Irmão poderoso de secretário do Governo do Acre em Brasília é citado como envolvido no esquema bilionário do PCC em São Paulo, diz Polícia Federal

**Antônio Rueda é irmão mais novo de Fábio Rueda, representante do Acre em Brasília; ambos e a irmã Maria Emília são dirigentes do União Brasil, um dos partidos com o maior Fundo Eleitoral do país e usariam jatos de luxo do esquema criminoso **

**Tião Maia, O Aquiri **

Irmão do secretário de Estado Fábio de Rueda, médico cardiologista que é o primeiro suplente de deputado federal e representante do Governo do Acre em Brasília, o presidente do União Brasil, advogado Antônio Rueda, que acaba de dar 24 horas para que todos os filiados do Partido, inclusive ministros de Estado, deixem seus cargos no governo do presidente Luiz Inácio Lula, está bem encrencado, segundo o noticiário político na Capital Federal. Nesta quinta-feira (18/9), a Polícia Federal divulgou informações que apontam para a direção de Rueda como o dono verdadeiro dos aviões a jatos de luxo usadas pelos dirigentes do PCC (Primeiro Comando da Capital), bando criminoso que age em todo o país e que estaria agora infiltrado nos grandes conglomerados financeiros do país, representados pela rua Faria Lima, em São Paulo.

As informações sobre o envolvimento dos irmãos Rueda com a quadrilha foram dadas pelo piloto de um dos aviões do grupo. Ele depôs sobre o assunto à Polícia Federal, em São Paulo.

Além de Fábio e Antônio Rueda, a advogada Maria Emília de Rueda, dirigente partidária e tesoureira nacional do União Brasil., também tem forte atuação nos bastidores da política nacional. Antônio de Rueda foi acusado pelo deputado federal Luciano Bivar, no episódio em que o parlamentar pernambucano perdeu para ele, seu antigo afilhado e homem de confiança, a direção do União Brasil, de ser um autêntico gangster. A troca de acusações entre os dois ex- aliados foram parar na Polícia.

Reportagem assinada pelos repórteres Leandro Demori, Cesar Calejon, Flávio VM Costa, Alice Maciel e Thiago Herdy, do Uol e do ICL, publicada nesta quinta-feira (18/9), caiu como uma bomba no mundo político nacional ao informar que que um piloto afirmou à Polícia Federal que Antônio Rueda, presidente de um dos maiores partidos políticos brasileiros e detentor de um fundo eleitoral que beira a casa dos bilhões de reais, está entre os verdadeiros donos de quatro dos 10 jatos executivos operados por uma empresa de táxi aéreo que atende aos interesses do grupo narcotraficante PCC”.

O piloto atende pelo nome de Mauro Caputti Mattosinho, de 38 anos, e afirmou que Rueda era citado por seu chefe como o líder de um grupo que ‘tinha muito dinheiro que precisava gastar’ na compra de aeronaves, avaliadas em milhões de dólares, diz a reportagem.

Antonio Rueda nega – O acusado Rueda nega ser dono dos aviões. Em nota oficial, diz que “repudia com veemência qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas ou envolvidas com a prática de algum ilícito”.

A reportagem acentua que Rueda é aliado político de Ciro Nogueira, presidente do PP, e que Ciro também foi citado pelo piloto denunciante.

O piloto Mattosinho foi abordado por agentes da Polícia Federal no aeroporto, após a aventada possibilidade de estar transpondo um dos líderes do PCC, que atende pela alcunha de “Beto Louco”. A descoberta se deu à época de operação conjunta entre PF, Receita e MP de SP, em agosto.

O piloto contou à reportagem ter transportado “ao menos 30 vezes Mohamad Hussein Mourad, mais conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Ambos são apontados como líderes do esquema que atendia ao PCC e estão foragidos da Justiça”, diz o texto.

O piloto delator também contou que o tal Beto Louco teria dito que encontraria o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e que o “Louco” carregava uma sacola que “aparentava conter dinheiro vivo”.

Ciro negou conhecer o traficante e ter recebido dinheiro sujo, e entrou na justiça contra o portal ICL Notícias, pedindo indenização por danos morais.

Mattosinho, o piloto, disse aos repórteres que Rueda “viaja constantemente em jatos operados pela mesma empresa, embora ele não fosse o piloto destes voos. Era mencionado como “Ruedinha”, diminutivo de seu nome”, diz o texto.

Oficialmente, a aeronave pertenceria à empresa RZK, de José Ricardo Rezek, próximo de Rueda, e que teria participado da festa pelos 50 anos do presidente do União Brasil.

A empresa nega participação de Rueda, mas o piloto diz que “outros três jatinhos bimotores” (…) “teriam sido adquiridos com participação de Rueda”. Seriam eles: um Gulfstream G200, matrícula PS-MRL; um Citation Excel, matrícula PR-LPG; e um CitationJet 2, matrícula PT-FTC.

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