Projeto de Anistia que beneficia envolvidos em tentativa de golpe em 2023 avança na Câmara dos Deputados

**Dilson Ornelas, do Rio de Janeiro, e Tião Maia, de Rio Branco
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Numa noite tensa – como tensas têm sido as últimas reuniões da Casa – a Câmara dos Deputados aprovou, em sessão noturna da quarta-feira (17/9), requerimento de urgência do Projeto de Lei (PL) da Anistia. Com a aprovação da urgência, o PL pode ser votado diretamente no plenário, sem passar por comissões temáticas, e totalmente alterado. Motta ainda não definiu a data da votação.
Uma nova versão ainda será apresentada e deve intensificar o embate sobre o alcance do texto: anistia ampla, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ou se limitará à redução de penas para os envolvidos no 8 de Janeiro. O debate sobre o assunto continua nesta quinta-feira (19/9).
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), poderá enfrentar nova crise entre os Poderes caso o texto inclua Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela trama golpista, ou desagradar a oposição, O presidente da Câmara também corre o risco de se indispor com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista afirmou, na quarta-feira, que vetará o texto caso seja aprovado pelo Congresso, e deputados governistas classificaram a iniciativa de Motta como uma “traição ao Planalto”. Motta também é criticado pela oposição, que é maioria na Casa, ao propor um projeto que alivie as penas do 8/. O relator da proposta deve ser escolhido na próxima semana. A expectativa é que seja um deputado do Centrão.
O texto escolhido por Motta como base para o projeto da Anistia foi apresentado em 2023 pelo deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ). A proposta tem redação considerada vaga: “Ficam anistiados todos os que participaram de manifestações com motivação política e/ou eleitoral, ou as apoiaram por quaisquer meios, inclusive contribuições, doações, apoio logístico, prestação de serviços ou publicações em mídias sociais e plataformas, entre 30 de outubro de 2022 e a data de entrada em vigor desta lei”.
Na prática, o perdão pode alcançar todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, mas deixaria fora o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete condenados pela tentativa de golpe. O projeto também prevê o perdão de “quaisquer medidas de restrições de direitos, inclusive impostas por liminares, medidas cautelares, sentenças transitadas ou não em julgado que limitem a liberdade de expressão e manifestação de caráter político e/ou eleitoral, nos meios de comunicação social, plataformas e mídias sociais”. Ou seja, anistia todas as punições aplicadas a pessoas por se manifestarem politicamente, seja em redes sociais, jornais, TV ou outros meios de comunicação, mesmo que as decisões ainda não tenham transitado em julgado.
Após a votação na Câmara, o projeto seguirá para o Senado, onde dependerá do aval do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que já adiantou que apresentará um texto alternativo para a anistia e descartou incluir perdão a Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 11 de setembro, por considerar que o STF derrubaria a medida por inconstitucionalidade.
O placar da votação na Câmara foi de 311 votos favoráveis e 163 contrários, com sete abstenções. Os deputados federais da bancada do Acre, num total de oito parlamentares, participaram da vitória com cinco votos favoráveis. Outros dois deputados votaram contra e outra não compareceu à sessão. Vitaram pelo “sim” os deputados Coronel Ulysses (União Brasil), Eduardo Velloso (União Brasil), Roberto Duarte (Republicanos), José Adriano (PP) e Zezinho Barbary (PP). Já Socorro Neri (PP) e Meire Serafim (União Brasil) não marcou presença na sessão. Antônia (Republicanos) se absteve de votar.

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