Alan Rick enricou na política em negócios suspeitos e sob investigação, como é o caso das emendas para Leo Moura e do ‘Laranjal do Dem”

Candidato a governador tem muito o que explicar ao longo da campanha

 

A parceria empresarial e comercial do senador Alan Rick, candidato a governador do Estado, com o empresário Fabio Ricardo Leite, o “Ricco Leite”, já indicado como seu candidato a vice-governador, começou bem antes da atual campanha eleitoral ser iniciada. Documentos extraídos do Portal da Transparência do Senado revelaram, por exemplo, que o senador gastou R$ 202,6 mil em posto de combustível de seu candidato a vice-governador, segundo mostram 273 notas fiscais que somam os R$ 202,6 mil. As notas foram apresentadas pelo parlamentar ao Congresso Nacional para ser reembolsado com recursos públicos da chamada cota parlamentar.

A cota parlamentar é conhecida formalmente como CEAP é uma verba pública mensal concedida a deputados e senadores para pagar despesas exclusivas do mandato, como passagens aéreas, aluguel de escritórios, combustível, contas de telefone e divulgação da atividade parlamentar. Não é salário nem deveria ir para o bolso do político. Serve apenas para custear ou reembolsar gastos reais do trabalho legislativo e tem valores variáveis. O total muda conforme o Estado de origem do parlamentar, pois a distância até Brasília altera o custo médio das passagens aéreas. O saldo que não é gasto em um mês costuma acumular ao longo do ano corrente.

O total dessa verba transferido para o patrimônio de Ricco Leite seria referente a abastecimento de carros do senador realizados no Posto Village, em Rio Branco, cujo um dos sócios é o candidato a vice-governador. As notas fiscais foram emitidas entre fevereiro de 2023, início do mandato de Alan Rick no Senado, e março de 2026, período da última prestação de contas disponível no Portal da Transparência da Casa. Entre os itens registrados nas despesas estão diesel S-10 aditivado, gasolina Grid e gasolina comum.

Fabio Ricardo Leite integra o quadro societário do Posto Village por meio da empresa Jmleite Participações Ltda., da qual é sócio-administrador. Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, o empresário informou possuir quotas de capital no valor de R$ 252,5 mil na empresa. Alan Rick confirmou que a relação com o posto é anterior à escolha de Fabio Ricardo Leite como candidato a vice e negou qualquer vínculo entre os abastecimentos e a composição da chapa. “A seleção do posto se deu há mais de três anos, por melhor preço e proximidade com o meu gabinete em Rio Branco. Então, eu sequer cogitava ser candidato a governador e muito menos quem poderia ser o vice. Não há qualquer relação entre uma coisa e outra. O posto fica a cerca de 150 metros do meu gabinete, foi escolhido pela proximidade e pelo preço mais barato”.

As declarações do senador e candidato a governador não teriam causado tamanho impacto em sua própria campanha se a escolha do vice – ou melhor, da vice – tivesse recaído sobre uma política anteriormente convidada para a tarefa, a ex-prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem. Aos 45 anos de idade, ex-vereadora que, em dez anos, saiu da Câmara Municipal para se eleger e reeleger prefeita, além fazer o próprio sucessor (Carlinhos do Pelado, atual prefeito de Brasiléia) em 2024 e em 2022 ter sido decisiva na eleição do irmão Tadeu Hassem à Assembleia Legislativa, Fernanda, é conhecida entre amigos, familiares e eleitores pelo diminutivo de seu próprio nome, o que demonstra a enorme popularidade e o carinho que a população da região do Alto Acre tem em relação a ela.

Mas, na convenção do Republicano que indicou a chapa Alan Rick e Ricco Leite, embora “Fernandinha” já estivesse filiada à sigla = assim como seu irmão Tadeu Hassem, de nada adiantou – o vice escolhido, em detrimento do apoio das mulheres e  de uma liderança emergente e que realmente tem votos, foi exatamente um empresário sem nenhuma tradição em campanhas eleitorais e o que se sabe dele na área política é que, nos mandatos petistas dos irmãos Jorge e Tião Viana, ele era um dos conselheiros dos governos da dupla apontada como os gestores que atrasaram o Acre em duas décadas com o tal projeto da “Florestania”.

