Alexandre de Moraes aponta atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA como motivo para reforçar policiamento ao redor da casa de seu pai, em Brasília

**Ministro teme que ex-presidente consiga entrar e se refugiar na Embaixada norte-americana, que fica cerca de dez minutos de distância de sua residência; uma vez na Embaixada, ele viraria refugiado político sob a proteção de Donald Trump**

**Tião Maia, O Aquiri**

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), voltou a citar a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos, na decisão em que determinou um reforço no policiamento ostensivo na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília.

Em um trecho do documento, obtido pela CNN, Moraes afirmou que a conduta do filho do ex-presidente para interferir diretamente na ação penal da trama golpista “com o objetivo de evitar qualquer pronunciamento judicial definitivo” pelo Supremo em relação a seu pai, Jair Bolsonaro, se intensificou “com a possibilidade de conclusão do julgamento”, que está previsto para iniciar em 2 de setembro.

A decisão de Moraes atende a um pedido do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em ofício enviado ao Supremo, a PF pediu “reforço urgente e imediato” de policiamento no entorno da casa de Bolsonaro, bem como a manutenção e constante checagem da tornozeleira eletrônica.

O pedido afirma que chegou ao conhecimento da PF informações sobre um “risco concreto” de fuga de Bolsonaro. O ofício menciona que o ex-presidente poderia tentar entrar na Embaixada dos Estados Unidos e, depois, pedir asilo político ao país.

A Embaixada, que fica a cerca de 10 minutos da casa do ex-presidente, é considerada uma extensão do território americano. Por isso, decisões judiciais brasileiras ou eventuais mandados de prisão contra Bolsonaro não poderiam ser cumpridos no local sem autorização do governo dos EUA.

“Tal circunstância poderia frustrar o cumprimento da ordem judicial e comprometer a aplicação da lei penal”, diz a PF no ofício.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto e está sob uso de tornozeleira eletrônica. O ex-presidente está proibido de usar telefone celular e de receber visitas sem autorização judicial, com exceção dos advogados e familiares.

Desde março deste ano, Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos após pedir afastamento do cargo, sem previsão de retorno ao Brasil.

O prazo de afastamento de Eduardo venceu no último dia 20 de julho, e com isso, o parlamentar começa a receber faltas não justificadas caso não retorne ao Brasil, o que pode resultar na perda do mandato.

Segundo ele, há uma “perseguição do ministro Alexandre de Moraes”, que o impede de retornar ao país.

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