**Tião Maia, O Aquiri**
Embalados pelas manifestações em capitais e outras cidades brasileiras cotra a aprovação, pelo Congresso Nacional, da chamada PEC (Proposta de Emenda Constitucional), que lotaram espaços públicos em todo o país durante todo o dia deste domingo, militantes e simpatizantes do PT e de outros partidos de esquerda e pessoas que não simpatizam com o bolsonarismo, começam a se reunir, nesta tarde, no chamado “Lago do Amor”, no Bairro do Ipê, um dos mais nobres de Rio Braco, para também participarem dos atos. Os movimentos de hoje, em nível nacional, foram convocados e por escritores, intelectuais e artistas como os cantores e compositores Caetano Veloso e Chico Buarque, dois dos maiores ícones da cultura brasileira e que são anti-bolsonaristas. PT e PSOl fram os partidos que mais se manifestaram pela realização das manifestações.
No Acre, as convocações também foram feitas em redes sociais por gente que combate os seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que são defensores da aprovação da PRC a qual, uma vez aprovada, não permitiria que deputados e senadores, ainda que pegos em flagrantes, só sejam investigados e processados com a autorização das mesas diretoras duas casas do Congresso Nacional, Câmara e Senado. Um dos mais ativos na convocação às manifestações em Rio Branco foi o ex-governador petista Binho marques, cujos assessores e secretários de seu Governo passaram a semana convocando os acreanos em Rio Braco para a manifestação no lago do Amor, local onde os manifestantes começam a se aglomerar.
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**Ex-governador Binho Marques foin um dos mais ativos militantes petistas na convocação à manifestação
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No país, as manifestações ocorrem acontecem em 33 cidades, incluindo as 27 capitais. Foram registradas multidões nas ruas de grandes cidades como Salvador, Recife, Natal e Belo Horizonte, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.
Com o mote “Congresso Inimigo do Povo”, os manifestantes exigiram a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, entre outros crimes.
Em Salvador (BA), milhares de pessoas se concentraram no bairro da Barra, na beira da praia, onde a cantora Daniela Mercury se apresentou para o público. “Bandidagem não é com a gente”, disse a artista baiana.
O ato contou ainda com o ator Wagner Moura, que também cantou, além de elogiar o julgamento da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.
“Eu fiquei com vontade de falar só do momento extraordinário pelo qual passa a democracia brasileira, que é exemplo para o mundo inteiro. A gente que sempre cresceu dizendo que nossa democracia é frágil, que ela é jovem. Nossa democracia botou para ‘lenhar’ [para quebrar]”, disse Wagner Moura.
Em Belo Horizonte (MG), uma multidão ocupou as ruas do centro da cidade, em concentração na Praça Raul Soares, com gritos de “sem anistia para golpistas”. O ato também contou com apresentação de artistas, entre elas, a cantora Fernanda Takai, da banda Pato Fu.
Em Recife (PE), o ato começou por volta das 14h, na Rua da Aurora, no centro da capital pernambucana, com o desfile do bloco de frevo Eu Acho é Pouco, com uma das mais tradicionais orquestras do carnaval de Olinda. Grupos de maracatu também marcam presença no ato.
A capital paraibana João Pessoa (PB) também fez um protesto nesse domingo, com gritos de “Fora, Hugo Motta”, que o deputado federal paraibano que preside a Câmara dos Deputados. O parlamentar foi um dos principais alvos dos protestos pelo seu papel de pautar a votação que aprovou a PEC da Blindagem na Casa.
Também foram registrados atos em Belém (PA); Teresina (PI); Natal (RN); Fortaleza (CE); Porto Alegre (RS); Florianópolis (SC); Brasília (DF); Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).
Convocados pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligados ao PSOL e PT, as manifestações contaram com a presença de sindicatos, grupos estudantis, artistas e movimentos sociais, como MST e MTST, além de outros partidos de esquerda e centro-esquerda.
Em Brasília e São Paulo, artistas, políticos e movimentos sociais reúnniram-se contra a PEC da Blindagem e a tentativa de anistia a condenados pela tentativa de golpe de Estado. Os maiores atos ocorrem em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Na Avenida Paulista, manifestantes levaram uma grande bandeira do Brasil em um contraponto ao símbolo dos Estados Unidos exibido por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) em ato a favor da anistia no dia 7 de Setembro passado;
Segundo o Monitor do Debate Público da USP, 42,4 mil pessoas compareceram à Paulista neste domingo. No ato bolsonarista pró-anistia foram 42,2 mil.
Os atos realizados neste domingo são marcados por cartazes que chamam o Congresso de “inimigo do povo” por causa da aprovação da PEC que impede o andamento de processos criminais contra parlamentares, sem autorização do Congresso. Também pedem que Bolsonaro fique preso e cumpra a pena de 27 anos. Em São Paulo, o protesto começou por volta das 14h. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) afirmou que o Congresso precisa derrotar o que chamou de “anistia light” aos condenados nos ataques de 8 de Janeiro. “Não tem meio termo”, disse.
Na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, os manifestantes carregam dois grandes bonecos infláveis: um de Jair Bolsonaro com camisa de presidiário e outro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o chapéu do “Tio Sam”.

