O Acre, o Distrito Federal e mais sete ewstados da Federação fazem parte de um esquema criminoso que envolve a venda de anabolizantes e que está sendo objeto de uma mega operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que bloqueou R$ 32 milhões estados mira império dos anabolizantes e bloqueia R$ 32 milhões e tem 43 envolvidos como alvos de mandados. Insumos consumidos por usuários dos anabolizantes são preparados sem higiene ou cuidados com a saúde dos usuários.

Embora extensiva ao Acre, a PCDF não forneceu os nomes dos acreanos envolvidos no esquema criminoso. As investigações continuam,
A operação, batizada de “Narciso”, foi colocada em prática nas primeiras horas da desta quarta-feira (12/8), pela Divisão de Defesa do Consumidor da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Esta já é considerada a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e outras substâncias proibidas no Brasil.
Ao todo, a Justiça expediu 43 mandados de prisão (preventivas e temporárias) e 64 mandados de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio e sequestro de R$ 32 milhões em ativos financeiros e a quebra de sigilo bancário de 58 alvos.
O esquema contava com conexões em oito estados, além do DF, e uma ponte direta com a fabricação clandestina no Paraguai. As ações ocorrem nos seguintes estados: Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba, Paraná e Minas Gerais.
As investigação revelaran uma complexa engrenagem criminosa voltada à fabricação caseira, ao fornecimento de insumos, à rotulagem, à divulgação e à comercialização de anabolizantes, medicamentos controlados, produtos veterinários e suplementos com substâncias ocultas.
Mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados, 10 veículos de luxo apreendidos e mais de 30 sites de venda ilegal acabaram sendo tirados do ar. A organização criminosa contava com a participação de nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais.
A apuração teve origem na Operação Béquer, desencadeada em fevereiro do ano passado, após busca no apartamento de Carlos Henrique Rodrigues de Abreu. No local, foram apreendidos anabolizantes, insumos, cápsulas, rótulos e dois celulares.
A análise dos aparelhos revelou a fabricação residencial de produtos associados a Fellipe Dias e Felipe Semani, criadores das marcas clandestinas AlphaLabs, Mega Burner e Libid Up, além de expor uma teia de fornecedores, gráficas, motoboys e laboratórios undergrounds como HydraPharmace, Skullredlab, Sypharma, Eurolabs, New Science, GC e Yellow B. Todos os laboratórios são alvos de mandados de busca, e seus proprietários possuem mandado de prisão preventiva ou temporária expedidos pela Justiça.
Cozimento mortal – De acordo com as investigações conduzidas pelo delegado Rodrigo Carbone, o coração do esquema operava sob o termo “cozimento”: a fabricação artesanal de substâncias injetáveis e orais em fundos de quintal, cozinhas residenciais, depósitos e locais improvisados, em fogo alto e sem qualquer assepsia ou controle sanitário.

Para aumentar o rendimento dos produtos e maximizar os lucros, os criminosos misturavam insumos importados da Índia, da China e do Paraguai a ingredientes altamente perigosos: aditivos e veículos: óleo de cozinha comum, além de óleos de semente de uva e de arroz manipulados sem esterilidade; Substâncias ocultas em rótulos: o termogênico Mega Burner e o produto Yellow B continham substâncias ocultadas do consumidor final, como clembuterol (medicamento veterinário de uso exclusivo para equinos), sibutramina (potente inibidor de apetite), fluoxetina, bupropiona e diuréticos como hidroclorotiazida; Efeitos deletérios à saúde: a ausência de controle técnico e a contaminação nos processos injetáveis têm provocado reações alérgicas graves, infecções severas e abscessos nos usuários. A viscosidade inadequada e as impurezas dos óleos causam embolias, tromboses e infecções generalizadas (sepse), levando vítimas a óbito — a exemplo do caso recente da morte de uma fisiculturista em Samambaia; O uso contínuo das substâncias ainda acarreta riscos cardiovasculares, aumento vertiginoso da pressão arterial, AVC, hipertrofia cardíaca e impotência sexual.
Integrantes e estrutura do esquema – Roberto Carlos Pereira de Carvalho, o Jiraiya, é apontado como um dos maiores traficantes de anabolizantes do país. Dono de laboratórios clandestinos espalhados por São Paulo, Paraíba, DF, Foz do Iguaçu (PR) e Paraguai.
