Polícia chega a mais dois envolvidos na “Máfia dos Medicamentos”

Irmãos Tavares, dublês de empresários e advogado, são presos; um, quando sacava R$ 1 milhão em espécie na Caixa; outro por deleção do farmacêutico aposentado Eugênio Gonçalves

 

 

 

 

Está passando por audiência de custódia no juizado das garantias da comarca de Rio Branco, na manhã desta terça-feira (13/1), o advogado Ismael Tavares, que também se apresenta como empresário, após ter sido preso como envolvido na chamada máfia dos medicamentos. O grupo  envolve empresários e servidores públicos no desvio de medicamentos e equipamentos de unidades hospitalares do sistema de saúde estadual, um caso que está sob investigação do sistema estadual de segurança pública e participação da Polícia Federal.

Além de Ismael Tavares, também está preso seu irmão Mecerlane Tavares da Costa, o qual também se apresenta como empresário do ramo de fornecimento de insumos hospitalares, inclusive oxigênio. Ele foi preso na segunda-feira (12), dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal, quando sacava, em espécie, R$ 1 milhão, cujo dinheiro seria encaminhado a uma autoridade pública estadual para o pagamento de propina, segundo o próprio teria deixado escapar aos agentes que o prenderam. Com a prisão e apreensão de seu telefone celular, a Polícia Federal chegou a Ismael.

Os irmãos Tavares foram delatados como operadores do esquema a partir de depoimento do farmacêutico aposentado Eugênio Gonçalves, de 74 anos, que foi preso em flagrante, no Residencial Bom Sucesso, em Rio Branco, guardando em casa várias caixas de medicamentos controlados e aparelhos hospitalares do sistema de saúde pública acreano. O ancião foi colocado em liberdade condicional, com o uso de tornezeleira eletrônica e outras medidas restritivas, por causa da idade e porque também passou a colaborar com as investigações.

De acordo com a Polícia Federal, os irmãos Tavares são sócios de uma empresa que está no centro das investigações policiais contra o furto de remédios do SUS, retirados clandestinamente dos almoxarifados das UPAs, Pronto-Socorro de Rio Branco, Fundhacre e Maternidade. Ismael é apontado como “pasteiro”, como são chamados os representantes de empresas de fachada, sem endereço fixo e que, mesmo assim, ganham licitações e  ganham milhões fornecendo a órgãos públicos mercadorias classificadas como “de alfinete a avião”.

 

Os irmãos Tavares são bem conhecidos da polícia.  Há dois anos, pelo menos um deles foi preso na Operação “Boi de Outro”, da Polícia Civil, acusado de liderar uma quadrilha que furtava gado no Acre. Na época 15 pessoas foram presas na ação. O advogado Ismael seria o coordenador do grupo de ladrões, já que era dono do caminhão que fazia o transporte dos animais furtados dos campos de pastagens da zona rural da região de Acrelândia, município acreano na região do Abunã.

Ismael Tavares também se apresentava como jornalista e chegou a escrever uma coluna num site local no qual escrevia sobre o cotidiano da cidade e se identificava como “advogado, escritor de cotidiano e acreano de vida simples, que anseia por dias melhores”. Ele também foi candidato ao cargo de vereador nas Eleições 2020 pelo Podemos.

O passado nebuloso do irmão Mecerlane é mais antigo. Ele passou a ser conhecido a partir de 2018 quando esteve desaparecido por alguns dias e foi objeto de intensa procura da própria polícia e de familiares, incluindo a esposa. Ao reaparecer, disse à esposa que “estava dando um tempo” por estar “cansado de tudo”, inclusive dela.

Apesar disso, o casal se estabeleceu.

A reportagem de O Aquiri não localizou a defesa dos irmãos Tavares.

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