**Dilson Ornelas, Rio de Janeiro**
Em evento realizado nesta terça-feira (12) no Rio de Janeiro, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, pediu desculpas pelo atual presidente norte-americano, Donald Trump, em tom informal: “Desculpa aí pelo Trump, pessoal, mas as relações entre EUA e Brasil não podem ser vistas só pela lente dele ou do Jair Bolsonaro”. A declaração foi feita durante o debate “Mudança Climática, Desenvolvimento Sustentável e Democracia”, sediado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Gore, ativista ambiental e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, também criticou o recente “tarifaço” imposto por Trump a produtos brasileiros, que gerou tensões comerciais entre os dois países.
**O maior desafio da humanidade**
O foco principal do evento foi a emergência climática, descrita por Gore como “gravíssima” e “o desafio mais complexo que a humanidade já enfrentou”. Ele alertou que 175 milhões de toneladas de poluentes são emitidas diariamente na atmosfera, sublinhando a urgência de ações para conter o aquecimento global.
Segundo Gore, a falta de compreensão sobre a gravidade do problema ainda é um obstáculo significativo. Ele permanecerá no Rio até domingo (17), participando de encontros sobre sustentabilidade e soluções para a crise climática.
**Conflito Brasil X Estados Unidos**
A crise mencionada por Gore tem raízes em eventos políticos e decisões judiciais que marcaram as relações entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos. Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), o ex-presidente alinhou-se fortemente ao então presidente americano Donald Trump. Os dois conservadores questionavam as políticas ambientais, entre outras.
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**Segundo Gore, a falta de compreensão sobre a gravidade do problema ainda é um obstáculo significativo.**
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu em 2023, com pautas mais progressistas gerou tensões com setores trumpistas. Na eleição presidencial americana de 2020, quando Trump enfrentou e venceu Joe Biden e Kamala Harris, Lula deu várias declarações pedindo votos para os democratas.
Em 2019, no Brasil, o chamado “inquérito das fake news”, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes (STF) investigou conteúdos ligados a apoiadores de Bolsonaro. O inquérito gerou controvérsias, sendo considerado por alguns como uma medida necessária contra desinformação e por outros como uma ameaça à liberdade de expressão.
Vieram os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o STF em Brasília, intensificaram a crise política no Brasil. O evento, que deveria ser um protesto, foi comparado ao ataque ao Capitólio nos EUA em 2021. E isso levou ao julgamento de Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), resultando em sua inelegibilidade por oito anos por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Ele foi acusado de ser o responsável pela reação popular ao resultado da eleição, ainda que estivesse ausente do governo e do país naquela data.
Alexandre de Moraes, durante os processos investigativos determinou medidas contra empresas americanas de redes sociais, como o X, exigindo a remoção de conteúdos considerados desinformativos. Essas ações geraram críticas de figuras como Elon Musk, dono do X, que acusou Moraes de censura, ampliando tensões diplomáticas com o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump.
O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, dizendo-se perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes, pediu licença da Câmara e mudou-se para os estados Unidos, de onde tem articulado uma série de denúncias contra o ministro do STF.
A reação de Trump a esse conflito que tem se alongado e se tornado cada vez mais tenso, levou às ações que incluem declarações em redes sociais e na imprensa e à imposição de tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, o chamado “tarifaço”, como retaliação ao governo Lula por apoio às decisões judiciais de Moraes.
Essa medida agrava as relações bilaterais, culminando no pedido de desculpas de Al Gore, que informalmente nessa semana buscou apaziguar os ânimos e reforçar a cooperação entre os dois países em temas como sustentabilidade.

