O engenheiro civil Gilberto Siqueira, ex-presidente da Funtac (Fundação de Tecnologia do Acre) no governo Flaviano Melo e secretário de Planejamento dos governos Jorge Viana e Binho Marques, que chegou a ser um dos homens mais poderosos do Acre, faleceu, nesta terça-feirA (11/8). em São Paulo, aos 70 anos de idade. Diabético, ele teve o quadro agravado nas últimas semanas, quando foi internado. Os problemas atingiram o coração.
O comunicado da morte foi feito por uma irmã, Stela Siqueira, e confirmada por amigos como o ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, candidato a deputado estadual pelo MDB e que foi trazido para o Acre pelas mãos do então secretário de Planejamento. O primeiro emprego público de Marcus Alexandre no Acre foi exatamente na Secretaria de Planejamento, na época exercida por Siqueira, no primeiro mandato do governador Jorge Viana.
Amigos e familiares informaram que Gilberto enfrentava um quadro grave de diabetes, que se agravou nas últimas semanas, com necessidade de internação e intubação. Mais que secretário de Estado, no Acre Gilberto Siqueira foi um dos principais formuladores e articuladores de projetos que mudaram a paisagem urbana de Rio Branco e ajudaram a consolidar uma concepção de desenvolvimento baseada em planejamento, infraestrutura, urbanização e preservação ambiental.
Entre as obras mais emblemáticas associadas à sua atuação estão os parques da Maternidade e do Tucumã, projetos de grande dimensão para a época e que se transformaram em referências da capital acreana. A expansão da arborização urbana e a criação de espaços públicos que aproximavam a população da cidade e do meio ambiente também carregam a marca de sua visão de planejamento.
Foi interlocutor extremamente habilidoso dos governos do Acre junto a instituições como o BNDES, Banco Mundial, ministérios e organismos de financiamento e cooperação. Sua capacidade técnica e sua habilidade de negociação fizeram dele uma espécie de ponte entre o Acre e as instituições que poderiam financiar ou viabilizar grandes projetos.
Não por acaso, seu conhecimento e sua experiência ultrapassaram as fronteiras do Estado. Gilberto Siqueira foi escolhido para integrar a equipe de transição do governo Luiz Inácio Lula da Silva e, posteriormente, colocou sua experiência a serviço de outros estados da Amazônia, atuando como consultor para governos de Rondônia, Amapá e Roraima.
Era, portanto, um técnico que transitava com desenvoltura entre a engenharia, o planejamento, a administração pública e a política institucional, sem perder a capacidade de transformar projetos no papel em obras concretas.
Para muitos dos que trabalharam ao seu lado, Gilberto era também o homem que conhecia os detalhes, os números, os caminhos burocráticos e, principalmente, as pessoas certas para fazer uma ideia avançar.
Sua passagem pelo Planejamento dos governos petistas do Acre coincidiu com um período de grandes investimentos públicos e profundas transformações urbanas. Foi um dos personagens responsáveis por estruturar projetos que deixaram marcas físicas na capital e ajudaram a construir uma determinada visão de futuro para o Estado.
A morte encerra uma trajetória profissional marcada pelo serviço público, mas não apaga o que foi construído. Os parques, as árvores, as avenidas, os projetos estruturantes e os investimentos que ajudou a viabilizar permanecerão como testemunhos silenciosos de sua passagem. Gilberto Siqueira parte deixando uma herança que não cabe apenas nos arquivos da administração pública. Seu legado está espalhado pela cidade, nas obras que ajudou a idealizar, nos projetos que articulou, nas instituições com as quais dialogou e, sobretudo, nas pessoas que aprenderam com sua experiência.
