**Não basta proibir torcedores violentos em estádios, é preciso combater o crime na rua. **
**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro **
A rivalidade entre Vasco e Flamengo ganhou contornos trágicos na noite deste domingo (21/9), quando um torcedor vascaíno foi brutalmente agredido e esfaqueado por mais de dez flamenguistas dentro de um ônibus em Samambaia Sul, no Distrito Federal. O incidente ocorreu logo após o empate por 1 a 1 no clássico carioca pelo Campeonato Brasileiro, disputado no Maracanã.
Segundo relatos da Polícia Militar do DF, o homem, que vestia camisa do Vasco, foi forçado a se despir e sofreu múltiplas facadas durante o ataque, sendo socorrido em estado grave para um hospital local. Testemunhas descreveram o grupo de vândalos rubro-negros como “exigindo lealdade” em meio ao ódio exacerbado pelo jogo, em um episódio que reforça a urgência de medidas contra a violência no futebol.
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**Foto: reprodução**
No mesmo dia, o Rio de Janeiro viu um avanço nas investigações sobre outra morte ligada à rivalidade: o Disque Denúncia divulgou cartazes pedindo informações sobre dois foragidos – Everton Oliveira da Silva, o “Porrozinho”, de 31 anos, e Lucas Machado de Jesus, o “LC”, de 29 – envolvidos no assassinato de Rodrigo José da Silva Santana, torcedor vascaíno de 36 anos, baleado na cabeça em uma emboscada em Oswaldo Cruz, na Zona Norte, no dia 11 de setembro.
O crime, motivado por briga entre torcidas organizadas do Flamengo e do Vasco antes de um jogo contra o Botafogo, já resultou na prisão de oito suspeitos, incluindo o presidente da Torcida Jovem do Flamengo, Tiago de Souza Câmara Mello, o “Boinha”. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) atribui os tiros fatais a Thiago Faria da Silva Trovão, o “Monstrinho”, preso no sábado (20), enquanto Everton teria atirado em um sobrevivente.
Esses episódios expõem a “cultura de violência primitiva” nas torcidas organizadas, como classificou a DHC, com emboscadas dissimuladas e uso de armas de fogo, rojões e bombas.
Especialistas em segurança esportiva cobram proibições mais rigorosas a grupos como a Torcida Jovem do Flamengo, suspensa por dois anos em eventos após o caso de Rodrigo, e maior escolta policial em jogos. A família da vítima, que deixa quatro filhos – incluindo um bebê de três meses e um menino autista –, clama por justiça, enquanto o Vasco presta apoio e o Flamengo se pronuncia contra a barbárie, prometendo cooperação com as investigações. O futebol brasileiro, mais uma vez, debate se o esporte deve priorizar a paixão ou a vida.

