Bolsonaro e seu grupo de mais sete auxiliares já têm dois votos pela condenação por tentativa de golpe

**Alexandre de Moraes e Flávio Dino rechaçam qualquer tipo de perdão ou anistia aos envolvidos; julgamento segue até sexta-feira, 12**

**Tião Maia, O Aquiri **

No primeiro dia da segunda semana do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete de seus cumplices na tentativa fracassada de golpe após às eleições de 2022, nesta terça-feira (9/9), dois dos cinco ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal federal (STF), o relator Alexandre de Moraes e o membro Flávio Dino, votaram pela condenação dos oito acusados. Na verdade, o Dino acompanhou o voto de Moraes.

Em seu voto, o ministro Dino não tratou da dosimetria exata das penas, mas falou sobre maiores e menores culpabilidades. Viu a necessidade de penas maiores para os réus Bolsonaro, Braga Netto, Anderson Torres, Almir Garnier e Mauro Cid, lembrando que ele foi delator do esquema. E considerou que é possível reduzir as penas de Paulo Sérgio Nogueira, Alexandre Ramagem e Augusto Heleno.

Ao se manifestar, Dino começou: “Esse julgamento não é um julgamento das Forças Armadas. Lamentamos que haja pessoas que estão sujeitas a este julgamento, mas não se cuida de julgamento de Forças Armadas”. Avaliou ainda que “não é normal que a cada 20 anos nós tenhamos eventos de tentativa ou de ruptura do tecido constitucional”.

Dino falou em seu voto contra o cabimento de anistia ou indulto a crimes contra a democracia. Ele afirmou que a história do Brasil está repleta de anistias, mas que nenhuma delas foi concebida para beneficiar os “altos do modelo”, ou seja, aqueles que detinham o poder dominante no momento dos crimes. O ministro destacou que o Plenário do STF já se posicionou sobre o que chamou de “descabimento” desse tipo de anistia, citando como fundamento a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 964.

Além de Bolsonaro, Moraes votou pela condenação de: Alexandre Ramagem; Almir Garnier; Anderson Torres; Augusto Heleno; Mauro Cid; Paulo Sérgio Nogueira; e Walter Braga Netto. Em seu voto, o ministro relator classificou Bolsonaro como líder de uma organização criminosa que tentou voto golpe de Estado.

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