Empresa responsável pela obra da ponte que caiu parcialmente em Sena Madureira é do Rio Grande do Sul e tem contratos de  R$ 170 milhões com o Governo do Acre

Empresa está contratada para fazer o Anel Viário de Brasiléia e a 6ª ponte dm Rio Branco

A Empresa responsável pela construção da Ponte “Frei Paolino Baldassaria, que desabou parcialmente no início da noite de sexta-feira (5/6), no município de Sena Madureira, no interior do Acre, deixando quatro feridos — entre eles o juiz aposentado Edinaldo Muniz, que realizava uma transmissão ao vivo no momento do acidente — é responsável por outras obras de grande vulto no Estado. Entre elas está também a futura 6ª Ponte do Arco Viário de Rio Branco, sobre o rio Acre, ligando os bairros Belo Jardim ao Quixadá, um  empreendimento de orçado em R$ 73,7 milhões.

Em cinco anos de atuação no no Estado, os contratos ligados à construtora somam aproximadamente R$ 170 milhões em investimentos públicos. A  Construtora Cidade Ltda é uma empresa gaúcha que, nos últimos cinco anos, passou a integrar algumas das principais obras de infraestrutura executadas no Acre e que atualmente conduz o maior contrato em execução pelo governo estadual. Fundada em 1969, em Porto Alegre (RS), a companhia mantém uma relação com o poder público acreano que antecede sua instalação formal no Estado. Em 2016, a Justiça condenou o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) ao pagamento de mais de R$ 3 milhões à empresa por serviços executados em obras de pontes ligadas à BR-364. À época, a autarquia reconheceu judicialmente a existência do débito, relacionado à construção de uma ponte sobre o Rio Caeté e de estruturas de acesso ao município de Manoel Urbano.

Atualmente, a construtora está ligada a três grandes empreendimentos no Acre: a Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira; a ponte do Anel Viário de Brasiléia e Epitaciolândia; e a futura 6ª Ponte do Arco Viário de Rio Branco.

O interesse em torno da empresa cresceu após o colapso parcial da Ponte Frei Paolino, registrado pouco mais de dois anos depois de sua inauguração. Ao mesmo tempo, a construtora permanece responsável pelo maior contrato atualmente em execução pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre): a construção da 6ª Ponte do Arco Viário, orçada em R$ 73,7 milhões.

A maior obra em execução no Estado – O lançamento da obra ocorreu em 12 de fevereiro de 2026, durante gestão do então governador Gladson Cameli. Na ocasião, foram assinados a ordem de serviço e o contrato com a Construtora Cidade, vencedora da licitação internacional financiada pelo Fonplata. A cerimônia foi realizada na região da Estrada do Quixadá, área que será diretamente beneficiada pelo novo corredor viário.

Menos de dois meses depois, em 2 de abril, Cameli renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal.

De acordo com o projeto, a 6ª Ponte do Arco Viário terá 363 metros de extensão e ligará a Estrada do Quixadá ao bairro Belo Jardim, ampliando a integração viária da capital. A estimativa oficial é de que mais de 400 mil pessoas sejam beneficiadas. A obra também prevê a geração de cerca de 500 empregos diretos e indiretos durante sua execução, cujo prazo contratual é de 24 meses.

Cinco anos e R$ 170 milhões em investimentos – Embora possua mais de cinco décadas de atuação nacional, a presença formal da Construtora Cidade no Acre é relativamente recente. Registros empresariais mostram que a filial acreana foi instalada em Brasiléia, em maio de 2021, período marcado pela ampliação dos investimentos estaduais em infraestrutura e pela execução de obras financiadas por recursos federais e organismos internacionais.

Desde então, a empresa concentrou sua atuação principalmente na construção de pontes, viadutos e estruturas especiais. Os registros societários apontam como administradores os engenheiros Raul Leitão dos Santos, Roberto Leitão dos Santos, Nilton Leitão dos Santos e Flávio Severiano dos Santos. O capital social declarado é de aproximadamente R$ 30 milhões.

Em cerca de cinco anos de atuação no Acre, a companhia passou a integrar empreendimentos que somam aproximadamente R$ 170 milhões em investimentos públicos, considerando a Ponte Frei Paolino Baldassari, a ponte do Anel Viário de Brasiléia e Epitaciolândia e a futura 6ª Ponte do Arco Viário.