Mas, ao registrar o próprio nome na Justiça Eleitoral como candidato a vice-governador, o empresário Ricco Leite, cujo apelido pode soar também uma ironia, deu uma pista sobre o que pretenderia fazer ao lado de Alan Rick caso os dois chegassem ao Governo através do voto: negócios e aumento do patrimônio de ambos, já que a parceria dos dois se estenderia para além de abastecimento de veículos em postos de combustíveis.

 

Fernanda Hassem foi preterida por ser mulher e não ter dinheiro copmo Ricco Leite

E já que a parceria do senador e do empresário é por mais negócios, Fernandinha Hassem, que só tem prestígio e votos, não poderia concorrer com Ricco Leite. No Registro de candidatura no TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Ricco Leite fez jus ao apelido e declarou possuir nada mais nada menos que mais de R$ 45 milhões – nada mal para um rapaz de 56 anos de idade, natural de Jales, no interior de São Paulo, e que chegou ao Acre em 1970, aos cinco anos de idade, oriundo de uma família que veio para o Acre, na época da ocupação das terras do Acre pelos chamados “paulistas|”, determinada a enricar. Ao que parece, a família conseguiu e pouco mais de 50 anos depois de sua chegada ao Estado, é dona de empreendimentos como o Colégio Anglo, a faculdade Uninorte, postos de combustíveis como Vilage, os supermercados Mercale e fazendas de gado, entre outros negócios.

Se Ricco Leite e seu patrimônio obtido por tantas atividades empresariais e negócios sempre com margens de lucro acima da média, chega a causar espanto, o que não se dirá do senador Alan Rick,  nascido numa família modesta de Sena Madureira, que não ganhou nenhuma herança nem tampouco acertou na mega-sena, ao registrar sua candidatura no TRE, também tenha se declarado um milionário. Do alto de seus 49 anos de idade, o candidato do Republicanos se declarou dono de um patrimônio superior a R$ 5 milhões, mais exatos: R$ 5.244.567,72 – dinheiro que ele diz ter amealhado em 12 anos de mandatos, oito como deputado federal e mais quatro como senador da República. A atividade do parlamentar na política no período lhe rendeu acréscimo patrimonial de quase R$ 5 milhões, já que, na primeira vez em que candidatou-se, em 2014, declarou um patrimônio de R$ 355 mil, dinheiro obtido na época como jornalista, na condição de apresentador de um programa de entrevistas de TV (na TV Gazeta, afiliada da Rede Record) e como vendedor e gerente de uma loja de automóveis da marca Ford, uma das empresas do grupo Recol, da qual era funcionário, na Via Chico Mendes, em Rio Branco. Ganhando dinheiro esfregando o umbigo no balcão da concessionária ou sentado numa banca de entrevistas de TV, na época o vendedor e o apresentador declarou ser dono apenas de um apartamento residencial financiado no condomínio Gren Garden, avaliado em R$ 250 mil; um terreno residencial no Portal Ipê, no valor de R$ 66 mil; e um veículo Kia Picanto, declarado em R$ 39 mil.

Quatro anos depois, em 2018, na disputa pela reeleição à Câmara dos Deputados pelo Democratas (DEM), Alan Rick já declarou patrimônio de R$ 727.390,11. O aumento  patrimonial em quatro anos foi de mais de R$ 400 mil, uma economia de R$ 100 mil por ano. A declaração daquele pleito de 2018, ao invés do apartamento simples do Green Garden, já incluía uma casa avaliada em R$ 268,1 mil, um fundo de investimento imobiliário de R$ 300 mil, um terreno de R$ 64,2 mil, um veículo de R$ 90 mil e participação societária de R$ 5 mil.

