MPAC acusa ex-juiz de tentar interferir e abortar operação sigilosa contra o crime organizado

Edinaldo Muniz, o magistrado que virou blogueiro, depois de quase apanhar, deve ser responsabilizado pela tentativa de vazar informação operação que prendeu pelo menos 15 membros de facção criminosa

Em coletiva de imprensa no auditório da Polícia Civil do Acre (PCCA), na manhã desta terça-feira (13/1), em Rio Branco, o promotor de Justiça Bernardo Franco), coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (MPAC), acusou o juiz de direito aposentado Ednaldo Muniz (foto em destaque) de ter praticado o crime de obstrução de justiça e de tentar vazar e abortar uma operação policial contra o crime organizado no Acre. O episódio ocorreu no início da manhã desta terça-feira (13/1), quando as equipes da Polícia Civil do Acre (PCAC) e do Gaeco deixavam a sede do órgão num comboio de veículos do sistema de segurança.

O juiz apareceu no local e, de repente, começou a fazer uma live – transmissão ao vivo – pelo telefone celular informando que haveria a operação policial com prisões. Ele chegou a ameaçar seguir o comboio policial em seu carro particular e só desistiu quando foi advertido de que seria preso. “Por pouco, ele não estragou a operação”, disse um dos participantes da operação.

“Infelizmente, tivemos intercorrência relacionada ao juiz aposentado, que hoje parece que trabalha como blogueiro, que tentou, não sei por qual motivação, barrar a realização da operação na data de hoje, felizmente sem prejuízo aos resultados, mas uma conduta que não podemos deixar de destacar de extrema irresponsabilidade por parte daquele cidadão”, disse o promotor Bernardo Franco. “Afora isso, tivemos   uma operação muito exitosa e muito importante para o nosso estado do Acre. Esse é um trabalho que eu costumo dizer que o enfrentamento ao clima organizado é um trabalho que se faz em ciclos permanentes, é como tomar banho todos os dias. A gente vai fazendo, todo dia a gente faz esse enfrentamento”, acrescentou.

 

A operação policial deflagrada contra o crime organizado no Acre e em pelo menos mais quatro estados resultou, até o momento, na prisão de 15 pessoas durante o cumprimento de mandados judiciais. Outras pessoas podem ser presas nas próximas horas.

 

Além das prisões, a operação também resultou na apreensão de mais de R$ 10 mil em dinheiro e de uma arma de fogo. Em algumas das residências alvo das diligências, os policiais encontraram quantias expressivas em espécie, incluindo valores superiores a R$ 10 mil.

A Operação histórica atingiue cúpula do Comando Vermelho no Acre e em outros cinco estados

 

A ação integra uma operação de grande porte conduzida de forma integrada pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado. O foco é desarticular núcleos estratégicos de uma facção criminosa com atuação no Acre e em outros estados, atingindo tanto lideranças quanto estruturas de apoio logístico e financeiro.

 

As forças de segurança informaram que novas informações oficiais devem ser divulgadas ao longo do dia, à medida que as equipes concluírem as diligências e consolidarem o balanço final da operação.

Quanto ao ex-magistrado Edinaldo Muniz, o MPAC deverá estudar se toma medidas legais ou não em relação a sua atitude de tentativa de se intrometer numa operação policial de informações sensíveis. Consta que,. após se aposentar, o ex-juiz decidiu enveredar pelos caminhos da política partidária em busca de um mandato eletivo, no cargo de Senador da República.

Alegando que não tem dinheiro suficiente para enfrentar nomes tradicionais da política local, inclusive detentores de mandatos, Ednaldo Muniz decidiu apelar para o telefone celular e redes sociais através os quais publica vídeos sobre os mais variados assuntos tentando alcançar o público e se tornar conhecido. Um dos políticos eleitos e com mandato preferidos pelo ex-juiz para gravações constrangedoras é o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL).

Em duas oportunidades, o ex-juiz, que é portador de deficiência física como sequela de paralisia infantil, quase apanha de pessoas que ele filmou gravou, o que viola o direito de personalidade previsto no artigo V da Constituição federal de 1988. O caso foi parar numa Delegacia de Polícia. Desta vez, o juiz deve ver-se com o MPAC. A Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepol) fez publicar nota de repúdio contra o ex-juiz pela tentativa de intromissão na operação policial desta terça-feira.

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