**PMs fardados viram réus por extorsão.**
**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro **
Três policiais militares do Rio de Janeiro, identificados como subtenente Christiano Vicente Castro de Oliveira, segundo-sargento Janildo Lopes de Souza e cabo Raphael Nascimento da Silva, foram indiciados formalmente por extorsão mediante sequestro nesta segunda-feira (15/9), após a prisão em flagrante na quinta-feira (12/9).
O crime ocorreu na Estrada do Lameirão, em Santíssimo, zona oeste, quando os agentes, de folga mas fardados e armados com fuzis, renderam Ebert de Azevedo da Silva ao chegar em casa com a família, exigindo R$ 500 mil da esposa como resgate.
A vítima, com histórico de furto, roubo e tráfico, foi localizada em um esconderijo improvisado na mesma região, graças ao rastreamento do Fiat Palio azul usado pelos suspeitos. A Delegacia Antissequestro (DAS), com apoio da Corregedoria da PM, agiu em menos de quatro horas após o alerta da família, que gravou a ligação dos extorsionários.
A esposa de Ebert, em depoimento emocionado, descreveu o pavor dos filhos, de 8 e 10 anos, que presenciaram a abordagem violenta: “Eles pensaram que era um filme, mas era nosso pesadelo real”.
Os PMs, lotados no Batalhão de Rocha Miranda e no Grupamento de Ações Táticas (GAT), enfrentarão processo na Justiça comum, com pena máxima de 15 anos de reclusão. A Secretaria de Polícia Militar abriu inquérito interno e suspendeu outros agentes do GAT para averiguação, prometendo “tolerância zero” a desvios. Ebert, liberado sem ferimentos graves, foi transferido para custódia federal devido a seus antecedentes.
O caso reacende debates sobre corrupção interna nas forças de segurança, com entidades como o MP-RJ cobrando auditorias regulares. Especialistas em segurança pública veem nisso um sinal de que o crime organizado infiltra até as fileiras da lei, exigindo reformas urgentes na PM fluminense.