Em 2022, quando disputou e venceu a eleição para o Senado pelo União Brasil, Alan Rick declarou patrimônio de R$ 2.121.474,30. Uma elevação patrimonial de mais de R$ 1 milhão e meio em quatro anos – mesmo num período ruim para a economia brasileira, marcado por uma recuperação lenta pós-recessão, pelos impactos severos da pandemia de COVID-19 e por choques inflacionários globais. Os pontos centrais do período envolveram a greve dos caminhoneiros em 2018, a retração de 3,3% a 3,9% no PIB em 2020, e a disparada da inflação e dos juros até 2022. A crise que afetava diversos setores da economia brasileira não chegava a casa de Alan Rick.

Naquele período, o senador informou à Justiça Eleitoral a aquisição de imóveis, terrenos, aplicações financeiras, fundos de investimento, um veículo Volkswagen Tiguan Allspace R Line avaliado em R$ 185 mil e um apartamento no valor de R$ 500 mil. Também constavam aplicações em renda fixa superiores a R$ 691 mil e investimentos em fundos.

Agora, na lista de seu patrimônio, Alan Rick informou ser dono de bens no total de R$ 5.244.567,72. A lista inclui aplicações financeiras, fundos de investimento, títulos de renda fixa, certificados de recebíveis do agronegócio, imóvel residencial, veículo e valores em conta bancária. Entre os bens de maior valor estão um imóvel residencial declarado em R$ 1,319 milhão, um fundo de investimento em infraestrutura avaliado em R$ 800 mil, um fundo de investimento da Caixa Econômica Federal no valor de R$ 999,6 mil e uma aplicação de renda fixa de R$ 573,1 mil.

A revelação do patrimônio é um dos requisitos obrigatórios exigidos pela Justiça Eleitoral para quem deseja se candidatar, seja rico ou pobre. Por falar em pobreza, a ex-deputada federal Mara Rocha, que também dividiu com o senador a banca de apresentação de programas jornalísticos na TV Gazeta ao longo de mais de duas décadas e foi companheira de Alan Rick também na Câmara Federal, no período de 1 de fevereiro de 2019 e 1 de fevereiro de 2023. Neste período, enquanto o patrimônio do senador dava saltos de crescimento, Mara Rocha empobrecia. No mesmo período, Mara Rocha não conseguiu economizar nada e  também ao pedir registro de sua candidatura ao Senado pelos Republicanos, agora em julho de 2026, ela declarou não ter bens a registrar – e olhe que a jornalista também se apresenta como empresária.

Senador tem parceria suspeita com ex-jogador do Flamengo Leo Moura

Talvez, em sua passagem de quatro anos pelo Congresso Nacional, a ex-deputada não tenha tido oportunidade – ou não quis – de conhecer figuras como o ex-lateral do Flemengo Leo Moura. O ex-atleta, que já fez várias visitas ao Acre, inclusive pelo interior do Estado, na companhia de Alan Rick, é o CEO do Instituto Leo Moura, uma ONG que está sob investigações de órgãos de controle como o TCU (Tribunal de Contas da União) e CGU (Controladoria Geral da União) devido a graves irregularidades na execução de convênios financiados por emendas parlamentares, envolvendo indícios de superfaturamento, uso de empresas fantasmas e repasses suspensos. Auditorias do TCU e CGU apontaram falsificação de orçamentos, sobrepreço (com itens como caneleiras e materiais superfaturados), além da falta de comprovação da entrega de produtos e execução de projetos de escolinhas de futebol do programa “Passaporte para a Vitória”. O TCU identificou problemas em convênios federais que somam dezenas de milhões de reais, resultando na reprovação de contas e abertura de tomadas de contas especiais. As irregularidades foram detectadas inicialmente em Goiânia (GO) onde o Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) determinou a suspensão cautelar de novos repasses financeiros da prefeitura de Goiânia ligados a emendas do vereador Igor Franco (Podemos) destinadas à entidade. Há irregularidades também em outros lugares do país, incluindo o Acre. O órgão sustenta que Léo Moura usou empresas fantasmas para prestar contas dos recursos recebidos através das emendas dos parlamentares aliados.

