“Careca do INSS” depõe nesta quinta-feira na CPMI que desconto irregulares de aposentados

**Depoimento ocorre no Senado e Márcio Bittar, senador pelo Acre, diz que descontos irregulares foram iniciados em governos do PT e que foram aperfeiçoados quando os fraudadores perceberam que Lula voltaria ao poder; Veja o vídeo**

**Tião Maia, O Aquiri**

Personagem chave no escândalo de descontos ilegais nos contracheques de pagamentos de aposentados e pensionistas brasileiros, lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, depõe, nesta quinta-feira (25/9), na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Congresso Nacional sobre as denúncias de que era ele o principal operador do esquema fraudulento. “Careca do INSS” é apontado como o chefe de 22 empresas e que desviou R$ 53 milhões. O senador Márcio Bittar (PL-AC), que será um dos inquisidores do lobista na CPMI, fala em rombo na casa R$ 6 bilhões ao longo dos anos e vincula os governos do PT com os rombos.

“A hora da verdade chegou. Já estamos posicionados na CPMI do INSS para o depoimento do “Careca do INSS”. Ele é a peça-chave que vai nos ajudar a desmantelar o esquema bilionário que roubou o dinheiro dos nossos aposentados. O depoimento de hoje é o primeiro passo para chegarmos aos verdadeiros chefes dessa organização criminosa”, disse Bittar. “A justiça para milhões de brasileiros começa agora”, acrescentou. Segundo ele, foi o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro que criou dificuldades para os fraudadores.

Segundo ele, o caso vem de longe mas s operadores do esquema, ao saberem que o próximo governo seria do PT, passaram a criar empresas e se aperfeiçoarem para roubos semelhantes ao do “Petrolão” e do “Mensalão”, que ocorreram, segundo o senador, nos cinco governos do PT (três de Lula a dois da ex-presidente Dilma Rousseff).

A informação sobre odepoimento do “Careca do INSS” foi confirmada pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). “Está confirmada a presença dele na quinta-feira, e espero, com sinceridade, que seja cumprido o trato que foi feito”, afirmou Viana, que disse ter conversado com a defesa do investigado sobre a ida ao colegiado.

Inicialmente, o depoimento na CPMI estava previsto para ocorrer na segunda-feira passada (15). Após a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, de que a ida à comissão era opcional, a defesa informou que ele não compareceria.

Na segunda-feira, o colegiado ouviu o depoimento do empresário Rubens Oliveira Costa, apontado como mais um suposto sócio de Antônio Carlos Antunes. Oliveira Costa foi convocado para depor como testemunha no colegiado, mas um HC (habeas corpus ) concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, deu o direito de Oliveira Costa não ser obrigado a responder a perguntas que possam incriminá-lo.

O habeas corpus também impede eventual ordem de prisão caso o depoente opte pelo silêncio durante o depoimento. Antes de começar a oitiva, Oliveira Costa leu um documento afirmando que deixou o cargo de diretor financeiro das empresas de Antunes, entre elas a Vênus Consultoria, no início de 2024, antes de ter conhecimento da existência de inquéritos criminais envolvendo o seu nome.

“Jamais fui sócio de qualquer negócio ao lado de Antônio Camilo. Atuei apenas em quatro de suas empresas, no papel de administrador financeiro, e nada mais além disso”, relatou. “Desconheço os motivos pelos quais relatórios, investigações ou inquéritos me apontam como sócios de algumas das empresas investigadas. Talvez, isso se deva ao fato de eu ter figurado como administrador financeiro nos estatutos sociais. Repito, jamais fui sócio de qualquer empresa com o senhor Antônio”, concluiu, antes do início das perguntas dos integrantes da CPMI.

Antônio Carlos foi preso no último dia 12 de setembro, como desdobramento das operações da Polícia Federal que investigam as fraudes nos descontos associativos. Ele é acusado de operar um esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas cadastrados no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Um relatório aponta que ele é sócio de 22 empresas, e que “várias” delas teriam sido utilizadas nas fraudes, operando como intermediárias dos sindicatos e associações, recebendo os recursos que eram debitados indevidamente dos aposentados e pensionistas, e repassando parte deles a servidores do Instituto ou familiares e empresas ligadas a eles.

Ao todo, pessoas físicas e jurídicas ligadas ao “Careca do INSS” receberam R$ 53.585.689,10 diretamente das entidades associativas ou por meio de suas empresas. Antônio Carlos Camilo Antunes se declara como um gerente, com renda mensal de R$ 24.458,23 e patrimônio entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões. A Polícia Federal destaca, no entanto, que as transações feitas por ele destoam muito daquilo que seria sua renda.

Entre os dias 22 de abril de 2024 e 16 de julho de 2024, por exemplo, “Careca” teria acumulado um patrimônio imobilizado no valor de R$ 14,375 milhões.

**Veja o vídeo: **

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