**Tião Maia, O Aquiri **
A presidência da Fundação “Elias Mansour” (FEM), órgão estadual que tem a responsabilidade de divulgar e fomentar a cultura acreana, e o cantor, compositor e poeta Sérgio Souto, um dos artistas mais emblemáticos do Acre nos últimos 40 anos e responsável por projetar a música local em nível nacional e internacional, estão novamente batendo de frente. O artista não gostou de ter seu nome preterido no Resultado Final da Avaliação Técnica do Edital Prêmio de Mestres da Cultura Popular do Estado do Acre nº 08/2025, que aponta a lista oficial e definitiva dos mestres e mestras selecionados para receber o prêmio de R$ 12, 5 mil.
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Sérgio Suto acusa Minoru Kinpara de irregularidades no processo de escolha
Constar da lista de 24 nomes significa que o artista passou pela análise técnica e está apto a ser contemplado, após o período de recursos, indicando os verdadeiros guardiões da cultura popular acreana a serem valorizados com o apoio do governo. Os recursos são da Secretaria de Educaçãoe Cultura do governo do estado. Confirmados os selecionados, a FEM publica a portaria com os nomes finais, finalizando a etapa de avaliação técnica. Os mestres listados têm seus trabalhos de preservação dos saberes e fazeres culturais do Acre reconhecido oficialmente. Após essa fase, o processo segue para a habilitação (comprovação de documentos) e, finalmente, para o pagamento do prêmio. Os 12,5 mil são o valor pago a cada um dos 24 mestres selecionados. A magoa de Sergio Souto, segundo ele revelou a O Aquiri, dar-se não só porque seu nome foi preterido mas também por julgar que faltou transparência no certame e responsabiliza diretamente o presidente da FEM, Minoru Kinpara, por eventuais irregularidades. O presidente da FEM se anunciando como pré-candidato a deútado federal pelo pSDB nas eleições de 2026.
Souto fez as reclamações a Minoru Kinpara em carta dirigida ao executivo. Ele não se manifestou.
Na carta, o artista diz o seguinte; “Há momentos em que a arte, em vez de ser celebrada, é submetida a um tribunal invisível, onde os juízes não são mestres, mas aprendizes de ocasião. Foi exatamente isso que se desenhou no Resultado Final da Avaliação Técnica do Edital Prêmio de Mestres da Cultura Popular do Estado do Acre nº 08/2025. Um processo que deveria ser luminoso, transparente e justo, acabou envolto em névoas de pareceres obscuros, notas inexplicáveis e escolhas que cheiram mais a apadrinhamento político do que a reconhecimento cultural”.
Sergio Souto diz ainda: “O que se viu foi a soberania de um sistema de pareceres que não se explica, não se abre, não se mostra. Parecerismo virou palavra-chave: um mecanismo que, em vez de valorizar mestres, parece servir para legitimar decisões arbitrárias. Ora, se os jurados julgam mestres, eles próprios precisam ser mestres. Não se pode aceitar que qualquer pessoa recém-chegada, sem vivência, sem chão de cultura, sem poeira de estrada, se sente à mesa para decidir quem carrega o título de mestre da música e da cultura popular acreana. Queremos saber quem são esses jurados, quais suas obras, seu currículo cultura”.
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O artista acreano mais conhecido no Brasil e no exterior, cujas músicas foram interpretadas também por artistas como Nelson Gonçalves, Eba Ramalho, Jessé, Fagner e outros que integram a lista dos grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB), e parceiro de letristas como J. Maranhão, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc e Amaral Maia, entre outros, revelou que, no certame cujo resultado ele questiona, recebeu nota máxima de dois jurados. “Dois reconheceram o peso da minha trajetória, o valor da minha obra, o mestrado que a vida me concedeu. Mas o terceiro, como se fosse dono de um poder absoluto, me deu nota mínima. Essa discrepância não é apenas técnica: é um golpe. É a prova de que, no sistema atual, um único parecer pode derrubar décadas de história. Se tivesse me dado dez, eu estaria entre os cinco classificados. Mas não: a caneta de um julgador anônimo decidiu que eu não merecia”, queixou-se.
Sergi Souto quer saber quem os cinco nomes escolhidos. ”Queremos saber se suas histórias dialogam com a memória coletiva da cultura acreana. Se isso não for divulgado fica tudo muito estranho: sintomático. O Resultado dessa falta de transparência é sinal de que o critério não foi a obra, não foi a trajetória, não foi o reconhecimento popular. Foi outra coisa. Foi política. Foi padrinho. Foi conveniência”, acusou, “Por isso, cobro da Fundação Elias Mansur, em nome do Sr. Minoro Kimpara, uma resposta clara, pública e urgente. Não se trata de mágoa pessoal. Eu já tenho o meu mestrado na vida, conquistado no palco, nos 46 anos de estrada, na canção. O que está em jogo é a credibilidade de um prêmio que deveria honrar a cultura popular. Transparência não é favor: é obrigação”, acrescentou,.
