Manter a floresta em pé é 7 vezes mais lucrativo que a exploração degradante, aponta Rede Bionorte

**Professor Sandro Percário destaca estudo do Banco Mundial durante a abertura do Congresso de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia em Cuiabá**

**Por Nilson Cortinhas, de Cuiabá (MT), para Um Só Planeta**

“Manter a floresta amazônia em pé economicamente para o Brasil é 7 vezes mais lucrativo do que a exploração degradante.” A afirmação foi feita pelo professor doutor Sandro Percário, coordenador-geral da Rede Bionorte, na abertura do Congresso Brasileiro de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia (CBBBA 2025), que acontece em Cuiabá, Mato Grosso. Segundo ele, é fundamental que o país adote um modelo sustentável de desenvolvimento, capaz de unir ciência, inovação e benefícios econômicos.

A fala de Percário está embasada em dados recentes do Banco Mundial, que calculam que a Amazônia preservada pode gerar cerca de US$ 535 milhões por ano em valor econômico — considerando serviços como regulação climática, biodiversidade e potenciais descobertas farmacêuticas — contra US$75 milhões obtidos atualmente com atividades de exploração intensiva, como desmatamento para agropecuária, mineração e extração madeireira. Ou seja, o ganho com a floresta em pé é até sete vezes maior do que o da exploração predatória.

Para o pesquisador, esse dado revela a necessidade de ampliar investimentos em conhecimento científico, biotecnologia e políticas públicas que valorizem a sociobiodiversidade da Amazônia. “A cada três dias, uma nova espécie é descoberta. Isso mostra o tamanho da riqueza que ainda precisamos conhecer e proteger, transformando biodiversidade em saúde, insumos industriais, alimentos e desenvolvimento socioeconômico com responsabilidade social”, afirmou.

A Rede Bionorte, responsável pela organização do congresso, é considerada o maior programa de pós-graduação da Amazônia. Criada para integrar instituições de ensino e pesquisa de nove estados da região, reúne doutorandos e pesquisadores em torno de linhas estratégicas de biodiversidade, conservação e biotecnologia. A atuação visa fortalecer produção científica e formação de recursos humanos qualificados, ao mesmo tempo em que busca soluções práticas para o desenvolvimento sustentável amazônico.

Ao ressaltar que a floresta pode ser fonte de fármacos, bioinsumos e novos alimentos, Percário defendeu que a conservação deve ser compreendida não como barreira ao crescimento, mas como o motor central de uma economia de futuro. “Precisamos avançar na sustentabilidade, promovendo conhecimento e inovação, com responsabilidade social e compromisso com as próximas gerações”, completou.

O Congresso Brasileiro de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia (CBBBA 2025), realizado entre 1º e 5 de setembro em Cuiabá (MT), é a principal ação da Rede Bionorte em 2025. O evento reúne pesquisadores, estudantes, lideranças comunitárias, representantes governamentais e do setor privado para debater soluções inovadoras na conservação da biodiversidade amazônica e no desenvolvimento de biotecnologias. Além das conferências, simpósios e apresentação de trabalhos científicos, o congresso abriga o I Simpósio Internacional da Bionorte e a Vitrine Tecnológica, espaço voltado à aproximação entre ciência, sociedade e mercado.

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