Viajante sobre duas rodas, videomaker produz conteúdo sobre Ponto Extremo Oeste do Brasil na fronteira do Acre com o Peru

**Karolini Oliveira, Agência de Notícias do Acre**

Um motoviajante brasileiro, natural de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, tem ganhado repercussão na internet com conteúdo sobre o Ponto Extremo Oeste do Brasil (PEO), na região de Mâncio Lima, no interior do Acre. Marcus Kaschner, que é produtor audiovisual, chegou ao estado em meados de outubro do ano passado, com o objetivo de prestar serviços de fotografia e filmagens, e acabou com um novo projeto: conhecer os pontos extremos do país.

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**“Como eu estava na secretaria, coincidiu de estar tendo a filmagem do filme Geni e o Zepelim, lá em Cruzeiro do Sul, e o pessoal da direção do filme gostou e contratou a moto, e eu também tive que ir junto. Virei um personagem do filme junto com o Seu Jorge”, relembrou Marcus. Foto: Bruno Moraes/Sete**

Em entrevista à Agência de Notícias do Acre, Marcus conta que saiu do Espírito Santo com o plano de percorrer o Brasil de moto e produzir um manual de gestão online e gratuito para pequenas empresas. No entanto, o projeto inicial deu lugar a uma nova carreira no audiovisual, alguns meses de trabalho no setor de Inovação na Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Cruzeiro do Sul (Sedetur) e até uma participação ao lado do cantor e ator Seu Jorge, no filme Geni e o Zepelim, gravado no Acre, no primeiro semestre deste ano.

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**Secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, explica que o turismo abrange diversos segmentos, gerando emprego e renda, em todo o estado. Foto: Bruno Moraes/Sete**

“Eu estou viajando o Brasil há um pouco mais de um ano de moto, tendo algumas experiências pelo nosso país. Vim para o Acre para conhecer esse estado maravilhoso, acabei ficando por aqui mais ou menos oito meses e que foi uma experiência incrível para a minha vida. Muita mudança aconteceu aqui nesse estado maravilhoso e agora estou fazendo um projeto onde eu vou visitar os quatro extremos do país, passando por locais diferentes e mostrando coisas diferentes do Brasil”, contou Marcus.

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**Motoviajante Marcos Kaschner veio ao Acre trabalhar com fotografia e filmagens. Acabou ficando cerca de oito meses no estado. Foto: Marcos Rocha/Sete**

Para fomentar e desenvolver o turismo, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Turismo e Empreendedorismo (Sete), tem apoiado iniciativas que incentivam o segmento, incluindo o mototurismo. De acordo com o titular da pasta, Marcelo Messias, o turismo é uma força estratégica para o desenvolvimento econômico e social, inclusive o Turismo de Base Comunitária (TBC), que abrange diversos pontos turísticos do estado como a Comunidade Croa e o Parque Nacional da Serra do Divisor, onde Kaschner se hospedou por alguns dias.

“Desde o início da gestão temos apoiados diversas ações e eventos que fomentam o turismo no Acre, como é o caso dos festivais indígenas e como foi também o Motorcycle Festival, fomentando o mototurismo. Porque, o turismo é isso, é um setor abrangente que movimenta cadeias produtivas inteiras, gera emprego e renda, e fortalece a nossa identidade cultural. Cada turista que recebemos representa oportunidades reais de crescimento”, detalhou o secretário.

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**Cachoeira Pirapora I, na Serra do Divisor, foi fotografada por Diego Gurgel, um dos grandes entusiastas do turismo no Acre. Foto: Diego Gurgel/Secom**

**Grandes marcos e reviravoltas**

Sobre a proposta do projeto, Marcus conta que houve muitas reviravoltas desde que saiu do Espírito Santo. “O script da minha vida tem que ser feito a lápis, porque eu tenho que apagar e reescrever o tempo todo. Eu fali, e aí tive que me reinventar, e como eu já tinha a câmera na mão, e eu gosto muito dessa área, eu falei: ‘Tô em Manaus, [depois que voltei de Roraima], vou tentar começar a trabalhar com foto, deu muito certo’.”

Em meio aos trabalhos com a fotografia, Marcus conheceu o fotojornalista Diego Durgel, da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), que o recomendou conhecer a região do Juruá. “Quando a gente se conheceu ele falou: ‘Você tem que ir pro Juruá, pra Cruzeiro do Sul, lá é maravilhoso a parte de aldeia, de natureza lá é extraordinário’. Eu fui e por lá eu fiquei seis meses”.

**Ponto Extremo Oeste do Brasil**

Para chegar ao Marco 76, que é o Ponto Extremo Oeste do Brasil, na linha da divisa entre o Acre e o Peru, foram necessários quase dois meses de preparação e captação de recursos. Ao todo, sete pessoas participaram da expedição, incluindo guias e representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em direção à Serra do Divisor e para a fronteira com o Peru. “É um baita rolê chegar lá na Serra e mais 50 km da Serra na direção da fronteira. Tudo foi diferente do planejado, mas tudo foi perfeito, no final das contas”, disse Marcus.

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**Expedição ao Marco 76 levou quatro dias, a partir do Parque Nacional da Serra do Divisor, em Mâncio Lima. Foto: cedida**

Após toda a aventura, “conquista” é a palavra que define a expedição feita por Marcus Kaschner. “Eu vim pra cá como fotógrafo e videomaker, foi um pontapé muito legal, muito bacana, onde eu conheci pessoas que conspiraram para a primeira etapa dos quatro extremos, que foi o Ponto Extremo Oeste do Brasil”, acrescentou.

**Turismo consciente**

Durante a preparação para a viagem ao Marco 76, Marcus tratou com equipes do ICMBio sobre como criar um material atrativo que também conscientizasse sobre a proteção da região: “Aquela área é a mais biodiversa do mundo e a gente quer que isso se mantenha assim. Então, tem que ser uma área preservada, e essa foi a nossa primeira grande preocupação dentro da expedição: como a gente pode criar um material pra dar atenção a esse local sem que a gente comece a fomentar um turismo predatório”.

O Vale do Mutum, como Marcus e equipe apelidaram a região do Marco 76, mantém uma presença marcante da espécie, o que pode ser considerado um excelente indicador de biodiversidade e ecossistema preservado. “A gente entende que fizemos [as filmagens] de uma forma positiva e temos esperança de que traga bons frutos não só para o Acre, mas para o Brasil.”

**Próxima parada**

Após meses de estadia no Acre, Marcus decidiu seguir em frente na missão de conhecer os quatros pontos extremos do país, no último dia 11 de agosto, quando concedeu esta entrevista: “Meu pé tava rachando, com a superstição na cabeça de que ia ficar aqui porque bebi água do Juruá”, brincou.

A próxima viagem de Marcus deve durar cerca de três meses para o Ponto Extremo Sul do Brasil, no Arroio Chuí, no estado do Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai. “Vou levar um pedacinho do Acre comigo quando atravessar aquela fronteira [com o estado de Rondônia], porque o Acre foi um local fenomenal pra mim. As pessoas daqui, eu poderia dizer que o coração das pessoas é tão grande quanto o coração da Amazônia, então o Acre vai comigo.”

E o conteúdo rendeu. Nos próximos dias, Marcus irá publicar novo material sobre os geoglifos da Amazônia, no Acre. A experiência de Kaschner na Serra do Divisor e no Marco 76 pode ser conferida no perfil Lá do B (@ladob.brasil), no YouTube e Instagram.

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