Embora a filial acreana tenha sido aberta apenas em 2021, registros judiciais indicam que a atuação da Construtora Cidade em obras públicas acreanas remonta a pelo menos uma década antes. Em julho de 2016, a 1ª Vara da Fazenda Pública de Rio Branco condenou o DERACRE ao pagamento de R$ 3.062.834,84 à empresa, valor referente a serviços executados em contratos vinculados à BR-364.

Segundo os autos, a própria autarquia reconheceu a existência da dívida, relacionada à construção de uma ponte sobre o Rio Caeté e a outras estruturas de acesso ao município de Manoel Urbano. A sentença determinou ainda a incidência de correção monetária e juros legais sobre o montante devido.

O episódio demonstra que a relação entre a Construtora Cidade e obras de infraestrutura financiadas pelo poder público acreano antecede em vários anos a instalação formal de sua unidade empresarial no Estado, ocorrida apenas em maio de 2021.

A queda da Ponte Frei Paolino – Entregue em dezembro de 2023, a Ponte Frei Paolino Baldassari foi apresentada pelo governo estadual como uma das principais obras recentes de Sena Madureira. Com cerca de 232 metros de extensão e investimento estimado em R$ 36 milhões, a estrutura eliminou a travessia por balsa entre o Centro e o Segundo Distrito sobre o Rio Iaco.

Pouco mais de dois anos após a inauguração, parte da ponte colapsou. O episódio ganhou repercussão ainda maior porque a estrutura havia sido interditada preventivamente menos de 24 horas antes do desabamento.

Segundo informações divulgadas pelo governo estadual, a decisão de interdição decorreu de vistoria técnica que identificou riscos associados ao fenômeno conhecido como “terras caídas”, processo erosivo típico de rios amazônicos, capaz de provocar o recuo das margens e comprometer fundações e acessos.

Levantamento em órgãos oficiais do Acre — como o DERACRE, o TCE-AC e a Aleac — e na cobertura da imprensa local indica que não havia registros públicos de condenação estrutural formal anterior ao colapso.

O que se verificou nos dias que antecederam o episódio foram alertas técnicos e medidas emergenciais concentradas em curto intervalo de tempo, especialmente após a intensificação da erosão nas margens do Rio Iaco. A  sequência dos eventos foi acelerada: identificação de risco geotécnico, interdição preventiva, emissão de relatório técnico e, cerca de 24 horas depois, o colapso parcial.

Nesse intervalo, equipes do DERACRE e do Corpo de Bombeiros realizaram vistoria conjunta, elaboraram relatório técnico e determinaram o bloqueio total da ponte, diante de indícios de instabilidade nos taludes e possível comprometimento das áreas de apoio da estrutura. O conjunto de medidas foi adotado como resposta preventiva ao avanço do processo erosivo.

O encadeamento sugere um quadro de instabilidade geotécnica evolutiva e rápida, mais do que a ausência de alertas formais prévios em órgãos de controle.

Até o momento, não há laudo conclusivo apontando as causas exatas do colapso. Também não foram divulgadas conclusões definitivas por órgãos de fiscalização sobre eventual responsabilidade pelo ocorrido.

As perícias em andamento devem avaliar diferentes hipóteses, incluindo condições geotécnicas, processos erosivos, aspectos de projeto e execução, além de eventuais falhas de manutenção e fiscalização da estrutura.

Como a empresa foi habilitada – Em parecer técnico divulgado pelo DERACRE, a Construtora Cidade Ltda. foi considerada habilitada para executar o Lote 3 da obra da 6ª ponte sobre o Rio Acre, em Rio Branco, dentro da Licitação Pública Internacional nº 02/2025. O documento, assinado pelo engenheiro Josias de Sousa Silva, destaca que a empresa apresentou proposta de R$ 73,7 milhões e cumpriu integralmente os requisitos do edital.

A documentação do certame permite identificar os critérios utilizados para aferição da capacidade técnica dos participantes, incluindo experiência em obras de elevada complexidade, pontes sobre lâmina d’água e estruturas de grande porte.

No caso da 6ª Ponte do Arco Viário, a contratação ocorreu pelo regime semi-integrado, em que a empresa é responsável pela execução da obra e pelo projeto executivo.

A Construtora Cidade ainda não se manifestou sobre os fatos. Se houver manifestação, o texto será alterado com o eventual posicionamento da empresa.

 

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