Falecido dia 30 de agosto, no Rio Grande do Sul, Luís Fernando Veríssimo escreveu sobre a música do poeta, cantor e compositor Sérgio Souto

**“Foi uma amizade de uma dia, de um único encontro mas ficou registrada na história sobre o que ele escreveu no meu disco e de um parceiro”, disse o artista acreano**

**Tião Maia, O Aquiri**

O que pouca gente sabe é que o escritor Luís Fernando Veríssimo, falecido no último dia 30 de agosto, um sábado, aos 88 anos de idade, em Porto Alegre (RS), era ele um músico bissexto, desses que tocam apenas por puro deleite. No seu caso, era um sexafonista que chegou a integrar uma banda de jazz e que se aventurava na música de forma tímida, como era próprio de sua personalidade – uma personalidade que, diante da máquina Olivete e depois do computador, se transformava em graça, humor, lirismo e profunda capacidade de convidar à reflexão. O que pouca gente sabe é que, se não foram amigos na acepção do termo, o escritor e música um dia cruzaram seu caminho com os do poeta, cantor e escritor acreano Sérgio Souto, outro dos grandes do megadverso mundo da poesia e da Música Popular Brasileiro (MPB).

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**Escreveu o mestre Veríssimo no Meu CD FRENTE E VERSO!**

É o próprio Sérgio Souto que conta como isso aconteceu:

– Numa das minhas muitas idas ao Rio Grande do Sul, um dia nos encontramos lá. Eu tinha um parceiro gaúcho, que é o Sérgio Napp, que vem a ser parceiro dele. Parceiro não, amigo dele. Ambos se respeitam, são dois grandes escritores. Só que o Sérgio viajou mais cedo que ele, viajou já tem dez anos. E o nosso amigo Napp, meu amigo Napp, partiu, meu parceiro querido mas deixou registrado grandes obras que nós fizemos juntos – contou Sérgio Souto.

– Fizemos um disco inteiro juntos. E lá pintou essa possibilidade do encontro com o Luís Fernando. Ele estava uma mesa de outros grandes poetas que eu não conhecia. Eu me lembro bem de um outro, Paulo Roberto, era um cara esquisito, fechadão, com aquele jeito gaúcho. Mas foi legal, transcorreu bem, era uma churrascaria no centro de Porto Alegre – acrescentou.

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**Sérgio Souto **

Ainda de acordo com o poeta acreano e autor de clássicos como “Minha Aldeia”, “Falsa Alegria” e “Lembrando Você – todos sucessos regravados por intérpretes expressivos da MPB, de cara, após ouvir algumas músicas. de cara, Luis Fernando Veríssimo se prontificou a escrever um texto sobre o disco a ser gravado pelos dois Sérgios.

– Ele fez o texto e eu achei lindo. É um disco muito lindo, do frente verso, e foi isso. Nosso amigão viajou. Eu o cito em algumas poesias minhas, quando eu falo, por exemplo, do meu chapéu Panamá, que eu não perco. Depois, em outra poesia eu falo das crônicas do Veríssimo, falando do que eu não gostaria de perder por nada, o meu chapéu Panamá e as crônicas do veríssimo. Daí nasceu essa amizade de um dia só, um dia só que nos conhecemos, mas foi o suficiente para escrever esse texto bonito no meu disco, e isso vai ficar registrado aí na história – afirmou o artista acreano.

Veríssimo, filho de outro Veríssimo inigualável, o Érico, autor de obras como “O Tempo e o Vento”, ficou nacionalmente conhecido pelas crônicas de humor nas quais despontaram personagens como a Velhinha de Taubaté, o Analista de Bagé e o detetive Ed Mort, pelas tiras das Cobras e da Família Brasil e pelos roteiros para TV, cinema e teatro, Luis Fernando Verissimo era uma usina de inteligência e criatividade em carne e osso.

A produção é tão vasta que se torna difícil até mesmo defini-lo com base nas categorias existentes da produção literária e artística. Escritor? Cronista? Humorista? Roteirista? Intelectual?
Qualquer um desses rótulos corre o risco de deixar fora uma variedade de aspectos da trajetória do autor que sempre fez questão de não se levar demasiadamente a sério — nem aos outros — e que morreu aos 88 anos, em Porto Alegre (RS).

Mais do que os predicados como profissional, muitos dos que conheceram Verissimo de perto, como Sérgio Souto, admiram sua grandeza humana. É o caso do publicitário e escritor Fraga, amigo de Verissimo por 53 anos e a quem coube, entre outros privilégios, emprestar as feições para o Analista de Bagé: “Gosto mais do Luis Fernando como pessoa do que como escritor”, resume.

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