Clendes Vilas Boas, acossado por denúncias de assédio na RBTrans, contra-atacou vereadores e os acusa de se elegerem com compras de voto nas eleições

**Tião Maia, O Aquiri**

Acusado de assédio moral e sexual contra servidoras da Superintendência de Transportes de Rio Braco (RBTrans), além de venda e entrega de perfumes com o uso de veículos oficiais, Clendes Vilas Boas, terá que se explicar ao Ministério Público do Acre (MPAC), que já tem ciência do caso, e agora os vereadores, que querem suas explicações sobre declarações ao jornalista Adailson Oliveira, no Programa Gazeta Etrevista, da TV Gazeta, retransmissora da Rede Record, na quinta-feira, 14/08. Na entrevista, quando abordado pelo entrevistador sobre a possibilidade de abertura na Câmara de uma (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investiga-lo, Vilas Boas foi duro: “Se for levada a sério [a CPI], não fica nenhum vereador lá”.

Com a declaração, Vilas Boas insinuou que todos os vereadores são eleitos com a compra de votos durante às eleições. A declaração indignou vereadores, inclusive o presidente da Câmara, Joabe Lira (UB). Em entrevista ao **O Aquiri**, ele classificou a manifestação como “algo no mínimo infeliz” e disse que o superintendente terá a oportunidade ficar frente a frente com os vereadores, para manter a afirmação ou desmenti-la, na próxima terça-feira (19/8), durante reunuçao na Câmara.
“Assim como nós recebemos a moça que fez as denúncias iniciais contra o superintendente, vamos conversar com ele também de forma isonômica, numa sala de reuniões da Câmara Municipal. Ele não foi convocado. Foi o próprio que se ofereceu para ir lá falar com os vereadores. Vamos ouvi-lo”, disse Joabe Lira.
Mesmo chateado ao ser informado das declarações de Vilas Boas contra os vereadores, Lira disse que espera seja dado o direito de ampla defesa e do contraditório e praticamente descartou a abertura de uma CPI na Câmara sobre o caso. “Estou informado de que o caso já chegou ao conhecimento do Ministério Público e já está sendo investigado”, afirmou.

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Joabe Lira, presidente da Câmara: “Declaração infeliz”

A possibilidade de criação de uma CPI para apura o caso foi aventada pelo vereador Eber Machado (MDB). Ele afirmou que sua equipe jurídica está preparando um pedido de abertura para apurar denúncias de suposto assédio moral contra servidores da RBTrans. Clendes Vilas Boas declarou que não teme uma eventual investigação e partiu para ataques contra vereadores.
“Não tenho medo nada. Além disso, se a CPI da Câmara for levada a sério, não fica nem um vereador lá. Porque, se for levar a sério, acho que todos têm algum problema relacionado à eleição. Todo vereador, todo mundo tem problema. Se eu quiser criar uma tese para fazer uma denúncia contra qualquer parlamentar e procurar provas, a gente encontra. Sempre aparece alguém para dizer: “Ah, isso aqui ele me pagou para votar”. E até mentira aparece”, declarou. “Veja bem: se eu for sair em campo, que sou um cara popular dentro das comunidades, e procurar informações sobre as pessoas que estão me atacando, vai surgir algo. Centenas de pessoas vão dizer: “Ele me pagou tanto pelo voto”. É só reunir essas pessoas, levar à Câmara e pedir a cassação do vereador. Entendeu? Se eu fosse fazer o que eles estão fazendo comigo agora — campeando para me cassar e me tirar do cargo —, eu até abriria mão do cargo. Mas não tentem tirar a minha paz, nem assassinar a minha reputação”, disse

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