Durante uma coletiva realizada em Londres na quinta-feira (18), com duração de cerca de uma hora e encerrando sua visita de Estado de dois dias ao Reino Unido, Donald Trump surpreendeu ao afirmar que Vladimir Putin o “decepcionou profundamente”.
Segundo ele, esperava negociar um acordo de paz logo no início de seu mandato, mas as atitudes do presidente russo frustraram essa possibilidade.
**“Putin está matando muita gente e perdendo ainda mais soldados do que consegue matar”, declarou.**
Trump disse acreditar que poderia mediar uma trégua pela relação próxima que já teve com o russo, mas afirmou ter sido “deixado na mão”. Ainda assim, rejeitou o pedido do premiê Keir Starmer para ampliar sanções contra Moscou. Na sua avaliação, a chave do conflito está no mercado de energia.
**“Se o preço do petróleo cair, Putin vai ter que desistir. Não terá escolha, vai abandonar essa guerra.”**
As declarações foram bem recebidas pelo governo britânico, que queria usar a visita como forma de isolar Putin no cenário internacional. A viagem incluiu cerimônias de pompa com o rei Charles III e a rainha Camilla.
Trump evitou confrontos diretos com Starmer em temas sensíveis, como o reconhecimento do Estado da Palestina, e poupou o Reino Unido de críticas sobre liberdade de expressão. Ainda assim, causou constrangimento ao sugerir que o premiê poderia acionar o Exército para conter a imigração irregular.
**Divergência sobre Palestina**
Havia receio de que Trump reagisse mal à decisão britânica de reconhecer o Estado palestino, mas ele minimizou a questão, chamando-a de “uma das poucas divergências”. Starmer, por sua vez, preferiu não mencionar a crise humanitária em Gaza e concentrou suas críticas no Hamas, o que agradou ao visitante.
**De energia eólica a Jimmy Kimmel**
Fiel ao estilo de comentar sobre tudo, Trump aproveitou a coletiva para atacar diferentes alvos. Chamou a energia eólica de “piada caríssima”, disse que o apresentador Jimmy Kimmel “não é talentoso” e voltou a ironizar Joe Biden, a quem descreveu como “nunca foi a lâmpada mais brilhante do teto”.
**Defesa, internet e tarifas**
Trump elogiou a decisão britânica de elevar os gastos militares a 5% do PIB e chamou Starmer de “negociador duro”. No entanto, não houve avanço em relação às tarifas sobre o aço britânico. Ele reforçou a defesa dos impostos de importação: “Grande parte do sucesso dos EUA se deve às tarifas”.
Já sobre segurança digital, Starmer defendeu a Lei de Segurança Online, afirmando que não se trata de censura, mas de proteger crianças de conteúdos nocivos.
**Base militar no Afeganistão**
Trump revelou interesse em retomar a base de Bagram, abandonada em 2021, por sua proximidade com instalações nucleares da China. Disse que negocia a reativação do espaço: “Estamos tentando recuperar porque eles precisam de coisas de nós”.
**Outros momentos**
Ao responder sobre tradições religiosas no Reino Unido, Starmer contou ter sido batizado. Já Trump surpreendeu ao dizer não conhecer Peter Mandelson, ex-ministro britânico ligado ao acordo comercial assinado entre os dois países meses antes.
A coletiva mostrou um Trump mais contido com os britânicos, mas disposto a endurecer o discurso contra a Rússia. Para Londres, a mudança de tom já foi suficiente para apresentá-lo como aliado na tentativa de isolar Putin.
**Fonte: Revista Fórum**

