Parte da segunda ponte sobre o rio Iaco em Sena Madureira, interior do Acre, que leva o nome do religioso “Frei Paolino Baldassari”, ligando o 2º Distrito ao centro da cidade, inaugurada oficialmente no dia 19 de dezembro de 2023, desabou no início da noite de sexta-feira (5/6), deixando feridos pelo menos quatro pessoas. Entre os feridos estão os irmãos Ednaldo e Ednei Muniz, ambos operadores do Direito – este último é inclusive juiz aposentado, que enveredaram nos últimos anos pela política partidária, fazendo oposição ao atual Governo e na hora do desabamento da ponte, estavam no local – apesar da interdição e proibição de circulação de pessoas pelo local, segundo eles colhendo imagens da estrutura deficiente para uso em suas redes sociais e a serviço do candidato de oposição ao Governo Alan Rick.

O senador do Republicanos estava na cidade para agendas políticas e, após o acidente, suspendeu os atos e, através de suas redes sociais, passou a exercitar a antiga profissão de jornalista, com a qual se projetou à vida pública, dando informações sobre o acidente e sobre o estado de saúde dos feridos, principalmente de seus aliados, os irmãos Muniz. Segundo o senador, dos feridos, o estado mais grave é o do ex-magistrado Ednaldo Muniz, que ao filmar os alicerces da ponte com o celular quando parte da estrutura veio abaixo e colheu-o em cheio, deixando-o com múltiplas fraturas, inclusive no crânio. Socorrido pelo Corpo de Bombeiros, o ex-juiz foi inicialmente internado no hospital da cidade e, ainda na sexta-feira à noite, foi transferido para o Pronto Socorro de Rio Branco. As outras três vítimas também sobreviveram e passam bem.
O acidente levou a governadora Mailza Assis imediatamente ao município e trouxe de volta antigas figuras da política, como o ex-deputado e ex-vice-governador Major Rocha, o qual foi retirado da vida pública, em 2022, quando tentou se eleger deputado federal pelo MDB, pela autoridade do voto popular. Naquela eleição, ele e sua irmã, a ex-deputada Mara Rocha, que agora vislumbra ser candidata ao Senado ao lado de Alan Rick, pelas mesmas práticas de agora, de oportunismo e de denúncias que o eleitor rechaçou nas urnas.
Agora, animado feito urubu em carniça, Major Rocha saiu da insignificância da aposentadoria compulsória dada pelo eleitor para se manifestar sobre o acidente. Segundo ele, entre as vítimas da tragédia estão pessoas que votaram em Gladson Cameli, “entre outros motivos por causa dessa ponte”. “Também não posso deixar de me dirigir às pessoas que vão tentar tratar esse episódio vergonhoso como uma fatalidade. Não existe fatalidade quando há corrupção, quando h´[a incompetência”.
– Nós precisamos, sim – prosseguiu o ex-vice-governador de Gladson Cameli – discutir as responsabilidades, inclusive de senador e de deputados federais e estaduais, que apoiam cegamente este Governo. Uns por razões legítimas, outros porque fazem vistas grossas em troca de favores, de participação nos esquemas. A verdade sempre esteve diante dos nossos olhos. Mesmo que eu como vice-governador tenha denunciado inúmeros casos de corrupção. O resultado é que fui cancelado. atacado…”, lamentou.
A governadora Mailza Assis chegou a cidade pouco mais de duas horas após o acidente. “A prioridade neste momento é a preservação da vida e a segurança das pessoas”, disse ela, ao reunir o corpo técnico do Deracre para posterior explicações. Segundo a governadora, no dia 28 de maio, o Deracre já havia acionado a empresa responsável pela construção da ponte após identificar sinais de instabilidade na estrutura.
Na quinta-feira, 4 de junho, os engenheiros da empresa chegaram a Sena Madureira para acompanhar a situação junto às equipes do Deracre. Após a avaliação técnica, a área foi interditada de forma imediata em ação conjunta entre Deracre, empresa responsável e Corpo de Bombeiros.
Nesta sexta-feira, 5 de junho, ocorreu o colapso da estrutura. “A empresa responsável pela construção da ponte foi novamente acionada após o colapso. A estrutura possui termo de recebimento provisório e segue dentro do prazo de garantia legal de cinco anos, conforme previsto em contrato e na legislação vigente. A ponte permanece sob responsabilidade da empresa construtora quanto às medidas técnicas necessárias para solução do problema. A garantia contratual assegura ao poder público o direito de cobrar da empresa todas as providências necessárias para correção dos problemas identificados, sem ônus ao Estado. Representantes e responsáveis técnicos da empresa estarão em Rio Branco na segunda-feira para prestar esclarecimentos e avaliar a situação”, divulgou a governadora.
O ex-governador Gladson Cameli também se manifestou sobre o assunto, no mesmo tom.
