**A pressão 12/8 passa a ser encarada como suspeita de pré-hipertensão. **
**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro **
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), lançou na quinta-feira (18/9), durante o 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, a nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, reclassificando a pressão arterial de 12 por 8 (120/80 mmHg) como pré-hipertensão.
Antes considerada normal, essa faixa agora abrange valores sistólicos de 120-139 mmHg ou diastólicos de 80-89 mmHg, sinalizando um alerta para intervenções precoces e não farmacológicas, como dieta equilibrada, exercícios físicos e redução de sal. A mudança, alinhada ao consenso europeu de 2024, visa identificar riscos cardiovasculares em estágios iniciais, prevenindo que até 80% dos casos de infarto e AVC sejam evitáveis com medidas simples.
Para pacientes já diagnosticados com hipertensão – definida como ≥140/90 mmHg –, a diretriz endurece a meta de controle para abaixo de 130/80 mmHg (13 por 8), aplicável a todos os perfis, incluindo diabéticos, obesos e portadores de insuficiência renal ou doença coronariana.
Essa redução de patamar, antes em 140/90 mmHg, reflete evidências científicas recentes que associam níveis mais baixos a menor incidência de complicações, especialmente no SUS, onde 75% dos hipertensos são atendidos. A atualização incorpora capítulos inéditos sobre atenção primária, telemedicina e saúde da mulher, adaptando recomendações à realidade brasileira, onde 28% dos adultos – cerca de 35 milhões de pessoas – convivem com a doença, mas apenas um terço mantém o controle adequado.
Especialistas enfatizam que a reclassificação não implica pânico generalizado: para a pré-hipertensão, o foco é em monitoramento domiciliar e hábitos saudáveis, com medicamentos reservados a casos de alto risco, como fumantes ou sedentários. “É uma oportunidade para democratizar a prevenção, reduzindo a sobrecarga no sistema de saúde”, afirma o cardiologista Carlos Nascimento, da clínica Metasense.
Com a hipertensão responsável por 9,4 milhões de mortes globais anuais, segundo a OMS, a diretriz pode impactar milhões de brasileiros, incentivando consultas regulares e integrando ferramentas digitais para rastreio remoto, em um esforço multidisciplinar que prioriza a equidade no acesso ao cuidado.