No Acre, a assessoria do senador Alan Rick divulga que o Instituto Léo Moura mantém projetos esportivos implantados com recursos de emendas parlamentares destinadas pelo parlamentar. São recursos superiores a R$ 2 milhões. Pelo tempo em que a parceria entre o parlamentar e o ex-atleta foi iniciada, alguns dos garotos egressos de tais escolas, se o projeto de fato funcionasse, já seriam profissionais. Mas não se encontra nem garotos incluídos nem as chamadas escolinhas de futebol funcionando, o que aponta para a fraude e lavagem, pura e simples, de dinheiro público.

Consta que a relação do ex-atleta com o senador vem desde 2022, quando Alan Rick ainda era deputado federal. Naquele ano, o parlamentar destinou R$ 350 mil para implantação de núcleos do projeto “Passaporte para Vitória” em Rio Branco e Cruzeiro do Sul.

Posteriormente, novos recursos foram anunciados para ampliar a atuação da iniciativa no Estado. Entre os investimentos divulgados está uma emenda de R$ 2,058 milhões para expansão dos núcleos esportivos, além de recursos destinados à implantação de uma unidade de vôlei em Rio Branco. Como elefantes brancos, ninguém viu até agora tais projetos em funcionamento. A última “escolinha de futebol” anunciada foi na semana passada, para a região da Baixada da Sobral, Numa quadra esportiva bem cuidada da rua “A”, no Palheiral, no que seria a sede da mais nova escolinha, uma quadra esportiva construída nos anos de 1980, está vazia. Quem passa por ali ou se interessa para obter uma vaga para um filho no aprendizado de futebol, não encontra ninguém. O local, quando não está ocupado pelos chamados “peladeiros” de ocasião, está sempre vazio. Enquanto Alan Rick faz campanha para o Governo do Estado, Lero Moura, seu parceiro nas denúncias de desvios de emendas nem pode vir ao Acre lhe ajudar a pedir votos: está se escondendo da Polícia Federal, correndo o risco de ser preso a qualquer momento.

Justiça  Eleitoral senta em cima do processo do “Laranjal do DEM” e deixa Alan Rick e a esposa Michele impunes

 

Aliás, esta não seria a primeira vez que Alan Rick faz cara de paisagem e finge que problemas causados pelo próprio não é com ele. No TRE- AC, a ação penal eleitoral de número 0600549-.2020.6.01.0009, que tem como indiciados Alan Rick, sua esposa Michele Miranda e outros envolvidos no escândalo que ficou conhecido como “Laranjal do Dem”, tramita sob segredo de Justiça desde 2018, quando de sua disputa para o segundo mandato de deputado federal. É a prova de que o candidato a governador do Republicano conta com a burocracia e lentidão da Justiça para garantir sua impunidade e continuar agindo. O processo trata de corrupção eleitoral e desvios de recursos do Fundo Partidário Especial – dinheiro público, registre-se – na campanha eleitoral de 2018, quando Alan Rick era presidente do DEM, partido político que foi extinto, sua esposa Michele Miranda era a tesoureira da sigla, e ele concorria à reeleição como candidato a deputado federal.

Uma investigação da Polícia Federal descobriu que na época uma candidata a deputada federal pelo DEM, do Estado do Acre, teria recebido 240 mil reais do Diretório Nacional da sigla, tornando-se o maior caso de candidatura laranja nas eleições de 2018. A candidata foi Sonia de Fátima Silva Alves, uma policial militar e, mesmo com todo o dinheiro recebido pelo partido, recebeu apenas seis votos, tornando-se a candidata com o voto mais caro do País. Total: foram 46,6 mil reais de verba pública por apoiador ou por cada voto.

De acordo com o inquérito da PF, divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo, Sonia foi usada como candidata laranja para desvio dessas verbas em benefício da campanha do deputado federal Alan Rick “Sendo Alan Rick o beneficiado direto com os gastos de campanha da candidata e tendo ele, ao mesmo tempo, controle do comitê financeiro, que é quem responde civil e criminalmente pelas irregularidades, parece sinalizar que, sem eximir os demais membros do comitê de parte da responsabilidade, Alan Rick Miranda é responsável pelas irregularidades identificadas”, disse na época relatório do delegado responsável, Jacob Guilherme da Silveira Farias de Melo, da Polícia Federal.

