Tião Maia
O que anteriormente parecia apenas uma crítica de adversários, acaba de vir a público como constatação de analistas da política local de que o senador Alan Rick, candidato a governador da coligação liderada pelo Republicano, parece pouco à vontade ao lado de seu candidato a vice-governador Ricco Leite, até agora o candidato mais rico em disputa nesta campanha eleitoral, com um patrimônio declarado de mais de R$ 45 milhões. Com vergonha de ter que submeter-se a um candidato a vice milionário mas sem tradição na política e baixa popularidade inclusive entre seus parceiros de negócios, empresários de vários segmentos da indústria e do comércio no Acre, Alan Rick estaria executando, já no início da atual disputa eleitoral, uma série de manobras que tiram qualquer protagonismo ou maior visibilidade em relação a Ricco Leite, apesar de necessitar de seus muitos milhões de reais para custear a campanha.
As manobras apontam que a identidade visual da campanha de Alan Rick dá destaque quase exclusivo ao nome do cabeça de chapa, deixando o candidato a vice em tamanho reduzido na composição gráfica. Em peças de divulgação, o nome “Alan Rick” ocupa o espaço principal, enquanto “Rico Leite” aparece em linhas inferiores com proporção bem menor do que é exigido pela legislação eleitoral.
O que poderia ser apenas uma estratégia de Alan Rick para não dar a devida visibilidade a Ricco leite, por uma questão de vaidade ou mesmo vergonha por ter que aceitar um vice sem popularidade e experiência política ou administrativa, apenas por este ter dinheiro, tornou-se flagrante inclusive nas peças gráficas da campanha e deverá ser objeto de reclamação, por parte de seus adversários, na Justiça Eleitoral. Nas reclamações a serem encaminhadas à Justiça Eleitoral sobre o assunto, deverá constar a acusação de que a campanha de Alan Rick, agindo desta forma, está fraudando a lei nº 9.504/1997 e ainda uma resolução normativa do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nº 23610/2015, no seu artigo 12. A lei e a instrução normativa estabelecem que, na propaganda dos candidatos majoritários “devem constar os nomes dos candidatos a vice de modo claro e legível em tamanho não inferior a 30% do nome do titular”. A resolução do TSE repete essa exigência e, em seu parágrafo único, esclarece que a aferição deve ser feita “de acordo com a proporção entre os tamanhos das fontes (altura e comprimento das letras), sem prejuízo da análise de legitimidade e clareza”. Ainda segundo a lei nº 9.504/1997, a comprovação de desconformidade em propaganda de candidatura ao governo estadual pode ser apresentada perante o respectivo Tribunal Regional Eleitoral. Estudo técnico feito por auditores independentes revelaram que a irregularidade corresponde ao fato de o nome de Rico Leite vir praticamente “apagado” nas peças de publicidade e propaganda entre 22 % a 23% menor que o exigido pela legislação eleitoral

A constatação de mais essa irregularidade deverá ensejar uma representação contra a candidatura de Alan Rick junto ao TRE-AC. Os estudos técnicos feitos por publicitários e marqueteiros independentes apontam que, na propaganda do Republicano, o nome Alan Rick ocupa praticamente toda a marca, enquanto o de Rico Leite foi empurrado para uma linha inferior, em letras muito menores, com presença visual que representa aproximadamente 22% a 23% da altura utilizada para o nome do cabeça de chapa. O contraste chama atenção principalmente porque não se trata de um apoiador ou integrante secundário da coligação: é o candidato a vice-governador, um homem que, ao contrário do candidato a governador, já testado em pelo menos três eleições anteriores, com uma história e votos próprios, Rico ainda precisa ser apresentado politicamente à população. É justamente nesse momento que a comunicação de Alan Rick, um candidato com formação em jornalismo, propaganda e marketing, faz movimentos contrários e reduz sua exposição. Pela propaganda eleitoral do Republicano, toda a concentração da propaganda eleitoral está centrada na figura do senador Alan Rick.
Na visão de analistas políticos, esta atitude do candidato a governador diz muito em relação ao presente e ao futuro: a estratégia adotada por Alan Rick, ao praticamente esconder seu vice, passa a ideia de que Alan Rick pilota uma candidatura de nome único em que o senador concentra a marca, a imagem e o protagonismo – enquanto Rico praticamente desaparece e seu nome só veio à lume na atual campanha por causa dos muitos milhões de reais que ele e sua família declaram possuir. É claro que Alan Rick, que também se declarou dono de um patrimônio superior a R$ 5,2 milhões – mas dez vezes menos que o de Ricco Leite -, cresceu o olho em relação ao dinheiro do empresário, mas, já agora no início de campanha, mostra que, em caso de vitória, Ricco Leite seria um vice apenas decorativo, já que Alan Rick, vaidoso e ganancioso, não se permitiria a divisão de poder nem com o vice tampouco com outros personagens de seu grupo político.
Especialistas mostram que o nome “Ricco Leite” está praticamente escondido nos cartazes de Alan Rick
Campanha com maior grau de acerto segundo os critérios da Justiça Eleitoral é a de Mailza Assis, dizem especialistas

Os especialistas que encontraram as irregularidades na campanha de Alan Rick, praticamente escondendo o nome do candidato a vice Ricco Leite, também analisaram a propaganda dos principais concorrentes do candidato do Republicano. De acordo com a analise, a campanha com a maior margem segundo as exigências da legislação eleitoral é a da campanha da governadora e candidata à reeleição Mailza Assis, que detém 44,33% de acerto. O segundo em matéria de acerto, de acordo com os observadores, é a propaganda do candidato a governador do PSDB Tião Bocalom, ex-prefeito de Rio Branco.

De acordo com os mesmos observadores, o candidato da coligação encabeçada pelo PSB, o médico Thor Dantas, tem 25,5% de acerto. Já a campanha de Alan Rick é a mais irregular, segundo os mesmos critérios, com apenas 23,3% de acerto.

