Lula e Xi reforçam aliança do Sul Global contra unilateralismo de Trump

**Fonte: RFI**

Em conversa telefônica de cerca de uma hora na segunda-feira (11), os presidentes chinês, Xi Jinping, e brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, defenderam a união do Sul Global contra o “unilateralismo e o protecionismo”. Para Xi, Brasil e China podem dar exemplo de unidade e autossuficiência em um momento de desafios comerciais e geopolíticos. Segundo o Palácio do Planalto, os dois líderes conversaram ainda sobre o papel do grupo dos BRICS, assim como as relações entre Brasília e Pequim.

Nos últimos meses, Lula e Xi Jinping vêm tentando apresentar Brasil e China como defensores veementes do sistema comercial multilateral, em contraste com a ofensiva tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ligação do líder chinês para o brasileiro aconteceu poucas horas após Trump anunciar mais uma prorrogação de 90 dias na trégua tarifária que mantém com Pequim.

A conversa também ocorre após Lula informar, na semana passada, que pretendia conversar com os líderes da Índia e da China para estudar uma resposta coordenada às tarifas americanas. Os dois países integram o grupo dos BRICS, atualmente presidido pelo Brasil.

Xi disse que as relações entre China e Brasil estão em seu melhor momento, informou a agência estatal de notícias Xinhua. Ele afirmou que Pequim trabalhará com o Brasil para dar exemplo de unidade e autossuficiência entre os principais países do Sul Global. O objetivo, segundo o líder chinês, é “construir conjuntamente um mundo mais justo e um planeta mais sustentável”, citou a Xinhua.

Defesa do multilateralismo
O presidente chinês destacou ainda que “todos os países devem se unir e se opor firmemente ao unilateralismo e ao protecionismo”, acrescentou a agência chinesa, em uma referência velada às tarifas americanas.

A Presidência brasileira informou, em um comunicado, que a conversa telefônica durou aproximadamente uma hora, durante a qual Lula e Xi discutiram vários temas, como a guerra na Ucrânia e a luta contra as mudanças climáticas. “Ambos concordaram com o papel do G20 e dos BRICS na defesa do multilateralismo”, acrescenta a nota.

Os presidentes também se comprometeram a ampliar o escopo da cooperação para setores como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites, destaca o comunicado divulgado pelo governo brasileiro. Pequim trabalhou nos últimos anos para ampliar sua influência na América Latina como forma de contrabalançar Washington, historicamente a potência mais influente na região.

A China superou os Estados Unidos como principal parceiro comercial do Brasil, e dois terços dos países latino-americanos aderiram ao megaprojeto de infraestrutura chinês da “Nova Rota da Seda”. O Brasil exporta grande quantidade de soja para a China, que, como principal consumidor mundial do produto, depende em grande parte das importações para seu abastecimento.

Trump, no entanto, pretende fomentar uma mudança na forma como a China consegue adquirir o grão, utilizado para a alimentação de gado e a produção de óleo de cozinha. O presidente americano afirmou no domingo (10), em uma publicação nas redes sociais, esperar que Pequim “quadruplique rapidamente seus pedidos de soja”. Ele acrescentou que esta seria uma forma de equilibrar o comércio com os Estados Unidos.

Lula fez uma visita de Estado de cinco dias à China em maio, durante a qual declarou, em um fórum de cooperação entre Pequim e a América Latina, que a região não queria “iniciar uma nova Guerra Fria”.

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