Dino abre inquérito contra Bolsonaro, familiares e ministros por atuação durante a pandemia de Covid-19

**Vítimas da Covid-19 poderão ser indenizadas. **

**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro **

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na quinta-feira, 18/9, a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e 23 aliados, incluindo filhos Flávio, Eduardo e Carlos, por suposta incitação ao descumprimento de medidas contra a Covid-19. Baseado no relatório final da CPI da Pandemia de 2021, o procedimento – com prazo inicial de 60 dias – investiga crimes como fraude em licitações, superfaturamento, desvios de recursos e disseminação de desinformação sobre vacinas, que teriam contribuído para as 700 mil mortes no Brasil durante a gestão Bolsonaro. A decisão acolhe pedido da PF, após redistribuição do caso de Rosa Weber para Dino, superando tentativas de arquivamento pela PGR em 2022.

Entre os alvos estão deputados como Carla Zambelli (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF), Ricardo Barros (PP-PR) e Carlos Jordy (PL-RJ), além de ex-ministros Onyx Lorenzoni, Ernesto Araújo e Osmar Terra, e empresários como Luciano Hang. A CPI indiciou 78 pessoas por condutas que, segundo o relatório, priorizaram ideologia sobre ciência, incluindo promoção de aglomerações e cloroquina ineficaz. Dino destacou “indícios robustos de crimes contra a administração pública”, autorizando oitivas e perícias em contratos suspeitos, como os de vacinas superfaturadas.

A PF terá acesso integral às provas da comissão, revivendo um capítulo doloroso da pandemia que expôs falhas na coordenação nacional. A determinação reacende debates sobre as polêmicas crises sanitárias, com bolsonaristas como Flávio criticando-a como “perseguição política sem fatos novos”.

Juristas, porém, veem na investigação uma chance de reparação para vítimas da Covid, alinhando-se a condenações recentes de Bolsonaro por tentativa de golpe em setembro. Com a PF sob escrutínio pós-eleições, o inquérito pode se estender, influenciando o cenário pré-2026 e reforçando o papel do STF na defesa da saúde pública, em meio a alertas da OMS sobre lições não aprendidas da pandemia.

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