**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro**
O conhecido Padre Fábio de Melo, popular nas mídias sociais e na televisão, está denunciado ao Vaticano por “má conduta”. A denúncia, feita por um bispo de Santa Catarina, e está relacionada a um episódio polêmico ocorrido em uma cafeteria em Joinville, que resultou na demissão de um funcionário.
Reportagem do jornalista Ricardo Feltrin aponta que o bispo considerou a atitude de Fábio de Melo um “desvio dos valores cristãos”. O caso agora está sendo avaliado pela Congregação para a Doutrina da Fé, um dos mais importantes dicastérios da Cúria Romana. Ela foi criada em 21 de julho de 1542 pelo Papa Paulo III. E é responsável por salvaguardar a doutrina da Igreja Católica.
Entenda o caso
A polêmica teve início após o padre usar suas redes sociais para reclamar do atendimento em uma cafeteria. Segundo ele, um funcionário cobrou um valor diferente do que estava na embalagem de um doce de leite e, ao ser questionado, teria respondido de forma ríspida: “Se quiser levar, o preço é este”. O padre publicou a reclamação, o que gerou uma grande repercussão na internet e culminou na demissão do gerente do estabelecimento.
O ex-gerente, Jair José Aguiar da Rosa, alega que sua vida foi “virada” pela exposição pública e que, inclusive, teve de trancar a faculdade devido ao quadro de depressão que desenvolveu. Ele nega ter falado diretamente com o padre, afirmando que a interação ocorreu com um acompanhante do religioso. O sindicato da categoria está apoiando o ex-gerente em uma ação cível contra o padre, além de uma ação trabalhista contra a cafeteria.
O que acontece com o padre?
O Vaticano, ao receber uma denúncia, segue um procedimento formal. A Congregação para a Doutrina da Fé, que está analisando o caso de Fábio de Melo, tem a responsabilidade de investigar a conduta de religiosos. Embora a denúncia de “má conduta” não se enquadre nos crimes mais graves, como os de abuso sexual (que têm um rito processual mais específico), ainda assim, pode acarretar consequências para o padre.
Ainda na hipótese de que as possíveis punições para o Padre Fábio de Melo possam não ser severas, o registro do religioso pode ficar “manchado” dentro da instituição. Um padre pode ser afastado de suas funções, perder a capacidade de administrar sacramentos ou até mesmo ser expulso do sacerdócio, dependendo da gravidade da infração.
A denúncia pode ser feita por qualquer pessoa ao superior hierárquico do clérigo (no caso de um padre, o bispo), que encaminha o caso ao Vaticano. A Igreja tem, por vezes, um ritmo mais lento que a Justiça secular para apurar os casos. O Vaticano, por sua vez, tem se esforçado para modernizar os procedimentos e dar mais transparência às investigações, especialmente após a repercussão global de casos de abuso.
Atualmente a Igreja está sob pressão para lidar com denúncias que não envolvem diretamente abuso sexual, mas que tocam em questões de conduta, como o abuso de poder, o autoritarismo e o comportamento inapropriado. A denúncia contra o Padre Fábio de Melo se enquadra nessa categoria, o que levanta um debate sobre o papel dos religiosos na sociedade contemporânea e o peso de suas ações no ambiente digital.
A denúncia contra o Padre Fábio de Melo é um exemplo de como a conduta de figuras públicas religiosas está sendo cada vez mais escrutinada, não apenas pela mídia, mas também pela própria instituição. Resta agora aguardar o resultado da avaliação da Congregação para a Doutrina da Fé para entender as consequências deste caso.