Atuação: Ele faturava R$ 500 mil líquidos por mês. Nunca “colocava a mão na massa”: contratava funcionários para fabricação e logística em mansões alugadas. Patrocinava nutricionistas e atletas (através do laboratório New Science) para prescreverem e divulgarem seus produtos. Vivia entre o Brasil e um bunker em Ciudad del Este, no Paraguai. Teve R$ 5 milhões bloqueados pela Justiça.
André Luiz de Amorim Junqueira – Função: cabeça da organização responsável pelo produto conhecido como “Yellow B” e dominador das técnicas de “cozimento” nos laboratórios undergrounds de São Paulo, Goiás e DF. Atuava também como DJ. Atuação: com mais de 15 anos no mercado ilícito, mantinha forte ligação com gráficas para produção das embalagens falsas. Operava a lavagem de dinheiro por meio de fracionamento de Pix em casas de apostas (bets). Residia em condomínio de luxo em Águas Claras e ostentava veículos Porsche, Audi e Mercedes.
Ana Luiza de Nazaré Lima e Alam Manoel Lima. Função: influenciadora digital com mais de 150 mil seguidores e seu ex-marido, ambos responsáveis pela divulgação, venda e logística do Yellow B e de produtos à base de testosterona.
Atuação: utilizavam as redes sociais para iludir clientes com promessas de emagrecimento rápido (até 7 kg em uma semana). Comercializavam os produtos em site próprio, enviavam pelos Correios ou entregavam no restaurante japonês do casal, em Ceilândia, usado como ponto de apoio. Ostentavam carros importados e viagens internacionais.
Eduardo Vieira Euzébio, o “Gigante da estética” -. unção: biomédico, proprietário de clínica na Asa Norte e ministrante de cursos de estética. Atuação: atuava como intermediário dos laboratórios clandestinos. Adquiria anabolizantes, fazia a propaganda direta, negociava e aplicava as substâncias em suas clientes (em sua maioria, mulheres), mesmo ciente da procedência ilegal. Nas redes, afirmava cursar medicina na Bolívia.
Elisangela Pereira Acosta e Jorge Luiz Roa. Função: principais fornecedores de insumos e matérias-primas importadas. Sócios clandestinos de loja especializada em anabolizantes no Paraguai. Atuação: moradores de Foz do Iguaçu/Paraguai, ocultavam as substâncias dentro de peças de motocicletas para envio a todo o Brasil via Correios, e-commerce ou “freteiros”. Utilizavam rede de doleiros e contas de laranjas para movimentar o capital. Jorge foi preso no Paraguai em ação conjunta da PCDF, Polícia Federal e Polícia Paraguaia.
“Laranjas da bomba” – Função: empréstimo de nomes e contas bancárias para ocultação do fluxo financeiro do tráfico. Atuação: grupo composto por um casal dono de uma casa lotérica em Foz do Iguaçu, o proprietário de uma loja de materiais de construção, um engenheiro agrônomo e dois trabalhadores autônomos. Todos tiveram a prisão preventiva decretada por lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Das “bets” a mansões de luxo – O delegado Rodrigo Carbone afirmou que os alvos da operação são tratados como traficantes de drogas. “Não estamos falando só de comercialização de esteroides e sim do universo underground do anabolizante. Existe um submundo que representa 80% do mercado, e é isso que as pessoas consomem normalmente”, disse.
“Esses produtos são feitos em fundo de quintal e isso coloca as pessoas em risco. Essa operação não investiga uma mera comercialização de anabolizantes, ela combate o submundo do underground de laboratórios clandestinos. Os alvos de hoje são verdadeiros traficantes”, afirmou.
Impulsionada pelo culto ao corpo difundido por influencers e pela expansão de academias e farmácias no DF, a organização movimentava milhões e exibia um padrão de vida suntuoso. Para dissimular a origem do dinheiro ilícito, os criminosos utilizavam engenhosos mecanismos de lavagem:
Casas de Apostas (Bets): André Luiz utilizava casas de apostas on-line para esquentar o capital. Ele fracionava o dinheiro em centenas de pequenas transferências via Pix para contas de bets e, em seguida, realizava os saques sob a justificativa de ganhos em apostas.
Estima-se que cerca de R$ 4 milhões tenham sido lavados apenas nessa modalidade.
