Alan Rick tem pretensão autoritária barrada na Justiça e deve aprender que nem todo mundo deve ser tratado como aquele atendente do aeroporto de Brasília

 

Procurador 

 eleitoral Fernando Piazensky parece literalmente deitado sobre o processo do “Laranjal do Bem” e não fala sobre o caso

O senador Alan Rick tem boas razões para começar a segunda semana desta atual campanha eleitoral na qual se jacta de ser o líder das intenções de votos como candidato a governador do Estado, com gosto de guarda-chuva (para não dizer outra coisa) na boca.  Na semana que está se encerrando, o senador, que se apresenta como jornalista, profissão que exerceu antes de se tornar um parlamentar milionário a partir de 2014, quando obteve o primeiro mandato de deputado federal pelo extinto DEM (Democratas), o poderoso senador teve que resignar-se aceitar este redator e o Portal O Aquiri como os únicos, da imprensa acreana a não se renderem a seu poderio financeiro e a seus arroubos autoritários.

Para situar o leitor, lembro que Alan Rick, através de poderosa banca de advogados presidida pelo ex-juiz Adair Longuini, foi à Justiça Eleitoral com pedido para tirar do ar reportagem assinada por este redator, com questionamentos sobre o enriquecimento do parlamenta e as suspeitas de irregularidades, alguns casos ainda sob investigação, como o caso das emendas repassadas ao instituto suspeito do ex-jogador do Flamengo Leo Moura e do chamado “Laranjal do Dem”, que se arrasta na Justiça desde 2018 sem que a própria Justiça Eleitoral se manifeste. Sua excelência, o procurador eleitoral Fernando Piazensky, procurador da República no Acre,  sempre tão atuante em outros casos envolvendo políticos que poderiam ser classificados como bagres e peixes pequenos na cadeia de poder neste Estado, é um túmulo quando o assunto é o “Laranjal do Dem” e o senador Alan Rick. O procurador deve explicações à sua chefia e à sociedade brasileira sobre o caso sob pena de levar a procuradoria eleitoral com assento no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) ao desacredito absoluto e à condição de instituição que só age contra os pequenos e teme os políticos poderosos. (Sobre o caso, não seria demais indagar ao poderoso procurador: em matéria de corrupção eleitoral, a Procuradoria só se manifesta em relação a políticos como o ex-vereador Cabide, Piazensky?)

 

O senador Alan Rick, nos seus arroubos de autoritarismo, mesmo se dizendo jornalista, parece sentir saudades da ditadura militar e de sua política de censura

 

Perguntado isso, convém comentar a decisão que barrou a pretensão de Alan Rick de censurar este jornalista e o Portal O Aquiri. Já seria antipática e desproposital se a ação fosse ajuizada por outro político, mas se torna ainda mais antipática quando o autor é um jornalista (mas que mal pergunte: alguém conhece uma reportagem, uma única, assinada pelo jornalista Alan Rick?)  ou alguém que se diz egresso de uma profissão cuja razão de existir é a liberdade de pensamento e de críticas a políticos suspeitos e cujo patrimônio, pelo que já se sabe até aqui, não resistiria a uma investigação minimente acurada, como parece ser o caso.

Por último, é preciso render homenagens à magistrada Denise Castelo Bonfim, que assinou a negativa da pretensão de censura do senador e escreveu, de forma didática, que, em se tratando da imprensa e de homens públicos que se apresentam e se submetem ao escrutínio do eleitor, quando as críticas são fundamentadas em informações verdadeiras e questionamentos são feitos sem visar apenas macular a honra de quem quer   eu seja mas sim cobrar decência e dignidade de seus atores, a interferência da Justiça Eleitoral deve ser mínima.

Desembargadora Denise Bonfim: didatismo em sentença ensina ao senador Alan Rick que as pessoas nao podem ser tratadas como ele agiu como aquele atendente no aeroporto de Brasília

Em outras palavras, a desembargadora foi didática e, a seu modo, com sua sentença, deve ter dado a primeira lição ao senador, cujos mandatos o transformaram num homem deselegante, autoritário e boçal, que nem todas as pessoas, incluindo àqueles que representam instituições democráticas ou dos poderes, devem ser tratadas como aquele atendente do aeroporto de Brasília. Esta campanha servirá a Alan Rick, caso ele seja derrotado, como parece que vai ser, como o elemento capaz de ensiná-lo a ser humilde. Em resumo, se não for governador, Alan Rick terá aprendido a ser gente, a ser decente com as pessoas e que o poder deve ser exercido para fazer o bem e não como arma para acerto de contas e vingar-se de antigas frustrações.

Tião Maia, editor do Portal O Aquiri, 45 anos de jornalismo sempre enfrentando políticos que compreendem o poder como casta pessoal para enriquecimento ilícito ou para para vingarem-se de antigas frustrações 

 

Notícias relacionadas :

ÚLTIMAS NOTÍCIAS