Justiça condena quadrilha formada por servidores públicos, fazendeiros e frentistas responsável por desvios de mais de R$ 4,3 mi em combustível

Caso ocorreu no Iapen, entre os anos de 2018 e 2021; Polícia Civil descobriu desvios de cerca de 10 mil litros de combustível por mês   

Uma investigação deflagrada pela Polícia Civil do Acre (PCAC) em 2021 sobre uma quadrilha que desviava combustível através do Instituto de Administração Penitenciária (IAPEN),  a qual foi responsável por desvios que chegaram a R$ 4,3 milhões, chegou ao fim nesta semana com a revelação de que pelo menos 13 pessoas, entre servidores públicos, empresários e fazendeiros e pelo menos um frentista de posto de gasolina, foram condenadas pela Justiça. As condenações foram do juízo da Vara de Delitos de Organizações Criminosas, ao acatar e julgar procedente  denúncia do Ministério Público do Acre (MPAC).

Todos os envolvidos foram condenados. São elas: José Júnior de Paula Moraes, ex-chefe do setor de transportes do Iapen, condenado a 13 anos, 10 meses e 20 dias, em regime fechado, pelos crimes de associação criminosa e peculato seguido de desvio; Júnior Teixeira da Silva, também servidor do Iapen e que pegou uma pena de 9 anos e 2 meses, em regime fechado, por crimes de associação criminosa e peculato; Luziel Santiago dos Santos, outro servidor público, também condenado a pena de 11 anos, por associação criminosa e peculato; Damasceno Inglez Cardoso, pena 14 anos, por associação criminosa, peculato e receptação. Este seria o grupo de vendedores do combustível desviado.

Há também o grupo de beneficiado com os desvios e as fraudes. É o chamado grupo de empresários e fazendeiros. São eles: Marcelo Belo da Costa, condenado a 9 anos e 6 meses, em regime fechado; Clarmi Carneiro Raizer Pasquim, também condenado a 9 anos e 6 meses, em regime fechado; Edmar Pasquim, condenado também com a mesma pena dos anteriores; Edmar Pasquim Júnior, condenado a 7 anos e 11 meses de prisão, no regime semiaberto; Edvaldo Pasquim, condenado a  9 anos e 6 meses, em regime fechado; Maria Barbosa Rodrigues, a única mulher do grupo, pegou uma pena de 7 anos e 11 mês, em regime semiaberto; Gilvan Onofre Tessinari, foi condenado a 9 anos e 6 meses em regime fechado; Valberto Tessinari Leite pegou a mesma pena e o mesmo regime, assim como Edward Gonçalves de Oliveira; Leonardo da Silva Pudente, condenado a 7 anos e 11 meses, em regime semiaberto.

A operação policial na época foi batizada de “Ouro Negro”. As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas (Draco) e desbaratou a quadrilha que foi acusada de desvia cerca de 10 mil litros de gasolina e óleo díesel por mês.

A PCAC descobriu que o consumo de combustível era muito superior aos padrões histórico da autarquia e incompatível com a frota de veículos. Este foi o ponto de partida da investigação.

O esquema criminoso, segundo as investigações, funcionava assim: o então chefe do setor de transportes do IAPEN, José Junior de Paula Moraes,  cargo comissionado referência CEC-5, era o responsável por liderar o esquema criminoso e simulava a autorização dos gastos dos combustíveis. Um segundo envolvido tinha como função revender o combustível desviado, enquanto outro réu cooptava fazendeiros e empresários para que o grupo comprasse os produtos desviados.

O litro do óleo diesel era comercializado por R$ 1,50 na época – muito abaixo do valor de mercado.

Consta no processo que o desvio de combustíveis ocorreu entre os anos de 2018 e 2011. Para tentar legalizar a prática criminosa, José Junior de Paula emitia notas fictícias no sistema financeiro do Instituto de Administração Penitenciária. Mas o caso começaria a ser descoberto em novembro de 2021.

Durante a ação foram cumpridos mandados de prisão preventiva de dois envolvidos contra José Júnior de Paula Moraes e 19 de buscas e apreensão. Na ação foram apreendidos aparelhos celulares, dois mil litros de combustíveis, 12 veículos e cerca de R$ 30 mil, além do bloqueio de contas bancárias.

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