Terra Indígena Karipuna, na Amazônia brasileira, continua sendo invadida

**Da Redação**
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“Este ano tem sido muito difícil porque tem muita gente no nosso território”, disse André Karipuna, cacique do povo Karipuna em uma mensagem de áudio. “Identificamos novos lugares [que estão sendo invadidos], um lugar que não havia sido perturbado antes e agora está sendo destruído”, acrescento.

Em julho de 2024, o governo federal brasileiro realizou uma operação para expulsar invasores da terra. Autoridades destruíram 17 pontes e 38 vias de acesso ilegais, além de outras infraestruturas ilegais, informou o Ministério dos Povos Indígenas por e-mail. Ninguém foi preso ou responsabilizado. Lideranças indígenas afirmam que, após a operação, as atividades ilegais e as invasões foram retomadas lentamente.

De acordo com a Global Forest Watch, mais de 10.000 hectares (24.700 acres), ou 6,6% do território, foram desmatados entre 2001 e 2024. O pico foi atingido em 2022, com uma perda florestal recorde de 2.000 hectares (4.940 acres), e imagens de satélite mostram que uma casa foi construída perto de um dos campos desmatados.

Em 2024, os satélites registraram 194 hectares (480 acres) de perda florestal; os dados para 2025 ainda não foram quantificados.
Segundo a lei brasileira, a invasão ou ocupação de terras indígenas é um crime grave, amparado pela Constituição e por um estatuto que aumenta as penas em um terço quando os crimes prejudicam os povos indígenas.

Mas a falta de ação das autoridades tem encorajado madeireiros e grileiros da região a desmatar sem expectativa de punição. Líderes indígenas no local relatam frustração ao continuarem denunciando crimes sem sucesso.

“O que os órgãos federais nos garantiram? Que haveria monitoramento e vigilância do nosso território”, disse Adriano Karipuna, uma das lideranças Karipuna, à Mongabay em mensagem de áudio. “No entanto, isso não está acontecendo. E por não estar acontecendo, os invasores estão voltando.”

De acordo com registros históricos, inúmeras aldeias Karipuna, com milhares de pessoas, margeavam os rios Madeira e Purus, no estado de Rondônia, no Brasil, no século XIX. Um documento antigo chamava a região de “Nação Caripuna”.

A violência colonial e as doenças mataram quase todos os Karipuna. Hoje, apenas 63 pessoas e uma aldeia ainda estão de pé.

“Essas invasões causam inúmeros impactos sociais, ambientais, econômicos, alimentares e culturais”, disse Adriano Karipuna. “Sinto-me indignado. … Esta é uma situação que não pode mais ser tolerada. Simplesmente não pode continuar.”

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