Segundo Sérgio Souto, “hoje, os pareceristas são soberanos” e “podem dar a nota que quiserem, derrubar quem quiserem, consagrar quem bem entenderem”. Para ele, isso é sinistro e perigoso. “É a negação da democracia cultural. Um prêmio que deveria ser celebração virou palco de arbitrariedade. Repito: para julgar mestres, é preciso ser mestre. Não se pode brincar com a memória cultural de um povo. Não se pode transformar o reconhecimento em moeda de troca política. O Acre merece mais. A cultura popular merece mais. Os mestres merecem respeito”, disse.
**Sérgio Souto, artista mais acreano impossível
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O cantor e compositor Sérgio Nobre do Areal Souto nasceu na cidade de Sena Madureira, Acre. Aos quinze anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, levando na bagagem da memória os sons da Amazônia.
O violão aprendiz começou a mesclar a inquietude urbana com a tranquilidade da mata e, a partir de 1979, iniciou-se profissionalmente como compositor e cantor, numa fusão que retoma a combinação da temática urbana complexa e densa com a naturalidade desse acreano, atento aos sons dos Brasis presentes na nossa realidade.
**A obra e os palcos percorridos mundo a fora; foi o responsável por colocar o Hino Acreano na boca popular do povo
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Elba Ramalho e Fagner foram alguns dos cantores brasileiros que gravaram as músicas de Sérgio Souto
Colocou na boca do povo e tornou conhecido e popular o Hino do Acre na década de 90.
Participou em quase todos os grandes festivais de música do país:
Rodada Brahma de Música Popular Brasileira, onde foi o grande vencedor;
Festival 79 da TV TUPI, em São Paulo;
Festival dos Festivais da TV GLOBO;
Recife e Rio de Janeiro;
Festival Rímula de Música do SBT, em São Paulo;
Festival O Som das Águas da TV Manchete, em Lambari;
Festival MG e outros.
Se apresentou pelos principais palcos do Brasil, como, por exemplo:
MARACANÃZINHO-RJ;
GERALDÃO – RECIFE;
ANHEMBI – SÃO PAULO;
OLÍMPIA- SÃO PAULO;
TEATRO AMAZONAS- MANAUS;
TEATRO DA PAZ- BELÉM;
TEATRO CASTRO ALVES- SALVADOR;
CARLOS GOMES- VITÓRIA ES;
TEATRO PLÁCIDO DE CASTRO- RIO BRANCO;
DRAGÃO DO MAR- FORTALEZA;
TEATRO DAS BACABEIRAS- MACAPÁ; E OUTROS MAIS.
Participou de diversos projetos culturais, tais como:
BIENAL INTERNACIONAL DA MÚSICA EM BELÉM- PA; representando o Acre
CANTORIAS AMAZÔNICAS NO CCBB – RIO DE JANEIRO; representando o Acre
ACORDE BRASILEIRO, EM PORTO ALEGRE; representando o Acre
PROJETO PIXINGUINHA, POR TODAS AS CIDADES DO NORDESTE. Novamente como representante do Acre.
Em 2009, com o amigo e grande violonista Carlos Bica, realizou um encontro do
violão erudito e o popular em sete cidades do Rio Grande do Sul.
Iniciou, em 2010, no Rio Grande do Sul, mais uma tournée em comemoração do aniversário do seu parceiro e amigo Sérgio Napp, um dos grandes poetas da música gaúcha; e, em seguida, grava o CD “Frente e verso”, com a obra resultante da parceria entre ambos.
Tem 14 discos gravados e prepara, este ano, o lançamento do 15o. Músicas suas foram gravadas por Elba Ramalho, Jessé, Cristina Santos, Nelson Gonçalves, Fabíola Sendino, Claudio Nucci, Fagner, Jorge Vercilo, Sofia Ardessori, Nina Wirtty, Ângela Jobim, Luciah Helena, Eliana Printes, Nilson Chaves, Mayra May e muitos outros. Algumas fazem parte da banda sonora de conhecidas telenovelas.
A espontaneidade do seu processo de compor, associou-se aos trabalhos de seus parceiros letristas Paulo Cesar Pinheiro, Sérgio Natureza, Amaral Maia, Aldir Blanc, Jota Maranhão, Agenor de Oliveira, Joãozinho Gomes, Sergio Napp , Jorge Andrade, Celdo Braga, Jorge Vercilo, entre muitos outros; e, recentemente, com o poeta português Joaquim Simões, no trabalho “Duas Margens”, do qual foram, até agora, gravadas cinco canções, duas das quais (“Canto meu” e “Alma”) já disponíveis no YouTube.
Lançou, este ano, o seu primeiro livro: “Versos Colaterais”.

