O que o Pastor Alan Rick esconde de seus fieis em suas pregações em tom profético e apocalíptico

Candidato quer colocar escândalo do banco de Vorcaro em Lula mas é o seu candidato a preidente da República qu pedia dinheiro ao banqueiro

 

José Uchoa (*)

 

Vi mais uma peça publicitária do senador Alan Rick, na sua luta para chegar ao Palácio Rio Branco, e me lembrei dessa frase que vazou em uma conversa do ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, Rubens Ricupero. O vazamento motivou sua imediata saída do posto que ocupava, no período de implantação do Plano Real.

Alan Rick, em tom “profético” e “apocalíptico”, dizia aos seus irmãos e também eleitores que Deus levantou André Mendonça para fazer justiça neste país e revelar toda a sujeira do caso Master; que as trevas se levantam contra ele, que devemos orar por ele e que nada pode atingir um ungido do Senhor.

Ora bolas: se nada pode atingi-lo porque ele é um homem ungido, por que é preciso formar uma corrente de oração por ele?

Mas essa não é a questão central deste meu comentário. O que importa mesmo é que o senador não diz uma palavra sobre seu candidato a presidente, que, segundo as acusações e investigações relacionadas ao caso, aparece envolvido no escândalo envolvendo Vorcaro. Bolsonaro pai, Flávio Bolsonaro, Kassio Nunes Marques e o próprio Mendonça também são citados no contexto das controvérsias que envolvem o caso.

A ideia do senador, com seu discurso extremista de pânico moral, é ligar o escândalo apenas a Alexandre de Moraes e, de forma oportunista, tirar proveito eleitoral, associando Xandão a Lula, como se este estivesse, de algum modo, ligado ao caso.

O que precisa ser dito, caro senador, é que o candidato Flávio Bolsonaro, que você apoia, está no centro desse debate político, enquanto Lula é apresentado por você como se fosse parte do problema. A questão que precisa ser esclarecida é como esse mecanismo de relações entre dinheiro, poder econômico e apoio político funcionou, quem dele se beneficiou e quais medidas foram tomadas pelas instituições.

Essa é a verdade inconveniente que o senador prefere esconder enquanto faz discurso para enganar incautos, tentando parecer aquilo que, na minha análise, não é.

Quem anda de mãos dadas com figuras como Flávio Bolsonaro e seus aliados, na minha av9*)aliação, não deveria se apresentar como autoridade moral para nada.

 

(*) José Uchoa é professor de História na rede pública do Acre

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