Empresas laranjas e doleiros: na fronteira, doleiros indicavam contas de laranjas no Brasil — incluindo empresas de materiais de construção, consultorias e até uma casa lotérica em Foz do Iguaçu — para ocultar os depósitos efetuados pelos compradores.
Fachadas comerciais: restaurantes e lojas de suplementação esportiva (como a Performance Nutrição Esportiva, de Wesley Dias Magalhães) eram usados como pontos físicos de estocagem, venda e entrega de anabolizantes, conferindo uma falsa aparência de legalidade aos produtos ilícitos.
Sinais de riqueza: o faturamento permitia aos líderes desfrutarem de viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo no exterior (com passagens pelo Chile e Paraguai), moradia em condomínios fechados de alto padrão em Águas Claras e uso de frotas de luxo, incluindo veículos das marcas Porsche, Audi e Mercedes.
Rotas internacionais – Além de toda a estrutura ostentada pelos líderes, as investigações detalhadas no processo revelam como o esquema utilizava uma engenharia complexa para se consolidar, ligando a origem da apuração até rotas internacionais. O estopim da Operação Narciso ocorreu em 4 de fevereiro de 2025, durante a Operação Béquer, quando a polícia cumpriu um mandado de busca no apartamento de Carlos Henrique Rodrigues de Abreu.
No local, os agentes encontraram um laboratório clandestino abarrotado de equipamentos, cápsulas, insumos e embalagens. A perícia nos dois celulares apreendidos expôs que Carlos fabricava os anabolizantes em sua própria residência e havia se associado a Fellipe Dias e Felipe Semani para criar a marca clandestina AlphaLabs, além de formularem os perigosos produtos Mega Burner e Libid Up.
Os telefones também mapearam uma extensa rede com fornecedores de matéria-prima, depósitos, motoboys, gráficas e outros laboratórios undergrounds como HydraPharmace, Skullredlab, Sypharma, Eurolabs, New Science, GC e Yellow B.
Fluxo ilícito – Para manter o fluxo do mercado ilícito, a organização contava com a cumplicidade de profissionais de diversos setores que conferiam aparência de legalidade ao negócio. A loja Performance Nutrição Esportiva, de propriedade de Wesley Dias Magalhães, servia como ponto físico de estocagem e revenda de anabolizantes da Alpha e do termogênico adulterado Mega Burner.
A rede contava ainda com a participação de médico veterinário para o fornecimento de compostos como o clembuterol, donos de farmácias de manipulação e até nutricionistas cooptados, que recebiam patrocínios para prescreverem os produtos clandestinos diretamente aos clientes.
A engrenagem era complementada por donos de gráficas que criavam rótulos refinados para iludir o consumidor, funcionários dos Correios e freteiros, que aceleravam as entregas, e parentes ou empresários que cediam suas contas para movimentações financeiras.
Conexão Paraguai – O marketing do esquema era impulsionado por redes sociais e patrocínios estratégicos. O laboratório underground New Science, gerenciado por Roberto Carlos, o “Jiraya”, financiava atletas em todo o país para validar suas substâncias. Entre os nomes ligados às suas marcas estavam o personal trainer Eduardo Alves, que surrou o “mendigo” Givaldo Alves, o ex-sem-teto que ganhou notoriedade nacional ao ser flagrado por Eduardo fazendo sexo com sua então esposa.
Influenciadores digitais usavam a imagem de corpos esculturais para vender a ilusão do padrão estético perfeito, omitindo conscientemente os graves efeitos colaterais dos produtos, como arritmias, acidentes vasculares cerebrais, paradas cardíacas, deformações por abscessos e impotência sexual.
Por trás dessa vitrine, operava uma rota internacional de suprimentos altamente rentável. As matérias-primas importadas de países como China, Índia e Paraguai chegavam à fronteira em Foz do Iguaçu, onde a dupla Elisangela Acosta e Jorge Luiz Roa ocultava os insumos e frascos dentro de peças mecânicas de motocicletas para burlar a fiscalização e despachar as encomendas por e-commerce ou Correios.
Enquanto gerenciava as operações a partir de um bunker em Ciudad del Este, Jiraya mantinha um faturamento mensal de R$ 500 mil líquidos e ostentava uma vida de alto luxo no exterior, acumulando hospedagens em hotéis de alto padrão no Chile — frequentando inclusive o resort que abriga a maior piscina do mundo — enquanto o veneno caseiro era distribuído por todo o território nacional.