Por meio de sua assessoria, o então deputado Alan Rick respondeu à Folha e a outros órgãos de imprensa da época dizendo que Sonia foi escolhida já perto da eleição para a vaga de uma candidata que havia desistido e que o expressivo repasse de verbas, decidido pela Executiva Estadual, ocorreu para que ela pudesse reverter a situação de desvantagem. “Além de ingressar tardiamente na campanha, a candidata enfrentou diversos contratempos, a exemplo de erros na confecção do material de propaganda e grave enfermidade”, diz a resposta.

 

A verdadeira história não foi bem assim. Sonia, a candidata disse em depoimento à Justiça Eleitoral, que o dinheiro depositado em seu nome foi, na verdade, administrado pela tesoureira Michele Miranda, a esposa do senador, que chegou a ter a prisão preventiva decretada e, na época, só não foi presa porque, além de estar grávida, foi acometida pelo Covid na pandemia.

Eleito deputado federal, o senador parece ter conseguindo em Brasília que a Justiça Eleitoral sentasse em cima do processo e as investigações fossem suspensas. Com o processo recebendo logo na capa a expressão “sob segredo de Justiça” ou “confidencial”, o documento está sem receber manifestações do procurador das Republica Fernando Piazenski, que funciona como promotor eleitoral junto ao TRE,  ou de sua substituta Nelma Araújo Melo de Siqueira. O juiz titular da 9ª Zona eleitoral, Gustavo Sirena, a quem caberia se manifestar, dá o silêncio como resposta.

Enquanto isso, pessoas como o professor Genivaldo Vieira, morador de Plácido de Castro, e Nésio Mendes, ex-morador de Acrelândia e atualmente vivendo em Rio Branco, têm perguntas fazer ao senador e à sua equipe. Ambos querem saber como seus nomes foram parar na prestação de contas do Dem de 2018, na qual o diretório regional da sigla usa seus CPFs como prestadsores de serviços para a candidata Sonia a qual eles nunca vieram nem tiveram contato com ela. Ambos já depuseram á Justiça Eleitoral e negaram envolvimento nas fraudes investigadas e concluíram que seus nomes foram utilizados de forma aleatória e crimibosa pelo senador e sua esposa para enganar a Justiça Eleitoral com uma falsa prestação de contas do fundo partidário.

“É o que eu concluo porque, na Justiça Eleitoral, nesse processo, eu consto como prestador de serviços à candidatura da senhora Sonia, do Dem. Segundo a prestação de contas, eu teria alugado um carro para a campanha deles, o que não é verdade”, diz Nésio, repetindo o   que disse em depoimento à Justiça Eleitoal. “Como é que eu poderia alugar o único carro em que eu andava num período em que eu fui candidato a deputado estadual, quando tive 700 votos?”, indaga.

Quem tem pergunta semelhante ao senador é o professor Genivaldo Vieira. Morador de Plácido de Castro, ele diz ter tido apenas alguns contatos esporádicos com o senador Alan Rick na condição de educador porque o parlamentar tinha o Ipetec – órgão governamental ligado à educação profissional – sob sua influência. “Gostaria de ver agora na campanha eleitoral o senador explicando como meu nome foi parar na sua prestação de contas como prestador de serviços ao DEM que eu nunca prestei”, disse o professor, que também depôs, como testemunha, no processo do “Laranjal do Dem” sobre o qual a Justiça Eleitoral parece ter sentado em cima; “Se fizerem um exame grafotécnico sobre minha assinatura no tal contrato de prestação de serviços, será fácil perceber que o senador ou alguém a mando dele falsificou minha assinatura”, disse o professor.

