Maria, a macaca baleada no Rio, não resiste e morre nesse domingo

**Durante a cirurgia descobriu-se que o disparo era de chumbinho. **

**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro **

A macaca-prego resgatada baleada na Gávea, na Zona Sul do Rio, não resistiu e faleceu neste domingo (21/9), após mais de dez dias de tratamento intensivo no Instituto Vida Livre, no Jardim Botânico. Batizada carinhosamente de Maria pela equipe veterinária, a fêmea da espécie nativa da Mata Atlântica foi encontrada ferida na Rua Piratininga no dia 9 de setembro, com um projétil alojado na coluna que a deixou paraplégica, sem movimentos nas pernas.

Durante a cirurgia de emergência, os profissionais descobriram que o disparo era de chumbinho – uma munição comum em armas de pressão de ar, frequentemente usada em atos de crueldade contra animais silvestres –, o que agravou o quadro e levou à complicação fatal sob anestesia.

O Instituto Vida Livre, especializado em reabilitação de fauna, dedicou-se a cuidados 24 horas, com aquecimento, alimentação assistida e exames como radiografias e ultrassonografias, na esperança de remover o projétil e restaurar a mobilidade de Maria.

“Ela passou o dia deitada, lutando pela vida, mas o ferimento comprimiu nervos irreparavelmente”, lamentou a instituição em nota nas redes sociais, onde também criticou a negligência societal:

“O país que faz leis para proteger seus bandidos ainda trata crimes contra a biodiversidade como menores. Nossos animais silvestres estão expostos à mesma violência que nós. Seguimos por ela e por todos”.

O caso, investigado pela Polícia Civil como maus-tratos e crime ambiental, destaca a vulnerabilidade de primatas urbanos no Rio, onde macacos-prego circulam livremente em áreas verdes, mas enfrentam caçadores e curiosos armados.

A morte de Maria reacende o debate sobre proteção à fauna silvestre, com o Instituto Vida Livre cobrando punições mais severas pela Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), que prevê até um ano de detenção por maus-tratos a animais. Especialistas apontam que disparos de chumbinho causam sofrimento prolongado, e o resgate precoce salvou Maria de uma agonia solitária nas ruas.

A entidade, que já atendeu centenas de casos semelhantes, apela por conscientização: “Animais como ela não são alvos de lazer; são parte do equilíbrio ecológico”. Enquanto a polícia busca testemunhas na Gávea, o luto pela macaquinha serve de alerta para a coexistência pacífica entre humanos e a natureza na cidade.

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