilares do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, com estimativa de ocupação e conversão de mais de 2 milhões de hectares para pastagens no Estado, tornando cada vez mais aguda a crise que nos abalava desde a ocupação acreana – embora haja um permanente ufanismo de que a pecuária foi a redenção do Acre.
Alheios a isso, os atores deste teatro de horror e miséria, através de suas lideranças mais expressivas, aos poucos foram se aproximando do poder político local, com método, dissimulação e planejamento. Tudo começou nos 20 anos dos governos do PT, os quais, sob o símbolo da tal florestania, também abriram caminho para que os “Paulistas” de antigamente se repaginassem e saíssem dos guetos dos tartesais e feiras agropecuárias para o cento do poder. Já no malfadado governo de Tião Viana, de 2010 a 2018, o nome do empresário Rico Leite, então CEO da faculdade privada Uninorte e outros vultosos empreendimentos, era falado como possível candidato e o próprio empresário era visto com frequencia no gabinete do governador ou em caminhadas pelo Parque do Tucumã ao lado de Jorge Viana.Agora, nos dias, atuais, Rico Leite e seu irmão Murilo siaram das sombras. Tenho informações de que, embora sem terem nenhuma tradição na política local – ou em lugar nenhum -, mas à custa do dinheiro que ganharam nesses anos todos, nos generosos governos do PT, estão prontos para o bote final.
Estão dispostos à comprar mandatos. E que mandatos! E os acreanos, inclusive os que se dizem e se julgam legítimas lideranças da política local, estariam disposto a vender. Tecnicamente, só há compra porque alguém vende, diz o manual do comercio.
É isso que explicaria a cada vez mais ventilada candidatura de Ricco Leite à vice-governadoria de Alan Rick. O dono do Mercale, da Uninorte e de outros diverso empreendimentos milionários para os padrões acreanos, com base em muitos milhões, estaria se articulando para adqurir a vaga de vice-governador de Alan Rick – que a essa altura, face às gordas quantias prometidas, também já pensa em se livrar da emedebista Jéssica Sales, cujo dinheiro não chega nem aos pés das montanhas de cédulas com as quais acenam os irmãos Leite.
E o pré-candidato do Republicanos não estaria só nesta operação. O serelepe Jorge Viana, se jactando de que o Acre o deve a própria reconstrução, agora mais uma vez candidato ao Senado pelo PT, estaria articulando para colocar como seu suplente o irmão mais novo de Rico Leite, Murilo.
No plano deles, vencida as eleições, com Alan Rick governador e Rico Leite de vice e Jorge Viana senador com Murilo Leite de primeiro suplente, às eleições de 2030, para eles, seriam de novo um grande negócio: Alan Rick sairia para o Senado e deixaria o governo com Rico Leite, e de Brasilia Jorge Viana viria para ser candidato a governador, entregando o mandato de senador, por quatro anos, a Murilo Leite. Estaria assim aplicado o plano perfeito que Said Farhat, Antônio Pedreira e outros aventureiros que andaram por aqui não tiveram ousadia de elaborar.
Além de faltar combinar com o eleitor, esses espertos precisam saber que o Acre vive outros tempos, época em que os planos secretos, vêm a público e que há gente, como em todos os tempos na vida acreana, disposta à reação. Os aventureiros não passarão, eles já deviam saber.