Graças ao silêncio e à impunidade da Justiça, como no caso do “Laranjal do Dem”, é que o patrimônio do senador, obtido em tão pouco tempo, já é capaz de listá-lo entre os milionários do país e de incluí-lo na revista Forbes. Para quem não sabe, a Forbes é a mais famosa revista de negócios e economia do mundo e conhecida mundialmente por suas listas de riqueza, como o ranking dos milionários e bilionários do mundo. Entre políticos milionários brasileiros constam vários além de Alan Rick. Uns que já eram ricos quando entraram para a política. Outros que ficaram ricos ao longo de muitos anos de mandato. Se tornar milionário em pouco mais de uma década, caso de Alan Rick, faz do senador acreano um fenômeno em transformar um simples jornalista e gerente de uma loja de veículos em membro ascendente ao topo dos milionários brasileiros, o que ele teria que explicar ao longo da atual campanha eleitoral em que é candidato a governador.

É claro que o enriquecimento declarado pelo senador à Justiça Eleitoral pode ser justificado pelos altos salários pagos pelo Congresso Nacional ao longo de 12 anos. Atualmente, no último dia de julho de 2026, o salário mensal (subsídio) bruto de um deputado federal ou senador da República é de R$ 46.336,19  – valor que vale para os parlamentares das duas casas do Congresso Nacional e está em vigor dede fevereiro de 2025. Para guardar dinheiro ao ponto de enricar guardando os próprios salários, o senador Alan Rick e sua família precisariam ter zero despesa com comida, transporte e vestuário – embora, como se sabe, o Senado seja, para seus membros, uma espécie de paraíso na terra, através de suas ajudas de custos que vão desde a plano de saúde a auxílio paletós. Mas, mesmo assim, para poder guardar dinheiro, o senador precisaria ter outra fonte de renda.

As outras fontes que podem ter sido a alternativa de renda do senador, algum percentual das emendas ao Orçamento Geral da União (OGU) que ele conseguiu liberar junto ao governo federal ou o Fundo Partidário são objetos de investigação. Além das investigações do TCU e da CGU pelas irregularidades na parceria com Leo Moura, Alan Rick e integrantes de seu escritório parlamentar são investigados por suspeitas de irregularidades ainda em relação aos recursos do Fundo Partidário nas eleições de 2018, quando Alan Rick concorreu à reeleição pelo extinto DEM (Democratas).

As perguntas que o senador não quis ou não pode responder

Caros colegas;

Estou fazendo reportagens sobre a evolução patrimonial e negócios do senador Alan Rick, candidato a governador pelo Republicano, agora em 2026. Como estabelece a regra e a ética profissional, gostaria de obter respostas do senador para as perguntas escritas abaixo:

Perguntas do repórter Tião Maia, do site O Aquiri, ao excelentíssimo senhor senador Alan Rick, candidato a governador do Acre pelo Republicano:

 

1 – Dois homens um de Acrelândia, Nésio Mendes,  outro, professor em Plácido de Castro, de nome Genival Vieira, assim como mais de uma dezena de pessoas, depuseram na Justiça Eleitoral, no processo de número  0600549-.2020.6.01.0009, numa ação penal eleitoral, acusando o então deputado federal e candidato à reeleição de falsificação de assinatura e de contratos de prestação de serviço numa prestação de contas fajutas do DEM, partido que diriga na época (2018/2019), à Justiça Eleitoral. Perguntas? Esse depoentes, que fazem parte de uma lista de mais de 15 pessoas, estão mentindo? O que diz o senador sobre isso?

 

2 – o Senador usa da influência de seus mandatos para que o processo sobre o chamado “Laranjal do Dem” não ande na Justiça Eleitoral?

3 – Qual o envolvimento do senador com o ex-jogador de futebol Leo Moura, cuja ONG, abastecida com recursos públicos de de emendas do senador desde que era deputado federal, está respondendo a processos por irregularidades  junto ao TCU e CGU?

4 – Aponte um ou mais garotos saídos das escolinhas de futebol montadas pelo gabinete do senador e seu parceiro Leo Moura?

 

5 – Qual a explicação para as denúncias de que sua parceria com o empresário Ricco Leite deixa de ser política para se tornar um negócio milionário?

6 – Como o senhor Alan Rick conseguiu guardar tanto dinheiro para se tornar um milionário, segundo suas declarações de renda e patrimônio registradas na Justiça Eleitoral?.

 

Tião Maia – Jornalista / Registro profissional 176 – DRT-AC

 

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