**De origem pobre, era chamado por amigos de “o coração de Hollywood” e produziu filmes como “A Ponte dos Milagres”, no qual contracenou com a atriz brasileira Sônia Braga **
Dilson Ornelas, Rio de Janeiro
O cinema mundial perdeu um de seus maiores ícones nesta terça-feira (16/9), com a morte de Robert Redford, aos 89 anos, em sua amada casa em Sundance, nas montanhas de Utah, nos Estados Unidos. O ator, diretor e produtor, conhecido por seu carisma magnético, compromisso com causas ambientais e sociais, e colaborações marcantes, como sua parceria com a brasileira Sônia Braga no filme “A Ponte de Milagre” (1988), faleceu pacificamente, cercado pela família, conforme comunicado divulgado por sua assessora Cindi Berger.
“Robert Redford nos deixou no lugar que ele tanto amava, rodeado por aqueles que amava. Sentiremos uma falta imensa dele”, disse Berger, em nota à imprensa americana, evocando a essência de um homem que transformou sua vida em arte e ativismo.
Nascido Charles Robert Redford Jr. em 18 de agosto de 1936, em Van Nuys, Califórnia, Redford cresceu em um ambiente modesto e descobriu sua paixão pelo cinema após estudos de arte na Europa e uma breve carreira no beisebol universitário. Sua estreia marcante veio nos anos 1960, com papéis em “Guerra e Paz” e “A Conquista do Oeste”, mas foi na década seguinte que ele se consagrou como galã irresistível e ator versátil. Em “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969), ao lado de Paul Newman, Redford interpretou o fora-da-lei Sundance Kid, um papel que inspirou o nome de seu festival de cinema independente.
Filmes como “Todos os Homens do Presidente” (1976), onde deu vida ao jornalista Bob Woodward na investigação do Watergate, e “O Golpe” (1973), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator, consolidaram sua reputação como estrela de bilheteria e crítico social.
Além de ator, Redford brilhou como diretor, vencendo o Oscar de melhor direção por “Gente Como a Gente” (1980), um drama familiar que explorava o luto e a disfunção com sensibilidade rara. Fundador do Sundance Institute em 1981, ele revolucionou o cinema independente ao dar espaço a vozes marginalizadas, lançando nomes como Quentin Tarantino e Steven Soderbergh.
Sua filmografia, que inclui clássicos como “O Grande Gatsby” (1974) e “Leões e Cordeiros” (2007), reflete um compromisso com narrativas profundas, frequentemente ambientadas na natureza americana, ecoando sua militância ambiental. Casado duas vezes – primeiro com Lola Van Wagenen, com quem teve quatro filhos, incluindo o cineasta James Redford, falecido em 2020 –, Redford enfrentou tragédias pessoais, como a morte precoce de seu primogênito Scott por síndrome da morte súbita infantil em 1959, que moldaram sua visão humanista do mundo.
O legado de Redford transcende as telas: premiado com o Cecil B. DeMille no Globo de Ouro e o SAG Life Achievement, ele usou sua influência para causas como a preservação de terras indígenas e o combate às mudanças climáticas.
Figuras do cinema, de diretores a atores, renderam homenagens imediatas, chamando-o de “o coração da Hollywood clássica”. Sua partida deixa um vazio, mas também um convite eterno à reflexão: como o Sundance Kid, Redford cavalgou pela vida com graça, deixando trilhas de inspiração para gerações futuras de artistas e ativistas.
**Parceria com Sônia Braga **
Um dos momentos marcantes da carreira de Robert Redford foi sua colaboração com a renomada atriz brasileira Sônia Braga no filme “A Ponte de Milagre” (The Milagro Beanfield War, 1988), dirigido por ele próprio. No drama, que mistura comédia e crítica social, Redford escalou Braga para o papel de Ruby Archuleta, uma ativista determinada em uma pequena comunidade do Novo México que luta contra a gentrificação e a exploração de terras.
A química entre Redford, que também atuou no filme, e Braga trouxe uma energia vibrante à narrativa, com a performance de Braga sendo elogiada por sua intensidade e autenticidade.
A escolha de Braga, uma das maiores estrelas do cinema latino-americano, refletiu o compromisso de Redford em promover diversidade e vozes únicas no cinema, algo que ele já fazia por meio do Sundance Institute.
Em entrevistas da época, Redford destacou a admiração pelo talento de Braga, chamando-a de “uma força da natureza” e uma “atriz de presença incomparável”. A parceria entre os dois permanece como um marco na filmografia de ambos, unindo o cinema americano e brasileiro em uma história de resistência e humanidade.

